Famílias compostas por apenas uma pessoa ganharam um prazo adicional para cumprir uma das novas exigências previstas na legislação do Cadastro Único. Um acordo homologado pela Justiça Federal garante que beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) não poderão perder o acesso aos programas exclusivamente pela ausência da entrevista domiciliar até julho de 2027.
Famílias unipessoais mantêm BPC e Bolsa Família até julho de 2027 mesmo sem visita em casa
Acordo garante Bolsa Família e BPC para famílias unipessoais sem entrevista domiciliar até julho de 2027. Entenda quem será beneficiado.
A medida traz mais segurança para milhares de brasileiros que vivem sozinhos e dependem dos benefícios para manter despesas essenciais, como alimentação, medicamentos, aluguel e contas básicas. Na prática, o entendimento evita interrupções enquanto o governo organiza a implementação da nova regra em todo o país.
A decisão envolve o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Defensoria Pública da União (DPU), em um acordo validado pela Justiça Federal.
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O que muda para quem mora sozinho
A Lei nº 15.077/2024 estabeleceu novas regras para o Cadastro Único, incluindo a previsão de entrevista realizada na residência da pessoa inscrita quando se tratar de famílias unipessoais.
O objetivo da medida é aumentar a segurança das informações cadastrais e reduzir fraudes, especialmente em cadastros de pessoas que declararam morar sozinhas. Nos últimos anos, auditorias identificaram crescimento expressivo desse tipo de registro, levando o governo federal a reforçar os mecanismos de verificação.
Entretanto, a implementação da entrevista domiciliar em todo o território nacional depende da estrutura dos municípios, responsáveis pela execução do Cadastro Único. Em muitas cidades, ainda não existe capacidade operacional suficiente para realizar visitas em larga escala.
Por esse motivo, o acordo estabelece uma fase de transição.
Benefícios serão mantidos até julho de 2027
Durante esse período, a falta da entrevista domiciliar não poderá ser utilizada como motivo para:
- impedir nova inscrição no Cadastro Único;
- bloquear atualização cadastral;
- negar a concessão do BPC;
- cancelar o Bolsa Família de famílias unipessoais;
- suspender benefícios apenas pela ausência da visita.
Em vez da entrevista na residência, o atendimento poderá ocorrer presencialmente nas unidades responsáveis pelo Cadastro Único, desde que sejam observadas as condições previstas no acordo firmado entre os órgãos públicos.
Isso significa que o cidadão continuará podendo comparecer ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou ao posto de atendimento do Cadastro Único para realizar os procedimentos necessários.
Por que a entrevista domiciliar foi criada
A criação dessa exigência faz parte de uma estratégia mais ampla do governo federal para aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização dos programas sociais.
Nos últimos anos, auditorias e cruzamentos de dados identificaram inconsistências em parte dos cadastros de famílias unipessoais, situação que motivou mudanças na legislação.
A entrevista na residência permite confirmar informações como:
- composição familiar;
- endereço informado;
- condição socioeconômica;
- existência de outras pessoas vivendo no imóvel.
Embora seja uma ferramenta importante para aumentar a confiabilidade do Cadastro Único, sua implementação imediata em todos os municípios poderia gerar filas, atrasos e até interrupção indevida de benefícios.
Foi justamente esse risco que motivou a celebração do acordo judicial.
Quem é considerado família unipessoal
O Cadastro Único considera família unipessoal aquela composta por apenas um integrante que reside sozinho e administra suas próprias despesas.
Entre os exemplos mais comuns estão:
Uma pessoa idosa que mora sozinha em sua residência.
Um trabalhador solteiro que vive sozinho em imóvel alugado.
Uma pessoa com deficiência sem outros moradores na casa.
Cada situação continua sujeita à análise cadastral e às regras específicas de cada benefício.
O que acontece depois de julho de 2027
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O prazo previsto no acordo tem como finalidade permitir que a administração pública organize a implantação definitiva da entrevista domiciliar.
Até lá, União e municípios deverão ampliar a estrutura de atendimento, capacitar equipes e implementar os procedimentos previstos na legislação.
Caso não haja nova alteração normativa ou decisão judicial, a exigência poderá passar a valer integralmente após julho de 2027.
Ainda assim, cada caso continuará sendo analisado conforme as normas vigentes e os regulamentos editados pelo governo federal.
A decisão altera os critérios do Bolsa Família?
Não.
As regras de renda, composição familiar e demais critérios para ingresso e permanência no Bolsa Família permanecem exatamente as mesmas.
O acordo trata exclusivamente da forma como será realizada a atualização cadastral das famílias unipessoais durante o período de transição.
Isso significa que continuam valendo requisitos como:
- atualização periódica do Cadastro Único;
- cumprimento das condicionalidades nas áreas de saúde e educação quando aplicáveis;
- manutenção das informações corretas junto ao cadastro.
O impacto para quem recebe o BPC

No Benefício de Prestação Continuada, destinado a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, a medida também evita que beneficiários sejam prejudicados por questões administrativas.
O BPC continua exigindo o cumprimento dos critérios previstos na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), incluindo inscrição no Cadastro Único e análise da renda familiar.
O que muda é que, durante o período definido pelo acordo, a ausência da entrevista domiciliar não poderá impedir a concessão nem provocar a perda do benefício quando esse for o único motivo.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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