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IDH do Brasil atinge maior nível já registrado

Brasil alcança IDH de 0,805 em 2024 e entra na faixa de desenvolvimento muito alto, segundo o Pnud. Educação lidera avanço.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Brasil

O Brasil alcançou, pela primeira vez na história, a categoria de desenvolvimento humano muito alto, segundo dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) brasileiro chegou a 0,805 em 2024, superando a marca de 0,800 considerada referência para esse nível de classificação internacional.

O que é o IDHM e como ele funciona?

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O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é um indicador que mede a qualidade de vida da população com base em três pilares principais:

Saúde e longevidade

Avalia fatores como expectativa de vida e acesso à saúde pública.

Educação

Considera escolaridade, frequência escolar e anos de estudo da população.

Renda

Analisa a capacidade econômica da população e a geração de renda.

A escala varia de 0 a 1:

FaixaClassificação
Até 0,499Muito baixo
0,500 a 0,599Baixo
0,600 a 0,699Médio
0,700 a 0,799Alto
Acima de 0,800Muito alto

Educação foi o principal motor do avanço brasileiro

pne plano nacional de educação (1)
Imagem criada por IA/ Seu Crédito Digital

Entre os três pilares avaliados pelo Pnud, a educação foi o componente que apresentou maior crescimento nos últimos 13 anos.

O índice educacional saiu de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, aproximando-se também da faixa considerada muito alta.

Segundo a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, políticas públicas de longo prazo tiveram papel decisivo nesse resultado, especialmente o Bolsa Família.

De acordo com a especialista, o programa ajudou a reduzir o trabalho infantil e aumentou a permanência de crianças e adolescentes nas escolas por meio das condicionalidades educacionais exigidas para recebimento do benefício.

Esse efeito começou a aparecer com mais intensidade cerca de dez anos após a implementação do programa, quando os primeiros grupos de beneficiários passaram a concluir ciclos completos do ensino fundamental e médio.

Bolsa Família impactou diretamente indicadores sociais

O estudo aponta que famílias de baixa renda, especialmente famílias negras, registraram avanços mais significativos nos indicadores educacionais.

Segundo o Pnud, houve aumento da inclusão social de grupos historicamente marginalizados, ampliando o acesso à educação formal e às oportunidades de desenvolvimento humano.

A análise também destaca que desigualdade racial e desigualdade de gênero ainda permanecem como desafios estruturais para o país.

Especialistas do programa defendem que o crescimento sustentável do desenvolvimento humano brasileiro depende diretamente da inclusão da população negra e das mulheres nas políticas públicas de educação, trabalho e renda.

Saúde mantém desempenho elevado graças ao SUS

O indicador de saúde e longevidade já apresentava desempenho elevado desde 2012, quando atingiu 0,829. Em 2024, o índice avançou para 0,860.

Segundo o Pnud, esse resultado está ligado principalmente à consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), criado após a Constituição Federal de 1988.

Embora o crescimento tenha sido mais lento em comparação à educação, a saúde continua sendo o componente mais forte do IDHM brasileiro.

Entre os fatores que contribuem para esse desempenho estão:

  • Ampliação da vacinação;
  • Acesso universal ao SUS;
  • Expansão da atenção básica;
  • Programas de saúde da família;
  • Redução da mortalidade em diferentes regiões do país.

Mesmo assim, o relatório alerta que os impactos da pandemia de covid-19 ainda afetam indicadores importantes, especialmente a expectativa de vida da população.

Pandemia ainda gera reflexos no desenvolvimento humano

O estudo mostra que entre 2020 e 2022 o Brasil enfrentou forte desaceleração no desenvolvimento humano por causa da pandemia.

Em 2021, o IDHM brasileiro caiu para 0,757, refletindo os efeitos da crise sanitária, econômica e social provocada pela covid-19.

O Pnud avalia que a resposta tardia às consequências da pandemia agravou os impactos sobre indicadores sociais, especialmente na área da saúde.

Entre os principais pontos de preocupação estão:

Mortalidade infantil

O indicador segue pressionando os índices nacionais e exige respostas rápidas de políticas públicas.

Expectativa de vida

O país ainda não conseguiu recuperar totalmente os níveis anteriores à pandemia.

Desigualdade social

Famílias de baixa renda sofreram impactos mais intensos durante o período crítico da crise sanitária.

Renda cresce lentamente no Brasil

O componente de renda apresentou evolução mais modesta em comparação aos demais pilares.

O índice passou de 0,732 em 2012 para 0,760 em 2024, permanecendo na categoria de alto desenvolvimento, mas sem atingir o patamar muito alto.

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Especialistas apontam que fatores como informalidade, desigualdade salarial e baixa produtividade econômica ainda dificultam avanços mais rápidos na renda média dos brasileiros.

Além disso, a concentração de renda continua sendo um dos principais obstáculos estruturais do país.

Regiões metropolitanas impulsionam

Tesouro
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital
Região metropolitanaIDHM
Natal0,822
Aracaju0,809
Grande Teresina0,809
Recife0,806
São Luís0,806
Salvador0,803
João Pessoa0,803

Segundo o Pnud, sete das nove regiões metropolitanas do Nordeste já apresentam desenvolvimento humano muito alto, algo considerado inédito pelos pesquisadores.

O caso da Grande Teresina, no Piauí, chamou atenção do estudo por simbolizar uma mudança histórica na distribuição regional do desenvolvimento brasileiro.

O que explica?

Especialistas apontam uma combinação de fatores responsáveis pela melhora dos indicadores brasileiros nos últimos anos.

Entre os principais estão:

Expansão de políticas sociais

Programas de transferência de renda ampliaram o acesso à educação e reduziram vulnerabilidades sociais.

Avanço educacional

Mais brasileiros passaram a concluir o ensino básico e médio.

Consolidação do SUS

O sistema público de saúde ampliou cobertura e atendimento.

Crescimento urbano e regional

Regiões metropolitanas passaram a concentrar melhores oportunidades econômicas e sociais.

Inclusão social

Grupos historicamente excluídos começaram a apresentar melhora gradual nos indicadores.

Considerações finais

O ingresso do Brasil na faixa de desenvolvimento humano muito alto marca um momento histórico para o país e reflete décadas de políticas públicas voltadas para educação, saúde e inclusão social.

Os dados do Pnud mostram que programas sociais, ampliação do acesso à escola e fortalecimento do SUS tiveram papel central nesse avanço.

Ao mesmo tempo, o relatório deixa claro que o país ainda precisa enfrentar desafios importantes relacionados à desigualdade racial, renda e recuperação dos impactos da pandemia.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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