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Brasil perde oportunidades por criticar tecnologia, diz CEO do iFood

CEO do iFood alerta que críticas precoces à tecnologia limitam inovação e ambição global no Brasil. País precisa ousar mais.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Brasil perde oportunidades por criticar tecnologia, diz CEO do iFood

O Brasil corre o risco de perder oportunidades históricas na área de inovação ao adotar uma postura crítica e desconfiada diante da tecnologia. A avaliação é de Diego Barreto, CEO do iFood, que participou do painel “Tecnologia e Negócios” durante o evento É,Faz&Fala 2025, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Segundo o executivo, o país ainda carrega uma mentalidade que impede avanços em larga escala. “A gente vê o desenvolvimento e, antes de experimentar ou entender, já começa a criticar. Se fosse assim, Santos Dumont nunca teria inventado o avião”, afirmou.

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Imagem: Exame/Reprodução

Barreto comparou o atual momento da inovação no Brasil ao ano de 1922, quando artistas modernistas ousaram romper padrões estéticos e culturais. Para ele, o país precisa de uma “atitude modernista” diante das transformações digitais.

“É preciso ter petulância para enfrentar vaias e insistir em algo novo. Os modernistas sabiam que seriam criticados, mas subiram ao palco. Esse é o espírito que falta hoje à inovação brasileira”, disse.

O legado de ousadia

A comparação não é estética, mas de comportamento. Tal como os modernistas romperam com influências externas, Barreto defende uma postura antropofágica frente à tecnologia: absorver referências globais e transformá-las em soluções genuinamente brasileiras.

Da microinformática ao celular: revoluções de acesso

O CEO relembrou três grandes marcos da história tecnológica:

  • O microprocessamento, que tirou o processamento de dados das mãos de grandes corporações;
  • As telecomunicações, que popularizaram a conectividade antes restrita e cara;
  • A revolução digital, que uniu processamento e internet, possibilitando que um simples smartphone colocasse o poder de criação nas mãos de qualquer pessoa.

Barreto destacou que esse processo abriu espaço para startups e empreendedores que antes precisariam de investimentos milionários em infraestrutura.

O nó histórico do Brasil

Levantamento da Brand Finance Brazil 2025 mostra que o país não possui nenhuma marca nacional entre as 100 mais valiosas do mundo. Para Barreto, isso reflete raízes históricas profundas.

“O Brasil foi criado para não ser criativo. A lógica colonial era de obediência e sobrevivência, não de inovação”, afirmou. Ele ressaltou que a ausência de alternância de poder e pensamento manteve estruturas burocráticas que favorecem grandes corporações, mas sufocam pequenos negócios.

A burocracia como ferramenta de poder

Segundo o executivo, a manutenção da burocracia serve como mecanismo de controle. “O grande empresário paga advogado e consultor. O pequeno não tem como. A burocracia trava quem quer crescer.”

Criatividade da escassez e seus limites

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Imagem: Divulgação

Questionado sobre a criatividade brasileira, muitas vezes exaltada no exterior, Barreto fez uma ressalva: “Sim, temos criatividade. Mas quando ela nasce da opressão e da necessidade, vem com limites. É uma criatividade de sobrevivência, não de ambição global.”

Esse padrão, segundo ele, explica por que muitos negócios e projetos sociais permanecem locais. “O empresário ganha algum dinheiro, investe e se contenta. Não pensa em escalar, em conquistar o mundo.”

Do piloto à escala

Barreto citou o exemplo de iniciativas sociais que aumentam a renda em comunidades, mas não se expandem. Ele defendeu o modelo de financiamento baseado em resultados para permitir que projetos sociais e empresariais tenham escala nacional.

“Se dá resultado, se aumenta renda, é possível financiar como dívida e não depender só de doação. Escala é o que muda a realidade”, disse.

Inteligência artificial: vetor de transformação

No mesmo painel, Barreto e outros executivos apontaram a inteligência artificial (IA) como ferramenta capaz de transformar todos os setores da economia.

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Saúde e atendimento básico

Barreto destacou que a IA pode revolucionar a saúde pública. “Se uma pessoa consegue tirar uma foto da garganta e receber um diagnóstico inicial, já se reduz a ansiedade e melhora a triagem médica.”

Educação e requalificação

Pedro Chiamulera, fundador da ClearSale, reforçou que a IA não elimina empregos, mas funções, exigindo requalificação constante. “Usar a IA como tutor pode ser a maior revolução educacional da história.”

Gestão empresarial

João Sobreira, da Advolve.ai, citou casos práticos de uso da IA, como a organização de cadastros em marketplaces. “Um agente de IA pode padronizar informações e evitar retrabalho, liberando tempo e recursos para inovação.”

O perigo do “espírito europeu”

Barreto encerrou sua fala com uma crítica ao comportamento europeu de rejeitar o novo. Para ele, a falta de grandes empresas criadas recentemente no continente é resultado do excesso de restrições e reclamações.

“Não podemos adotar esse espírito. Há cinquenta anos era possível barrar produtos físicos. Hoje, tudo é digital. Ou o Brasil escala, ou ficará para trás”, alertou.

O futuro da inovação brasileira

O recado do CEO do iFood foi claro: o Brasil tem talento, recursos e tecnologia disponíveis, mas precisa abandonar o medo, a crítica precoce e a mentalidade de sobrevivência. O desafio é transformar criatividade em ambição global, ousadia em escala e inovação em marcas que representem o país no cenário internacional.

Imagem: Leonidas Santana/ Shutterstock

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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