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Depois do Nubank, Bradesco acaba com home office para 900 funcionários

O Bradesco acaba com o home office nas áreas de investimentos e tesouraria. Mudança afeta 900 funcionários e gera reação do sindicato.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Bradesco

O anúncio do Bradesco de que encerrará os regimes de home office nas áreas de investimentos e tesouraria, afetando cerca de 900 funcionários, movimentou o setor financeiro e acendeu uma discussão intensa sobre o futuro do trabalho nas instituições bancárias. A decisão, que passa a valer a partir de 2 de janeiro, foi recebida com indignação pelos trabalhadores e motivou reação imediata do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Com o fim do home office nessas áreas específicas, o banco segue uma direção semelhante à de outras instituições financeiras que, ao longo dos últimos meses, reduziram ou extinguiram modelos híbridos e remotos implementados durante e após a pandemia.

A movimentação reforça a tendência de retorno presencial como estratégia de gestão, embora siga enfrentando resistência de parte significativa dos profissionais.

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Mudança impacta departamentos estratégicos do Bradesco

Escopo da decisão

O Bradesco vai exigir trabalho 100% presencial dos departamentos de investimentos e tesouraria. Segundo o Sindicato dos Bancários, somente a área de investimentos abriga 844 funcionários, enquanto a tesouraria concentra outros 50 bancários — todos baseados na capital paulista.

De acordo com a organização sindical, os trabalhadores foram surpreendidos e ficaram “indignados” com a mudança repentina feita às vésperas do final de ano. Muitos relatam preocupação com deslocamentos longos, perda de qualidade de vida e impactos na rotina familiar.

A política atual do banco

Hoje, cerca de 50% dos mais de 82 mil funcionários do Bradesco trabalham em jornadas híbridas, variando entre três e quatro dias presenciais por semana. A decisão de permanecer ou não no modelo híbrido, segundo o banco, depende da avaliação da liderança de cada área.

Em nota, o Bradesco afirmou que a definição da rotina de trabalho é baseada nas “especificações operacionais” e guiada por cada departamento.

Reação do Sindicato dos Bancários

Indignação e mobilização

A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, classificou a decisão como uma “péssima notícia” para os trabalhadores e suas famílias, especialmente no final do ano.

Segundo ela:

“Esta mudança causa impactos enormes na rotina e na qualidade de vida destes bancários, que de forma justa estão indignados com a mudança. O Sindicato quer ouvir estes bancários e, juntos, definir os próximos passos de um movimento de mobilização que pressione o banco a negociar.”

Exigência de condições adequadas

O sindicato defende que qualquer retorno presencial deve ocorrer sob condições estruturais e organizacionais adequadas, garantindo saúde, segurança e condições dignas de trabalho para todos os bancários.

Plenária e próximos passos

Uma plenária com os trabalhadores sindicalizados está marcada para dia 9, momento em que serão discutidos caminhos de mobilização e reivindicações para negociação com o banco.

Posição do Bradesco: equilíbrio e produtividade

O banco reforçou em nota que busca “um equilíbrio entre o presencial e o remoto”, garantindo produtividade e bem-estar dos colaboradores. Porém, especialistas avaliam que, na prática, o movimento marca um retrocesso em políticas corporativas que vinham sendo flexíveis desde 2020.

Tendência no setor financeiro

A pressão por retorno presencial tem crescido entre grandes bancos e instituições financeiras, principalmente em áreas consideradas estratégicas e sensíveis, como:

  • análise de risco
  • gestão de carteiras
  • operações de mercado
  • tesouraria
  • compliance

O argumento predominante é que a convivência corporativa fortalece a tomada de decisões, o fluxo de informações e a agilidade operacional.

Nubank também reviu políticas e enfrentou resistência

O caso recente do banco digital

Em novembro, o Nubank anunciou o fim do trabalho remoto permanente e comunicou uma reorganização das regras internas. O episódio gerou grande repercussão após uma reunião tensa com funcionários e demissões subsequentes.

Pelas novas diretrizes do banco digital:

  • até julho de 2026: exigência de 2 dias presenciais semanais
  • a partir de janeiro de 2027: exigência de 3 dias presenciais por semana

Atualmente, os trabalhadores precisam comparecer presencialmente apenas uma semana por trimestre, o que representa uma diferença drástica no cotidiano de grande parte das equipes.

Segundo a empresa, 70% dos funcionários serão impactados pela mudança.

Reação dos trabalhadores

A alteração foi mal recebida internamente, especialmente por profissionais que se mudaram de estado ou país durante o período de home office amplo. O episódio reacendeu discussões sobre:

  • limites da gestão remota
  • acordos trabalhistas
  • custos de deslocamento
  • equilíbrio entre produtividade e bem-estar

O retorno presencial é tendência irreversível?

O movimento de Bradesco e Nubank sinaliza uma possível tendência de reestruturação no ambiente corporativo das instituições financeiras. O setor bancário, conhecido por processos rígidos e necessidade de segurança operacional, parece retomar gradualmente a lógica pré-pandemia, ainda que parte do funcionalismo pleiteie modelos híbridos mais flexíveis.

Especialistas apontam três fatores principais para o retorno presencial

Necessidades operacionais

Departamentos como tesouraria demandam decisões rápidas e trocas intensas entre profissionais, o que muitas empresas acreditam ser potencializado presencialmente.

Cultura corporativa

Grandes bancos historicamente mantêm estruturas hierárquicas que favorecem o acompanhamento presencial do trabalho.

Competitividade e produtividade

Em um cenário de juros altos e margens pressionadas, há maior pressão por resultados rápidos e eficiência operacional.

O impacto na vida dos trabalhadores

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Questões de mobilidade

São Paulo enfrenta grandes desafios de trânsito e locomoção. Bancários que vivem em regiões distantes dos polos financeiros poderão enfrentar deslocamentos superiores a 3 horas por dia.

Qualidade de vida

O home office trouxe para muitos profissionais:

  • mais tempo com a família
  • economia de transporte
  • maior autonomia
  • redução de estresse cotidiano

A perda desse modelo tem sido sentida de forma intensa.

Relação com custos pessoais

A volta ao presencial pode gerar novos gastos como:

  • transporte
  • alimentação
  • estacionamento
  • cuidados para filhos

O que esperar das negociações?

Há possibilidade de que o sindicato pressione por:

Revisão das regras

Negociação de jornadas híbridas pelo menos parcialmente flexíveis.

Contrapartidas financeiras

Auxílio transporte maior, vale-mobilidade ou apoio logístico para o retorno presencial.

Ajustes de estrutura física

As sedes precisam comportar adequadamente todos os funcionários simultaneamente, algo que alguns bancos ajustaram para a era híbrida.

Garantias de saúde e segurança

Ventilação adequada, ergonomia e apoio psicológico podem entrar na pauta.

Conclusão

O retorno presencial imposto pelo Bradesco nas áreas de investimentos e tesouraria gerou forte reação dos trabalhadores e abriu um debate que vai muito além de uma simples mudança operacional. Ele expõe uma batalha mais ampla entre modelos tradicionais de gestão e novas expectativas dos profissionais por qualidade de vida e equilíbrio.

A plenária marcada para os próximos dias deve definir os rumos dessa mobilização e indicar se o movimento terá força suficiente para alterar o posicionamento do banco, como já ocorreu em negociações anteriores do setor bancário.

Independentemente do desfecho, o caso reforça que o futuro do trabalho no setor financeiro ainda está em disputa — e que retornos presenciais exigem diálogo, planejamento e, sobretudo, respeito aos trabalhadores.

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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