Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Brasil cai uma posição no ranking, mas ainda tem o 2º maior juro real global

Com a Selic em 14% ao ano, Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores juros reais do mundo. Entenda os impactos para a economia.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Juros

A redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (5), alterou a posição do Brasil no ranking global dos maiores juros reais. Com a taxa básica passando de 14,25% para 14% ao ano, o país deixou a liderança e passou a ocupar a segunda colocação, atrás apenas da Rússia.

O cálculo dos juros reais considera a diferença entre a taxa básica de juros e a inflação projetada para os próximos meses. Mesmo com a queda promovida pelo Banco Central, o Brasil continua registrando uma das taxas reais mais elevadas do planeta, com 9,33%.

O levantamento, elaborado pela Money You em parceria com a Lev Intelligence, analisa as 40 maiores economias do mundo e mostra que o cenário internacional continua marcado por pressões inflacionárias e políticas monetárias cautelosas.

Ao longo deste artigo, você entenderá como os juros reais são calculados, por que o Brasil permanece no topo do ranking global e quais impactos isso pode trazer para consumidores, empresas e investidores.

Leia mais:

INSS amplia negativas de benefícios e rejeita um em cada dois pedidos

O que são juros reais e por que eles são importantes?

Juros
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Os juros reais representam a diferença entre a taxa nominal de juros e a inflação esperada para determinado período. Na prática, esse indicador mede o ganho efetivo do dinheiro após a descontar a perda do poder de compra provocada pela alta dos preços.

Por exemplo, se uma aplicação financeira rende 14% ao ano e a inflação projetada é de 4,67%, o retorno real será próximo de 9,33%.

Esse indicador é acompanhado por economistas e investidores porque ajuda a avaliar o grau de aperto da política monetária de um país. Juros reais elevados tendem a encarecer o crédito, reduzir o consumo e desacelerar a economia, mas também podem ser utilizados para conter a inflação.

Brasil continua entre os países com os juros reais mais altos do planeta

Mesmo após o corte anunciado pelo Copom, o Brasil permanece na segunda posição do ranking mundial, atrás apenas da Rússia.

Confira as dez primeiras colocações:

  1. Rússia: 9,67%
  2. Brasil: 9,33%
  3. México: 5,09%
  4. África do Sul: 4,62%
  5. Indonésia: 3,31%
  6. Hungria: 3,02%
  7. Colômbia: 2,63%
  8. Polônia: 2,61%
  9. República Tcheca: 2,20%
  10. Índia: 2,19%

Na reunião anterior do Copom, o Brasil ocupava a liderança do ranking.

Segundo o estudo, a posição brasileira praticamente não seria alterada mesmo em cenários alternativos. Caso a Selic tivesse sido mantida em 14,25%, os juros reais chegariam a 9,37%. Se a redução tivesse sido de 0,50 ponto percentual, a taxa ficaria em 9,2%.

Por que o Brasil mantém juros reais tão elevados?

A política monetária brasileira busca equilibrar diferentes fatores econômicos, principalmente o controle da inflação.

Quando os preços sobem acima da meta estabelecida pelo Banco Central, a autoridade monetária costuma elevar ou manter juros elevados para reduzir a demanda e conter a pressão inflacionária.

Entre os principais fatores que influenciam esse cenário estão:

  • expectativas de inflação;
  • situação fiscal do país;
  • crescimento econômico;
  • comportamento do dólar;
  • cenário internacional;
  • conflitos geopolíticos.

Segundo o economista Jason Vieira, responsável pelo levantamento, as projeções inflacionárias foram revisadas para cima em diversos países, ampliando o número de economias com juros reais negativos.

O relatório também aponta que as tensões no Oriente Médio continuam gerando incertezas e pressionando os preços globais, especialmente em setores ligados à energia e às commodities.

Como a Selic afeta a vida dos brasileiros?

A taxa Selic influencia diretamente o custo do dinheiro no país. Mudanças na taxa básica afetam financiamentos, empréstimos, cartões de crédito e aplicações financeiras.

Crédito e financiamentos

Quando os juros permanecem elevados, financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e parcelamentos tendem a ficar mais caros.

Isso pode reduzir o consumo das famílias e dificultar investimentos das empresas.

Investimentos em renda fixa

Por outro lado, juros altos costumam aumentar a rentabilidade de aplicações ligadas à Selic, como:

  • Tesouro Selic;
  • CDBs;
  • LCIs e LCAs;
  • fundos de renda fixa.

Impacto sobre a inflação

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O principal objetivo do Banco Central ao manter juros elevados é desacelerar a economia e impedir que a inflação avance de forma descontrolada.

No entanto, esse movimento também pode reduzir o ritmo de crescimento econômico e afetar a geração de empregos.

O cenário internacional mostra cautela dos bancos centrais

O levantamento da Money You e da Lev Intelligence mostra que a maior parte dos países optou por manter suas taxas de juros.

Considerando 164 economias analisadas:

  • 84,15% mantiveram os juros;
  • 4,88% elevaram as taxas;
  • 10,98% promoveram cortes.

Entre as 40 principais economias do ranking:

  • 85% mantiveram os juros;
  • 7,5% aumentaram as taxas;
  • 7,5% reduziram os juros.

Os números indicam que bancos centrais ao redor do mundo continuam monitorando os riscos inflacionários antes de iniciar ciclos mais intensos de redução dos juros.

O que pode acontecer nos próximos meses?

Brasil
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

As próximas decisões do Copom dependerão principalmente da trajetória da inflação, do desempenho da economia brasileira e do cenário externo.

Caso os índices de preços continuem desacelerando, o Banco Central poderá avançar com novos cortes na Selic. Por outro lado, pressões inflacionárias persistentes podem limitar a velocidade da redução dos juros.

Para consumidores e empresas, acompanhar as decisões da autoridade monetária é fundamental para planejar investimentos, financiamentos e estratégias financeiras.

Conclusão

Mesmo com a redução da Selic para 14% ao ano, o Brasil continua entre os países com os maiores juros reais do mundo, ocupando a segunda posição no ranking internacional. O cenário reflete a preocupação do Banco Central com o controle da inflação, ao mesmo tempo em que evidencia os desafios para estimular o crescimento econômico. Para consumidores, empresas e investidores, acompanhar os próximos passos da política monetária será fundamental para entender os impactos sobre o crédito, os investimentos e a atividade econômica nos próximos meses.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

Topicos relacionados