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Títulos do Brasil têm maior valorização desde 2013 em meio ao cenário eleitoral

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
Bonds brasileiros

Os títulos da dívida brasileira negociados no exterior chegam ao primeiro turno das eleições de 2026 com um dos menores prêmios de risco dos últimos anos. Segundo levantamento do JPMorgan, o spread dos bonds soberanos do Brasil caiu para 158 pontos-base, menor nível desde maio de 2013.

O dado ganha importância porque o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

A combinação entre preços elevados dos títulos, cenário eleitoral e fatores internacionais aumenta a atenção dos investidores para os próximos movimentos do mercado. O próprio JPMorgan, segundo a análise divulgada, considera que o espaço para uma nova compressão dos spreads está mais limitado.

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O que significa o spread dos bonds brasileiros

Dólar
Imagem: Ground Picture / Shutterstock.com

O spread é uma medida utilizada para comparar o prêmio exigido pelos investidores para comprar um título de determinado país em relação a uma referência considerada de menor risco, normalmente os Treasuries dos Estados Unidos.

Quando o spread diminui, significa que o mercado está exigindo um prêmio menor para carregar aquele risco. Quando aumenta, ocorre o contrário: os investidores passam a pedir uma remuneração adicional maior.

No caso brasileiro, o spread de 158 pontos-base está 18 pontos abaixo da média dos países classificados na faixa BB, segundo os dados atribuídos ao JPMorgan.

Isso ajuda a explicar por que uma nova valorização pode exigir mudanças relevantes nas expectativas dos investidores. Quanto menor o prêmio, menor tende a ser o espaço para uma redução adicional sem que novos fatores favoráveis apareçam.

Por que a eleição entrou no radar?

A eleição presidencial é um dos eventos capazes de alterar expectativas sobre política econômica, trajetória fiscal e relação do próximo governo com investidores.

O primeiro turno de 2026 ocorrerá em 4 de outubro, e o resultado definirá se haverá segundo turno nas disputas majoritárias que não forem decididas na primeira votação.

No relatório citado, o JPMorgan relaciona o comportamento recente dos bonds às expectativas do mercado em torno do cenário eleitoral. Essa é uma interpretação dos analistas do banco, e não uma previsão oficial sobre o resultado da eleição.

Bonds e CDS mostram movimentos diferentes

Outro ponto destacado pelo banco é a diferença entre o comportamento dos bonds e do CDS de cinco anos, instrumento utilizado no mercado para proteção contra o risco de crédito de um emissor.

Enquanto os títulos soberanos brasileiros tiveram forte valorização em setembro, o CDS de cinco anos avançou na última semana, chegando a aproximadamente 125 pontos-base, segundo o levantamento divulgado. O bond brasileiro com vencimento em 2030, por sua vez, apresentava spread de cerca de 80 pontos-base.

Essa diferença é observada pelos participantes do mercado porque os dois instrumentos podem responder de maneira diferente à procura por proteção antes de eventos de maior volatilidade.

O JPMorgan apresentou uma estratégia de arbitragem envolvendo os dois ativos. Essa recomendação é específica do banco e não deve ser interpretada como uma indicação geral de investimento para o público.

Crédito corporativo brasileiro também chama atenção

O movimento não está restrito aos títulos emitidos pelo governo. Os bonds de empresas brasileiras também apresentam spreads relativamente baixos em comparação com períodos eleitorais anteriores.

Segundo o JPMorgan, o índice CEMBI Brasil estava em 198 pontos-base, menor nível registrado às vésperas de uma eleição desde o início da série utilizada pelo banco, em 2006. Em 2022, o indicador estava em 445 pontos-base no mesmo tipo de comparação.

Há, entretanto, uma ressalva importante nessa comparação. Parte da redução do índice ocorreu porque empresas como Raízen e Braskem deixaram sua composição após eventos de crédito registrados em 2026. Portanto, comparar simplesmente o nível atual com o de 2022 pode esconder mudanças na composição da carteira analisada.

Inadimplência aumenta a cautela

O mercado de crédito corporativo também apresenta sinais que exigem atenção. Conforme os dados citados pelo JPMorgan, a inadimplência dos bonds brasileiros classificados como high yield chegou a 15,7% no acumulado do ano até agosto, o maior nível da série do banco, iniciada em 2010.

High yield é uma classificação associada a títulos de maior risco de crédito e, consequentemente, que costumam oferecer remuneração mais elevada para compensar esse risco.

Esse cenário mostra por que o comportamento dos bonds corporativos não depende apenas da eleição. A situação financeira de cada companhia, seu endividamento, geração de caixa, setor de atuação e capacidade de refinanciamento podem provocar diferenças importantes entre os papéis.

Juros americanos e petróleo também podem mexer com os títulos

Insolvência
Imagem: logoboom/Shutterstock.com

Embora o calendário eleitoral seja um fator relevante neste momento, o mercado brasileiro continua exposto às condições financeiras internacionais.

Os juros dos Estados Unidos influenciam a atratividade relativa dos ativos emergentes. Uma mudança nas taxas americanas pode alterar o fluxo de recursos para países como o Brasil e modificar o prêmio exigido pelos investidores.

O petróleo também aparece entre as variáveis acompanhadas pelos analistas. Para o Brasil, mudanças nos preços da commodity podem afetar empresas exportadoras, receitas externas e expectativas para inflação e atividade econômica.

Por isso, uma eventual mudança nos spreads dos bonds não necessariamente será consequência direta do resultado eleitoral. Diferentes fatores podem atuar simultaneamente, e o efeito de cada um dependerá das condições do mercado no momento.

Imagem: Reprodução

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