O avanço tecnológico global está provocando uma transformação profunda na demanda por energia, e o Brasil desponta como um protagonista estratégico para o futuro dos data centers. Impulsionado por inteligência artificial, internet das coisas (IoT) e blockchain, o mundo caminha para um consumo energético que pode dobrar até 2026.
Investimento em energia cresce para impulsionar atração de data centers
Matriz elétrica robusta e incentivos tornam o Brasil polo estratégico para novos data centers. Entenda.
Nesse contexto, o país se destaca pela matriz elétrica diversificada, pela segurança energética e por políticas públicas que visam tornar o ambiente atrativo para investimentos bilionários no setor.
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Consumo crescente exige energia estável e confiável

Com tecnologias emergentes ganhando escala, o consumo global de eletricidade deve saltar dos 460 TWh registrados em 2022 para 1.000 TWh em 2026, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). No Brasil, a demanda dos data centers triplicou entre 2021 e 2023, subindo de 510 GWh para 1.620 GWh, conforme a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Os data centers, que sustentam as operações de IA, nuvem e big data, consomem volumes de energia significativamente maiores que serviços tradicionais. Um simples prompt no ChatGPT pode exigir até 10 vezes mais energia do que uma busca padrão no Google, segundo o Electric Power Research Institute (EPRI).
Brasil lidera na América Latina em número de data centers
O país já conta com mais de 180 data centers em operação e aparece como líder latino-americano nesse segmento. Até junho de 2025, o Ministério de Minas e Energia (MME) registrava 53 projetos ativos solicitando conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN) — um aumento de 341% em relação ao ano anterior.
Estados como São Paulo, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro estão entre os principais polos em desenvolvimento.
Matriz elétrica diversificada é vantagem competitiva
A principal força do Brasil reside em sua matriz energética, composta por 90% de fontes renováveis. Segundo Thiago Prado, presidente da EPE, essa diversidade garante segurança, baixa intermitência e custo competitivo. O país conta com fontes hídrica (52%), eólica (16%), fóssil (14%), biomassa (8%) e solar (8%).
Luiz Carlos Ciocchi, ex-diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), explica que essa pluralidade reduz riscos de instabilidade e assegura fornecimento mesmo diante de variações climáticas.
R$ 3,2 trilhões previstos em investimentos até 2034
A expansão da infraestrutura energética será essencial para sustentar o crescimento da indústria digital. O Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 prevê R$ 3,2 trilhões em aportes no setor, incluindo geração, transmissão e fontes renováveis. A maior parte dos recursos deve vir de capital privado.
A Âmbar Energia, por exemplo, opera 39 usinas em diversos estados, com 4 GW de capacidade instalada. Seu portfólio inclui plantas a gás natural, pequenas centrais hidrelétricas, usinas solares e até uma unidade a carvão moderno com baixa emissão.
Leilões e infraestrutura reforçam conectividade
A EPE planeja leilões de transmissão já para outubro de 2025, com foco especial em São Paulo, que concentra a maior parte dos novos projetos. As obras planejadas devem liberar até 6 GW em capacidade de conexão, aliviando gargalos e acelerando instalações. Estão previstos R$ 850 milhões em novos investimentos apenas no estado.
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Prado destaca que a velocidade na expansão da rede é um dos principais desafios. “É uma discussão que outros países elegíveis a receber investimentos de data centers também têm passado, uma vez que há um descompasso temporal entre a construção de um data center [2 a 5 anos] e a construção de infraestrutura elétrica para atendê-lo. No Brasil, para uma nova linha de transmissão, o processo pode durar pelo menos 7 anos“, alerta.
Novo regime tributário pode atrair R$ 2 trilhões

O governo federal estuda lançar um regime tributário específico — o ReData — para fomentar o setor. A medida provisória prevê isenção de impostos para equipamentos de TI e máquinas de capital. A expectativa é atrair até R$ 2 trilhões em investimentos na próxima década.
Em paralelo, o Congresso analisa o Projeto de Lei 3018/2024, que visa regular os centros de dados focados em inteligência artificial, criando um ambiente mais seguro e juridicamente estável.
Desafios e oportunidades para consolidar liderança
Especialistas destacam que o Brasil precisa agir com agilidade para consolidar sua posição. “A regulação dos data centers é urgente. A tomada de decisão desses investimentos é muito rápida.“, afirma Marcos Cintra, presidente do Instituto Pensar Energia.
Ele ressalta que, além da infraestrutura, é essencial reconhecer os data centers como ativos estratégicos. “Um data center pode ser instalado aqui, na Índia, na China, nos Estados Unidos, na Europa e em qualquer lugar. Precisamos ter mecanismos para garantir que parte dessas empresas decidam fazer seus investimentos aqui no Brasil”, conclui.
Com informações de: Poder360
