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Brasil assume papel estratégico na definição das prioridades do brics

Brasil assume presidência do Brics em 2025 e lidera debates globais em saúde, IA, clima e desdolarização com a cúpula no Rio de Janeiro em julho.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Brasil brics

Em 2025, o Brasil assume a presidência do Brics, um dos agrupamentos mais relevantes da política internacional contemporânea. Composto atualmente por 11 países — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Indonésia, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã — o bloco representa mais de 40% da população mundial e cerca de 37% do PIB global medido por paridade de poder de compra.

O comando rotativo do Brics dá ao Brasil a oportunidade única de definir os rumos da agenda internacional em áreas estratégicas como economia, saúde, meio ambiente e tecnologia. A presidência brasileira chega em um momento de redefinição das alianças globais e de fortalecimento do Sul Global como ator relevante no equilíbrio de poder mundial.

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As prioridades da presidência brasileira no Brics

Brasil
Imagem: Lula Marques/Agência Brasil

Cooperação em saúde global

A pandemia de Covid-19 evidenciou fragilidades nos sistemas de saúde de todo o mundo. O Brasil pretende liderar a criação de mecanismos de resposta rápida, compartilhamento de tecnologia médica e fortalecimento da soberania sanitária dos países do Sul Global.

Comércio, investimentos e finanças

A discussão sobre a desdolarização e o uso de moedas nacionais nas trocas comerciais entre os membros do Brics deve ganhar força. Há também expectativa de novos investimentos cruzados em infraestrutura e energia, com destaque para o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o chamado “banco dos Brics”.

Mudança climática

A temática ambiental terá protagonismo, especialmente com o Brasil também sediando, em novembro, a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém. A presidência do Brics será uma prévia diplomática crucial.

Governança e inteligência artificial

A elaboração de diretrizes éticas e políticas públicas para o uso da inteligência artificial nos países em desenvolvimento é uma pauta emergente. O Brasil pretende liderar um debate técnico e político que não seja apenas guiado pelas grandes potências do Ocidente.

Arquitetura multilateral de paz e segurança

A presidência brasileira busca fortalecer o papel do Brics como alternativa aos modelos tradicionais de governança internacional, defendendo maior representatividade dos países em desenvolvimento em fóruns como a ONU e o FMI.

Desenvolvimento institucional

Há também foco na ampliação da atuação do bloco, com a incorporação efetiva dos novos membros e o aprofundamento da participação dos países parceiros convidados.

A Cúpula do Brics no Rio de Janeiro: 6 e 7 de julho

A Cúpula de Líderes do Brics em 2025 ocorrerá nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro. O evento será o ponto alto da presidência brasileira, reunindo chefes de Estado, chanceleres, ministros e empresários dos 11 países membros, além de representantes dos países parceiros.

Segundo o professor Evandro Carvalho, da FGV Direito Rio, a expectativa é de sucesso:

“Eu não tenho a menor dúvida que será bem-sucedido porque se houve já uma experiência como o anfitrião de uma reunião como o G20, essa cúpula dos Brics envolve um número menor de países e a construção do consenso me parece que será mais viável”.

A realização da cúpula no Brasil também reforça o papel diplomático do país e sua capacidade de articulação entre interesses diversos — algo fundamental em tempos de tensões geopolíticas, como as guerras na Ucrânia e em Gaza.

Temas centrais em debate

Desdolarização e moedas nacionais

O uso de moedas locais nas transações comerciais entre os membros é uma das pautas centrais. A proposta visa reduzir a dependência do dólar americano e fortalecer a autonomia financeira dos países do bloco.

Inteligência artificial e transferência de tecnologia

A ideia de compartilhar tecnologias de ponta — especialmente em IA — entre os países do Brics é vista como forma de combater desigualdades tecnológicas e promover desenvolvimento soberano.

Cooperação energética e infraestrutura

Projetos comuns em áreas como energia limpa, mobilidade urbana e infraestrutura logística estarão em destaque. O Brasil deve propor a ampliação de financiamento do NDB para iniciativas sustentáveis.

O legado esperado da presidência brasileira

Brasil
Imagem: Freepik

Evandro Carvalho destaca que a presidência traz ao Brasil vantagens importantes, como o direito de definir a agenda de prioridades e o fortalecimento de sua imagem internacional:

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“Seguramente o país que sedia ele já tem algumas vantagens próprias, que é a definição da agenda […] O Estado que preside define os temas que considera prioritários”.

Além da visibilidade internacional, o país ganha fôlego diplomático para retomar uma política externa ativa, criativa e voltada ao multilateralismo.

“Talvez o Brasil mostre agora que está comprometido com a agenda dos Brics”, complementa Carvalho.

A ampliação do Brics e os países parceiros

O Brics passou por uma importante ampliação recente, elevando o número de membros de 5 para 11. Essa nova configuração adiciona diversidade econômica e política ao bloco, fortalecendo sua posição geopolítica.

Quem são os países parceiros

Desde 2024, existe a figura dos países parceiros do Brics, que podem participar de reuniões com consenso dos membros. Atualmente, os parceiros são:

  • Belarus
  • Bolívia
  • Cazaquistão
  • Cuba
  • Malásia
  • Nigéria
  • Tailândia
  • Uganda
  • Uzbequistão

Essa estrutura abre caminho para uma nova forma de diplomacia em rede, mais aberta e flexível.

O Brasil e a COP30: diplomacia ambiental como trunfo

Brasil
Imagem: rafapress / Shutterstock.com

O protagonismo do Brasil não se encerra no Brics. Em novembro, o país sediará a COP30, em Belém (PA). A conferência da ONU sobre o clima reforçará o papel estratégico do Brasil como liderança ambiental, principalmente na proteção da Amazônia e na transição energética.

A presidência do Brics, que ocorre meses antes da COP, será uma plataforma para alinhar as prioridades do bloco com os compromissos climáticos internacionais.

Conclusão: uma nova fase da política externa brasileira

A liderança brasileira no Brics em 2025 representa um momento de virada para a política externa do país. Após anos de retração diplomática, o Brasil retorna com protagonismo a espaços multilaterais, disposto a liderar debates complexos e propor soluções para os desafios globais do século XXI.

Com a realização da cúpula no Rio de Janeiro e a COP30 em Belém, o Brasil consolida sua imagem como um ator indispensável nas grandes decisões do planeta, defendendo os interesses do Sul Global e promovendo uma nova governança internacional baseada na cooperação, no respeito mútuo e na sustentabilidade.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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