Uma pesquisa inédita da plataforma Oobit revela que os brasileiros estão entre os usuários mais avançados de stablecoins no mundo, com mais de 91% dos investidores em cripto mantendo esses ativos em carteira.
Alternativa ao Real? Jovens brasileiros querem stablecoins para o dia a dia, mas infraestrutura ainda limita uso
Nova pesquisa revela que 85% dos jovens brasileiros desejam usar stablecoins como o USDT para compras diárias, mas infraestrutura deficiente ainda é obstáculo.
No entanto, o uso no cotidiano ainda é limitado, principalmente por barreiras de infraestrutura, taxas elevadas e baixa aceitação no comércio.
A pesquisa, focada em usuários com idades entre 23 e 45 anos, aponta uma mudança significativa no perfil do investidor cripto brasileiro: os jovens não apenas querem proteger seu patrimônio com ativos digitais como também desejam usar stablecoins como meio de pagamento no dia a dia.
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Panorama da adoção: stablecoins já são populares no Brasil
Quase todos os investidores cripto brasileiros possuem stablecoins
De acordo com o estudo, 91,8% dos entrevistados declararam possuir stablecoins, como o USDT (Tether), USDC, DAI ou outras variantes lastreadas em moedas fiduciárias.
O dado surpreende ao mostrar que a penetração desses ativos é maior que a de muitos produtos bancários tradicionais, especialmente entre o público jovem. A pesquisa indica um comportamento intencional, sofisticado e recorrente no uso de ativos digitais:
“Os usuários brasileiros deixaram de estar em modo exploratório. Agora são investidores bem informados e que pensam no longo prazo”, afirma a Oobit em trecho do relatório.
A vontade de usar stablecoins como dinheiro real
Entre os usuários que já possuem stablecoins:
- 85% afirmaram que gostariam de utilizá-las para compras diárias;
- Contudo, apenas 37% de fato já usaram stablecoins como meio de pagamento, seja em lojas físicas ou em e-commerces.
Esse dado revela uma lacuna entre intenção e prática, causada, segundo os entrevistados, por fatores estruturais e operacionais do ecossistema de criptoativos no Brasil.
USDT domina, mas confiança total ainda não é consenso

Tether (USDT) lidera o mercado, mas usuários mantêm ressalvas
O USDT se estabeleceu como a moeda padrão da comunidade cripto brasileira, sendo usado por 83% dos investidores locais que mantêm stablecoins. Apesar dessa dominância, a pesquisa aponta que apenas 43,5% dos usuários confiam plenamente no ativo e o utilizam de forma recorrente.
Outros usuários relataram preferir stablecoins alternativas, como USDC (Circle), BUSD (Binance USD) ou DAI (MakerDAO), por conta de:
- Percepções sobre maior transparência;
- Compatibilidade com carteiras DeFi;
- Maior descentralização e confiabilidade regulatória.
“Apesar da popularidade do USDT, ele ainda enfrenta desafios de imagem em termos de auditorias, transparência e descentralização”, analisa o relatório.
Infraestrutura é maior obstáculo para uso cotidiano
Principais barreiras: taxas, aceitação e experiência do usuário
Mesmo com ampla posse e vontade de uso, o uso diário de stablecoins esbarra em quatro grandes entraves apontados pelos entrevistados:
| Problema identificado | Percentual |
|---|---|
| Taxas elevadas | 41% |
| Baixa aceitação | 39% |
| Lentidão nas transações | 17% |
| Interface difícil | 11% |
Esses fatores dificultam a adoção cotidiana das stablecoins como alternativa real ao real, especialmente no pagamento de compras rotineiras como alimentos, transporte e serviços digitais.
A análise da Oobit
Para Amram Adar, CEO e cofundador da Oobit, o cenário brasileiro reflete um padrão global:
“O Brasil tem alguns dos usuários mais engajados em cripto do planeta. Mas mesmo eles ainda enfrentam dificuldades para usar stablecoins como dinheiro. Isso mostra o quanto a indústria ainda precisa evoluir”, afirmou.
Um fenômeno global: Argentina, Nigéria e Turquia no mesmo caminho
Adoção alta, mas utilidade limitada
Além do Brasil, o estudo comparou os dados com países emergentes que enfrentam instabilidades monetárias e alta inflação, como Argentina, Nigéria e Turquia. O padrão identificado é semelhante:
- Altíssimo uso de stablecoins como reserva de valor;
- Baixa penetração em pagamentos cotidianos;
- Expectativa por soluções mais integradas e baratas.
O paradoxo das stablecoins
O relatório define o fenômeno como um paradoxo do ecossistema cripto:
“Existe adoção, existe interesse, existe confiança. Mas ainda não existe uma estrutura eficiente e economicamente viável para uso cotidiano”, resume a Oobit.
Stablecoins como entrada no mercado cripto brasileiro
Dados do Nubank confirmam tendência
Conforme publicado pelo Cointelegraph Brasil, uma análise recente revelou que um em cada quatro clientes do Nubank que investem em criptoativos começa com stablecoins. Isso demonstra:
- A função educativa das stablecoins como porta de entrada;
- A percepção de segurança e menor volatilidade desses ativos;
- A confiança gradual do usuário brasileiro no ambiente cripto.
Rota de aprendizagem e sofisticação
Após o primeiro contato com stablecoins, muitos investidores passam a:
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- Fazer staking de stablecoins com retorno fixo;
- Utilizar DApps (aplicativos descentralizados);
- Explorar investimentos em Bitcoin, Ethereum e DeFi.
Integrações e soluções que podem acelerar o uso
Como superar as barreiras atuais?
Para transformar intenção em adoção real, especialistas apontam soluções urgentes:
Integração com maquininhas de cartão
Empresas como Celo, Strike e Pouch têm experimentado meios de pagamento com stablecoins por QR Code ou NFC em POS (Point of Sale), principalmente em mercados emergentes.
Redução de taxas via redes mais baratas
Adoção de redes como Polygon, Solana ou Lightning Network para pagamentos instantâneos e com tarifas irrisórias.
Interface mais amigável e intuitiva
Aplicativos como o Oobit Pay, que simula uma carteira digital tradicional, estão tentando unir a experiência Web2 com tecnologia Web3.
Regulação pode ser aliada ou barreira?
O papel do Banco Central do Brasil
A regulação brasileira ainda não oferece diretrizes claras sobre o uso cotidiano de stablecoins, o que cria insegurança jurídica tanto para comerciantes quanto para usuários.
Entretanto, o projeto do Drex (Real Digital) e o avanço de propostas no Congresso Nacional sugerem que o país caminha para um ambiente regulatório mais estável.
Tributação de transações com stablecoins
A possível isenção de impostos sobre transações pequenas com stablecoins, como ocorre em algumas propostas nos EUA, é vista como essencial para incentivar o uso real, especialmente para microcompras.
Conclusão: Stablecoins no Brasil, o futuro do dinheiro para os jovens?

A pesquisa da Oobit confirma o que muitos analistas já observam: os jovens brasileiros estão prontos para usar stablecoins como uma alternativa ao real. Eles confiam no USDT e em outros ativos estáveis, querem liberdade para transacionar, mas enfrentam um ecossistema ainda pouco preparado para essa demanda.
O Brasil lidera o movimento cripto na América Latina, e sua juventude pode ser o vetor da próxima revolução monetária — não mais em busca de lucro, mas de praticidade, estabilidade e autonomia financeira.
Se o setor conseguir superar os desafios de infraestrutura e regulação, as stablecoins têm potencial para se tornar o “novo dinheiro” do brasileiro médio — começando pela juventude conectada e digital.
