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Brasil enfrentará tarifas de até 77% impostas pela Venezuela; entenda o impacto

Uma mudança repentina na política aduaneira da Venezuela acendeu um alerta no comércio exterior brasileiro. Produtos exportados por empresas de Roraima estão se

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Bandeiras do Brasil e Venezuela venezuelanos

Uma mudança repentina na política aduaneira da Venezuela acendeu um alerta no comércio exterior brasileiro. Produtos exportados por empresas de Roraima estão sendo taxados com alíquotas que variam entre 15% e 77%, contrariando os acordos do Mercosul, que garantem isenção tarifária mediante apresentação de certificado de origem.

A medida, aparentemente adotada sem aviso prévio, já causa impactos preocupantes nas relações bilaterais, especialmente para o estado de Roraima, cuja economia depende fortemente do comércio com o país vizinho.

Leia mais: Tarifas de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros: efeitos

Tarifas inesperadas colocam em risco relações comerciais

Bandeiras do Brasil e Venezuela venezuelanos
Imagem: Aritra Deb/ Shutterstock

Segundo a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria do Estado de Roraima, as tarifas aplicadas pela Venezuela são similares ao Imposto de Importação brasileiro e passaram a ser exigidas mesmo nos casos em que haveria isenção garantida por tratados internacionais. Essa mudança, que não seguiu nenhum protocolo de aviso formal, surpreendeu empresários e autoridades.

Ainda não está claro se a nova prática aduaneira resulta de um erro técnico ou se reflete uma decisão deliberada do governo venezuelano. O fato é que as consequências já se fazem sentir no setor produtivo do estado.

Exportações roraimenses sob pressão

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revelam que a Venezuela foi o principal destino das exportações de Roraima no primeiro semestre de 2025. De janeiro a junho, foram movimentados US$ 41,5 milhões em produtos enviados ao país vizinho.

A nova tarifação, ao encarecer as mercadorias brasileiras no mercado venezuelano, ameaça diretamente essa relação. O governo de Roraima já se manifestou com preocupação, indicando que mais de 70% das exportações do estado dependem da Venezuela.

Reação do governo de Roraima

Em nota oficial, o governo estadual liderado por Antonio Denarium (PP) destacou a gravidade da situação. A administração estadual está em contato com o Ministério das Relações Exteriores e outras autoridades federais em busca de uma solução diplomática que possa reverter ou ao menos mitigar os efeitos das novas tarifas.

“A Venezuela é atualmente o principal parceiro comercial de exportações do nosso estado”, disse o governo, alertando para os possíveis prejuízos ao agronegócio, ao setor empresarial, ao emprego e à arrecadação local.

Mobilização federal e investigações diplomáticas

O Ministério do Desenvolvimento afirmou ter recebido relatos sobre as dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros na Venezuela. A pasta informou que o Itamaraty acionou a embaixada brasileira em Caracas, que já está dialogando com as autoridades venezuelanas para esclarecer o episódio.

Embora o governo federal ainda não tenha confirmado oficialmente o aumento das tarifas, reconheceu a gravidade do problema e indicou que está reunindo informações com o setor produtivo para avaliar as providências cabíveis.

Certificado de origem: o ponto crítico

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A base legal para a isenção das tarifas está no Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), firmado entre Brasil e Venezuela no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI). Segundo esse tratado, produtos que apresentem certificado de origem emitido conforme as regras do acordo estariam isentos de tarifas alfandegárias.

No entanto, a recusa das autoridades venezuelanas em reconhecer tais certificados está no centro do conflito. A Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier) afirmou que iniciou uma apuração para verificar se há falhas nos processos de emissão ou aceitação desses documentos.

Fier pede urgência e transparência

Duas pessoas fazendo aperto de mãos em frente às bandeiras da Venezuela e Brasil
Imagem: Lunopark / Shutterstock.com

O Centro Internacional de Negócios da Fier também entrou em ação. Em nota, a entidade informou que está em contato direto com autoridades brasileiras e venezuelanas, cobrando esclarecimentos e soluções rápidas.

A federação destacou que segue todas as normas previstas pela ALADI e pelo ACE 69 e reforçou o compromisso com a transparência e o diálogo para preservar o fluxo comercial entre os dois países.

Impacto direto nos negócios locais

A elevação de tarifas reduz drasticamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado venezuelano. Com os preços mais altos, empresários roraimenses correm o risco de perder contratos, receitas e, em última instância, empregos. Além disso, a arrecadação de tributos no estado pode ser afetada negativamente.

A medida também gera insegurança jurídica e institucional, uma vez que fere acordos previamente firmados, abalando a previsibilidade que o comércio internacional exige.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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