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Bradesco em alta: o crescimento de 19% da margem com clientes que veio “em linha”

Bradesco reporta lucro de R$ 6,2 bi e avanço de 19% na margem com clientes, mostrando retomada sólida e controle da inadimplência.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
bradesco

O Bradesco apresentou, no terceiro trimestre de 2025, um resultado sólido que confirma sua recuperação gradual após o período de ajustes e desafios vividos pelo setor bancário nos últimos anos. O lucro líquido atingiu R$ 6,2 bilhões, alta de 2,3% em relação ao trimestre anterior e de 18,8% na comparação anual, desempenho que veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do banco subiu para 14,7%, um avanço de 0,1 ponto percentual, consolidando a tendência de fortalecimento operacional e rentabilidade.

Mas o grande destaque foi a margem financeira com clientes, que cresceu 4,8% no trimestre e 19% no acumulado de 12 meses, impulsionada pelo aumento da carteira de crédito e pela ampliação do spread médio. Esse movimento reforça que o Bradesco vem recuperando sua capacidade de gerar lucro com eficiência e sustentabilidade.

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Expansão da carteira de crédito sustenta crescimento

Lucro
Imagem: rafapress / Shutterstock.com

O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo crescimento da carteira de crédito, que teve alta de 1,6% no trimestre e 9,6% em 12 meses, resultado do avanço em segmentos de maior rentabilidade e do bom desempenho das linhas voltadas às pequenas e médias empresas (PMEs).

Segundo analistas do mercado, o chamado core trend de crédito — que combina a evolução da carteira, o spread e as provisões — manteve-se positivo, indicando que o banco conseguiu equilibrar crescimento e qualidade de ativos.

Inadimplência estável, mas com nuances

A inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 4,1%, o que reforça a resiliência da carteira de crédito. Entre as PMEs, o indicador apresentou melhora relevante, recuando de 4,3% em junho para 3,7% em setembro, refletindo uma política de crédito mais criteriosa e o avanço da economia em alguns setores produtivos.

Por outro lado, houve leve aumento na inadimplência das pessoas físicas, que passou de 5,1% para 5,4% no mesmo intervalo. O Bradesco explicou que essa variação está relacionada à integração das operações do Banco John Deere, adquirido em agosto de 2024, o que temporariamente impactou os índices do segmento.


Tesouraria volta ao azul e supera concorrentes

Outra boa notícia veio da margem com o mercado, que atingiu R$ 99 milhões no trimestre — desempenho que contrasta fortemente com o prejuízo de R$ 1,3 bilhão registrado pelo Santander na mesma linha.

Historicamente, os grandes bancos tendem a registrar perdas em suas tesourarias durante períodos de juros elevados. No entanto, o Bradesco conseguiu reverter esse cenário após uma série de ajustes realizados nos últimos trimestres, otimizando sua exposição a riscos e se beneficiando da estabilização do cenário de política monetária.

Esse resultado reforça a percepção de que o banco aprendeu com os erros do passado recente e está melhor preparado para navegar em ambientes mais voláteis.


Segmento de seguros segue em destaque

O braço de seguros do Bradesco manteve o desempenho robusto que tem sustentado parte relevante dos resultados do grupo. No terceiro trimestre, o lucro da seguradora foi de R$ 2,5 bilhões, uma alta de 10,3% frente ao trimestre anterior e de 6,5% em 12 meses.

Além disso, a sinistralidade caiu, indicando melhor gestão de riscos e controle dos custos com indenizações. O ROE da operação de seguros também subiu, passando de 21,4% para 22,4%, o que confirma o bom momento do setor dentro da instituição.

As receitas com serviços apresentaram avanço de 2,8% no trimestre e 6,9% no acumulado do ano, impulsionadas por maior movimentação em cartões, previdência privada e administração de fundos.


Despesas operacionais crescem e chamam atenção do mercado

Bradesco
Imagem: rafapress / shutterstock.com

Apesar dos bons resultados, o mercado observou com cautela o crescimento das despesas operacionais, que aumentaram 3,7% no trimestre e 9,6% na comparação anual.

Analistas ressaltaram que, embora o banco esteja colhendo os frutos do seu turnaround, a manutenção da trajetória de alta do ROE dependerá também da melhoria da eficiência operacional e do controle de custos.

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Durante a apresentação dos resultados, o presidente do banco, Octavio de Lazari Jr., e o diretor-presidente do Bradesco, Noronha, afirmaram que os gastos estão sob controle e refletem um ciclo de investimentos estratégicos, especialmente em tecnologia e pessoal.

“Trabalhamos para ser mais eficientes, mas não vamos parar de investir. Se aparecer uma oportunidade de investir R$ 1 bilhão para ganhar R$ 2 bilhões, vamos aproveitar”, afirmou Noronha.


Expectativas e reação do mercado

Mesmo com os resultados positivos, parte dos investidores acreditava que o banco poderia surpreender mais. A divulgação do balanço do Santander no mesmo dia — com números melhores que o esperado — elevou a barra para o Bradesco.

Ainda assim, as ações do banco subiram 3,2% na véspera da divulgação dos resultados, impulsionadas pela expectativa de um lucro acima do consenso, e acumulam uma impressionante alta de 65% no ano, desempenho superior ao de seus principais concorrentes: Itaú, com valorização de 42%, e Santander, com 25%.

Para analistas do setor financeiro, o Bradesco entrou em uma fase de consolidação após um ciclo de reestruturação. O foco agora será melhorar a eficiência, conter despesas e ampliar a rentabilidade, especialmente com a retomada gradual do crédito e a estabilização da inadimplência.


Perspectivas para o próximo trimestre

Com um balanço equilibrado, avanço na margem financeira e resultados consistentes em seguros e serviços, o Bradesco reforça sua posição como um dos bancos mais resilientes do país. A expectativa do mercado é que o quarto trimestre mantenha a trajetória de crescimento, apoiado pela recuperação econômica e pelo arrefecimento dos juros.

Se conseguir sustentar o controle das despesas e continuar expandindo sua margem com clientes, o banco tende a encerrar 2025 com um dos melhores desempenhos do setor bancário brasileiro, consolidando o sucesso de seu processo de retomada.

Imagem: Alf Ribeiro / Shutterstock

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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