O anúncio do Bradesco de que encerrará os regimes de home office nas áreas de investimentos e tesouraria, afetando cerca de 900 funcionários, movimentou o setor financeiro e acendeu uma discussão intensa sobre o futuro do trabalho nas instituições bancárias. A decisão, que passa a valer a partir de 2 de janeiro, foi recebida com indignação pelos trabalhadores e motivou reação imediata do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Depois do Nubank, Bradesco acaba com home office para 900 funcionários
O Bradesco acaba com o home office nas áreas de investimentos e tesouraria. Mudança afeta 900 funcionários e gera reação do sindicato.
Com o fim do home office nessas áreas específicas, o banco segue uma direção semelhante à de outras instituições financeiras que, ao longo dos últimos meses, reduziram ou extinguiram modelos híbridos e remotos implementados durante e após a pandemia.
A movimentação reforça a tendência de retorno presencial como estratégia de gestão, embora siga enfrentando resistência de parte significativa dos profissionais.
Leia Mais:
Mudança impacta departamentos estratégicos do Bradesco
Escopo da decisão
O Bradesco vai exigir trabalho 100% presencial dos departamentos de investimentos e tesouraria. Segundo o Sindicato dos Bancários, somente a área de investimentos abriga 844 funcionários, enquanto a tesouraria concentra outros 50 bancários — todos baseados na capital paulista.
De acordo com a organização sindical, os trabalhadores foram surpreendidos e ficaram “indignados” com a mudança repentina feita às vésperas do final de ano. Muitos relatam preocupação com deslocamentos longos, perda de qualidade de vida e impactos na rotina familiar.
A política atual do banco
Hoje, cerca de 50% dos mais de 82 mil funcionários do Bradesco trabalham em jornadas híbridas, variando entre três e quatro dias presenciais por semana. A decisão de permanecer ou não no modelo híbrido, segundo o banco, depende da avaliação da liderança de cada área.
Em nota, o Bradesco afirmou que a definição da rotina de trabalho é baseada nas “especificações operacionais” e guiada por cada departamento.
Reação do Sindicato dos Bancários
Indignação e mobilização
A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, classificou a decisão como uma “péssima notícia” para os trabalhadores e suas famílias, especialmente no final do ano.
Segundo ela:
“Esta mudança causa impactos enormes na rotina e na qualidade de vida destes bancários, que de forma justa estão indignados com a mudança. O Sindicato quer ouvir estes bancários e, juntos, definir os próximos passos de um movimento de mobilização que pressione o banco a negociar.”
Exigência de condições adequadas
O sindicato defende que qualquer retorno presencial deve ocorrer sob condições estruturais e organizacionais adequadas, garantindo saúde, segurança e condições dignas de trabalho para todos os bancários.
Plenária e próximos passos
Uma plenária com os trabalhadores sindicalizados está marcada para dia 9, momento em que serão discutidos caminhos de mobilização e reivindicações para negociação com o banco.
Posição do Bradesco: equilíbrio e produtividade
O banco reforçou em nota que busca “um equilíbrio entre o presencial e o remoto”, garantindo produtividade e bem-estar dos colaboradores. Porém, especialistas avaliam que, na prática, o movimento marca um retrocesso em políticas corporativas que vinham sendo flexíveis desde 2020.
Tendência no setor financeiro
A pressão por retorno presencial tem crescido entre grandes bancos e instituições financeiras, principalmente em áreas consideradas estratégicas e sensíveis, como:
- análise de risco
- gestão de carteiras
- operações de mercado
- tesouraria
- compliance
O argumento predominante é que a convivência corporativa fortalece a tomada de decisões, o fluxo de informações e a agilidade operacional.
Nubank também reviu políticas e enfrentou resistência
O caso recente do banco digital
Em novembro, o Nubank anunciou o fim do trabalho remoto permanente e comunicou uma reorganização das regras internas. O episódio gerou grande repercussão após uma reunião tensa com funcionários e demissões subsequentes.
Pelas novas diretrizes do banco digital:
- até julho de 2026: exigência de 2 dias presenciais semanais
- a partir de janeiro de 2027: exigência de 3 dias presenciais por semana
Atualmente, os trabalhadores precisam comparecer presencialmente apenas uma semana por trimestre, o que representa uma diferença drástica no cotidiano de grande parte das equipes.
Segundo a empresa, 70% dos funcionários serão impactados pela mudança.
Reação dos trabalhadores
A alteração foi mal recebida internamente, especialmente por profissionais que se mudaram de estado ou país durante o período de home office amplo. O episódio reacendeu discussões sobre:
- limites da gestão remota
- acordos trabalhistas
- custos de deslocamento
- equilíbrio entre produtividade e bem-estar
O retorno presencial é tendência irreversível?
O movimento de Bradesco e Nubank sinaliza uma possível tendência de reestruturação no ambiente corporativo das instituições financeiras. O setor bancário, conhecido por processos rígidos e necessidade de segurança operacional, parece retomar gradualmente a lógica pré-pandemia, ainda que parte do funcionalismo pleiteie modelos híbridos mais flexíveis.
Especialistas apontam três fatores principais para o retorno presencial
Necessidades operacionais
Departamentos como tesouraria demandam decisões rápidas e trocas intensas entre profissionais, o que muitas empresas acreditam ser potencializado presencialmente.
Cultura corporativa
Grandes bancos historicamente mantêm estruturas hierárquicas que favorecem o acompanhamento presencial do trabalho.
Competitividade e produtividade
Em um cenário de juros altos e margens pressionadas, há maior pressão por resultados rápidos e eficiência operacional.
O impacto na vida dos trabalhadores
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Questões de mobilidade
São Paulo enfrenta grandes desafios de trânsito e locomoção. Bancários que vivem em regiões distantes dos polos financeiros poderão enfrentar deslocamentos superiores a 3 horas por dia.
Qualidade de vida
O home office trouxe para muitos profissionais:
- mais tempo com a família
- economia de transporte
- maior autonomia
- redução de estresse cotidiano
A perda desse modelo tem sido sentida de forma intensa.
Relação com custos pessoais
A volta ao presencial pode gerar novos gastos como:
- transporte
- alimentação
- estacionamento
- cuidados para filhos
O que esperar das negociações?
Há possibilidade de que o sindicato pressione por:
Revisão das regras
Negociação de jornadas híbridas pelo menos parcialmente flexíveis.
Contrapartidas financeiras
Auxílio transporte maior, vale-mobilidade ou apoio logístico para o retorno presencial.
Ajustes de estrutura física
As sedes precisam comportar adequadamente todos os funcionários simultaneamente, algo que alguns bancos ajustaram para a era híbrida.
Garantias de saúde e segurança
Ventilação adequada, ergonomia e apoio psicológico podem entrar na pauta.
Conclusão
O retorno presencial imposto pelo Bradesco nas áreas de investimentos e tesouraria gerou forte reação dos trabalhadores e abriu um debate que vai muito além de uma simples mudança operacional. Ele expõe uma batalha mais ampla entre modelos tradicionais de gestão e novas expectativas dos profissionais por qualidade de vida e equilíbrio.
A plenária marcada para os próximos dias deve definir os rumos dessa mobilização e indicar se o movimento terá força suficiente para alterar o posicionamento do banco, como já ocorreu em negociações anteriores do setor bancário.
Independentemente do desfecho, o caso reforça que o futuro do trabalho no setor financeiro ainda está em disputa — e que retornos presenciais exigem diálogo, planejamento e, sobretudo, respeito aos trabalhadores.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
Pode ser do seu interesse:

