Em 2025, o Brasil assume a presidência do Brics, um dos agrupamentos mais relevantes da política internacional contemporânea. Composto atualmente por 11 países — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Indonésia, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã — o bloco representa mais de 40% da população mundial e cerca de 37% do PIB global medido por paridade de poder de compra.
Brasil assume papel estratégico na definição das prioridades do brics
Brasil assume presidência do Brics em 2025 e lidera debates globais em saúde, IA, clima e desdolarização com a cúpula no Rio de Janeiro em julho.
O comando rotativo do Brics dá ao Brasil a oportunidade única de definir os rumos da agenda internacional em áreas estratégicas como economia, saúde, meio ambiente e tecnologia. A presidência brasileira chega em um momento de redefinição das alianças globais e de fortalecimento do Sul Global como ator relevante no equilíbrio de poder mundial.
Leia mais:
Faltam trabalhadores nos supermercados — e o Exército vai preencher as vagas, entenda
As prioridades da presidência brasileira no Brics

Cooperação em saúde global
A pandemia de Covid-19 evidenciou fragilidades nos sistemas de saúde de todo o mundo. O Brasil pretende liderar a criação de mecanismos de resposta rápida, compartilhamento de tecnologia médica e fortalecimento da soberania sanitária dos países do Sul Global.
Comércio, investimentos e finanças
A discussão sobre a desdolarização e o uso de moedas nacionais nas trocas comerciais entre os membros do Brics deve ganhar força. Há também expectativa de novos investimentos cruzados em infraestrutura e energia, com destaque para o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o chamado “banco dos Brics”.
Mudança climática
A temática ambiental terá protagonismo, especialmente com o Brasil também sediando, em novembro, a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém. A presidência do Brics será uma prévia diplomática crucial.
Governança e inteligência artificial
A elaboração de diretrizes éticas e políticas públicas para o uso da inteligência artificial nos países em desenvolvimento é uma pauta emergente. O Brasil pretende liderar um debate técnico e político que não seja apenas guiado pelas grandes potências do Ocidente.
Arquitetura multilateral de paz e segurança
A presidência brasileira busca fortalecer o papel do Brics como alternativa aos modelos tradicionais de governança internacional, defendendo maior representatividade dos países em desenvolvimento em fóruns como a ONU e o FMI.
Desenvolvimento institucional
Há também foco na ampliação da atuação do bloco, com a incorporação efetiva dos novos membros e o aprofundamento da participação dos países parceiros convidados.
A Cúpula do Brics no Rio de Janeiro: 6 e 7 de julho
A Cúpula de Líderes do Brics em 2025 ocorrerá nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro. O evento será o ponto alto da presidência brasileira, reunindo chefes de Estado, chanceleres, ministros e empresários dos 11 países membros, além de representantes dos países parceiros.
Segundo o professor Evandro Carvalho, da FGV Direito Rio, a expectativa é de sucesso:
“Eu não tenho a menor dúvida que será bem-sucedido porque se houve já uma experiência como o anfitrião de uma reunião como o G20, essa cúpula dos Brics envolve um número menor de países e a construção do consenso me parece que será mais viável”.
A realização da cúpula no Brasil também reforça o papel diplomático do país e sua capacidade de articulação entre interesses diversos — algo fundamental em tempos de tensões geopolíticas, como as guerras na Ucrânia e em Gaza.
Temas centrais em debate
Desdolarização e moedas nacionais
O uso de moedas locais nas transações comerciais entre os membros é uma das pautas centrais. A proposta visa reduzir a dependência do dólar americano e fortalecer a autonomia financeira dos países do bloco.
Inteligência artificial e transferência de tecnologia
A ideia de compartilhar tecnologias de ponta — especialmente em IA — entre os países do Brics é vista como forma de combater desigualdades tecnológicas e promover desenvolvimento soberano.
Cooperação energética e infraestrutura
Projetos comuns em áreas como energia limpa, mobilidade urbana e infraestrutura logística estarão em destaque. O Brasil deve propor a ampliação de financiamento do NDB para iniciativas sustentáveis.
O legado esperado da presidência brasileira

Evandro Carvalho destaca que a presidência traz ao Brasil vantagens importantes, como o direito de definir a agenda de prioridades e o fortalecimento de sua imagem internacional:
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
“Seguramente o país que sedia ele já tem algumas vantagens próprias, que é a definição da agenda […] O Estado que preside define os temas que considera prioritários”.
Além da visibilidade internacional, o país ganha fôlego diplomático para retomar uma política externa ativa, criativa e voltada ao multilateralismo.
“Talvez o Brasil mostre agora que está comprometido com a agenda dos Brics”, complementa Carvalho.
A ampliação do Brics e os países parceiros
O Brics passou por uma importante ampliação recente, elevando o número de membros de 5 para 11. Essa nova configuração adiciona diversidade econômica e política ao bloco, fortalecendo sua posição geopolítica.
Quem são os países parceiros
Desde 2024, existe a figura dos países parceiros do Brics, que podem participar de reuniões com consenso dos membros. Atualmente, os parceiros são:
- Belarus
- Bolívia
- Cazaquistão
- Cuba
- Malásia
- Nigéria
- Tailândia
- Uganda
- Uzbequistão
Essa estrutura abre caminho para uma nova forma de diplomacia em rede, mais aberta e flexível.
O Brasil e a COP30: diplomacia ambiental como trunfo

O protagonismo do Brasil não se encerra no Brics. Em novembro, o país sediará a COP30, em Belém (PA). A conferência da ONU sobre o clima reforçará o papel estratégico do Brasil como liderança ambiental, principalmente na proteção da Amazônia e na transição energética.
A presidência do Brics, que ocorre meses antes da COP, será uma plataforma para alinhar as prioridades do bloco com os compromissos climáticos internacionais.
Conclusão: uma nova fase da política externa brasileira
A liderança brasileira no Brics em 2025 representa um momento de virada para a política externa do país. Após anos de retração diplomática, o Brasil retorna com protagonismo a espaços multilaterais, disposto a liderar debates complexos e propor soluções para os desafios globais do século XXI.
Com a realização da cúpula no Rio de Janeiro e a COP30 em Belém, o Brasil consolida sua imagem como um ator indispensável nas grandes decisões do planeta, defendendo os interesses do Sul Global e promovendo uma nova governança internacional baseada na cooperação, no respeito mútuo e na sustentabilidade.
