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Endividado recorre ao cartão como renda e acaba preso na mesma dívida

Endividamento cresce no Brasil, cartão vira renda e seguro prestamista surge como proteção para famílias em aperto financeiro.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Endividamento

O Brasil apresenta um cenário macroeconômico em aparente melhora. Inflação desacelera e indicadores de endividamento mostram sinais de recuo nas estatísticas recentes. No entanto, a realidade do dia a dia das famílias brasileiras revela um quadro bem menos confortável: conta de luz cara, uso do cartão de crédito para despesas básicas e inadimplência persistente demonstram que o aperto continua.

Segundo levantamento do Serasa, 80.436.532 brasileiros estão endividados, com 321 milhões de dívidas ativas, totalizando R$ 509 bilhões. O valor médio devido por pessoa ultrapassa R$ 6,3 mil, enquanto cada dívida individual gira em torno de R$ 1.584,96, revelando um endividamento pulverizado, mas persistente.

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Endividamento por faixa etária e gênero

O perfil do endividamento mostra nuances importantes. 33,6% dos inadimplentes têm entre 26 e 40 anos, faixa em que a renda e responsabilidades tendem a crescer. Além disso, há uma leve predominância feminina: 50,5% das dívidas estão no nome de mulheres, contra 49,5% de homens.

Independentemente de idade ou gênero, a maior parte das dívidas concentra-se nas faixas de menor renda. Entre famílias com até três salários mínimos, 82,5% estão endividadas, enquanto na faixa de três a cinco salários o índice é de 81,1%. No total, o indicador recuou para 79,2% em novembro, registrando a primeira queda após nove meses de alta, mas ainda acima do patamar do ano anterior, o que indica melhora lenta e frágil.

Cartão de crédito: de pagamento a complemento de renda

O aperto financeiro transformou o cartão de crédito em um instrumento de sobrevivência.

Uso do cartão como renda

Luiz Fernando Mamede, 23 anos e autônomo, relata: “Cartão de crédito acaba sendo hoje uma bola de neve. Antes comprávamos roupas ou lazer, agora usamos para comprar alimentos, porque o dinheiro do fim do mês não cobre todas as contas.”

Com a Selic em 15% ao ano e inflação acumulada de 4,4% em 12 meses, itens essenciais continuam pressionando o orçamento. Itens de residência, alimentação e bebidas sobem acima da média geral, diminuindo a capacidade de amortizar dívidas e fazendo com que o crédito caro consuma fatias maiores da renda.

Impacto sobre a renda familiar

Segundo dados do Banco Central, 28,8% da renda das famílias está comprometida com dívidas, o maior nível da série histórica. Deste total, 10,23% da renda é destinada exclusivamente ao pagamento de juros, recursos que poderiam financiar alimentação, transporte, educação ou investimentos futuros.

O impacto sobre pequenos empreendedores

Mesmo empreendedores sentem o peso do aperto.

Desafios para microempreendedores

Vanda Cristina Pereira, microempresária de 40 anos e mãe de seis filhos, destaca a dificuldade de equilibrar contas pessoais e empresariais: “Como líder, temos famílias por trás da nossa família. Muitas vezes os impostos e contas são tão altos que no final recebemos menos do que nossos próprios funcionários.”

Para muitos, o limite do cartão transforma-se em linha de sobrevivência. Renegociar dívidas virou rotina, e o cartão de crédito é a última fronteira antes de se tornar inadimplência.

Renegociação e programas de auxílio

O pesquisador Flávio Ataliba, do FGV Ibre, explica que mais de 90% das dívidas das famílias acontecem via cartão de crédito. Apesar de democratizar o acesso ao crédito, ele alerta para os riscos quando usado como “renda contínua”. O ciclo de parcelamento e novos gastos pode transformar o limite do cartão em uma bola de neve difícil de controlar, especialmente sem reservas financeiras.

Limites dos programas de renegociação

Programas de renegociação, como o Desenrola, proporcionam alívio temporário, mas têm alcance limitado. Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, reforça: “Programas como o Desenrola ajudam a diminuir o endividamento e a inadimplência, mas não solucionam o problema estrutural. É preciso crédito mais barato e previsível para quebrar o ciclo.”

Seguro prestamista: proteção pouco conhecida

Um recurso subutilizado, mas relevante, é o seguro prestamista, que garante a quitação ou amortização de dívidas em casos de desemprego, doença, acidente ou morte.

Como funciona o seguro prestamista

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Ana Flávia Ribeiro, da Fenaprevi, destaca que o seguro prestamista é essencial para autônomos, microempreendedores e pequenas empresas, funcionando como um “airbag” financeiro. Em 2025, o setor de seguros de pessoas movimentou R$ 51,3 bilhões até agosto, com R$ 6,8 bilhões em prêmios apenas em agosto. O seguro prestamista responde por 49% dos prêmios e 53% das indenizações, evidenciando sua importância dentro do segmento.

Da estatística à vida real

O contraste entre indicadores econômicos e a percepção das famílias é evidente. A desaceleração da inflação e o recuo pontual do endividamento convivem com relatos de aperto financeiro, especialmente entre os mais pobres e pequenos empreendedores.

Estratégias para controlar dívidas

Especialistas sugerem estratégias práticas para lidar com dívidas e evitar reincidência:

  • Observar se o limite do cartão é maior que a renda, evitando descontrole da fatura;
  • Evitar o rotativo, pois os juros podem ultrapassar 400% ao ano;
  • Renegociar dívidas e trocar modalidades caras por mais baratas;
  • Comparar propostas de instituições financeiras com perspectiva de redução da Selic;
  • Fazer um pente-fino no orçamento, especialmente em gastos variáveis;
  • Evitar parcelar despesas do dia a dia;
  • Construir uma reserva de emergência, mesmo pequena;
  • Planejar gastos para reduzir a chance de voltar ao cartão como renda.

Cenário futuro

Para que o crédito se torne instrumento de consumo saudável e não de endividamento, é necessária uma redução consistente da Selic e maior educação financeira. Enquanto isso, famílias continuam usando o cartão como complemento de renda, enfrentando um ciclo de aperto que exige cautela, renegociação e estratégias inteligentes de proteção financeira.

Conclusão

O cenário econômico brasileiro mostra sinais de melhora nos indicadores macro, mas a realidade das famílias permanece desafiadora. O endividamento elevado, o uso do cartão de crédito como complemento de renda e a pressão sobre a renda disponível evidenciam que o aperto financeiro ainda é sentido na prática. Estratégias como renegociação de dívidas, planejamento financeiro e o uso de seguros prestamistas podem ajudar a aliviar o impacto, mas soluções estruturais, como juros mais baixos e aumento consistente da renda, são essenciais para proporcionar segurança e estabilidade financeira às famílias brasileiras.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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