O mercado de trabalho brasileiro apresentou resultados marcantes no trimestre encerrado em setembro, com um recorde histórico de 67,109 milhões de trabalhadores ocupados que contribuem para algum instituto de previdência, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Brasil tem recorde de ocupados contribuindo para a Previdência
A pesquisa do IBGE revela recorde de 67,1 milhões de trabalhadores ocupados contribuindo para a previdência, enquanto a taxa de desemprego caiu para o menor nível desde 2013
Essa marca foi atingida em um contexto de crescimento na ocupação e redução no desemprego, mas os dados também revelam desafios persistentes, como o aumento da informalidade e a estagnação na proporção de contribuintes previdenciários.
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Índice de Contribuição Previdenciária no Brasil: Crescimento, mas com Desafios
A Pnad Contínua, uma pesquisa fundamental para o acompanhamento do mercado de trabalho e das condições socioeconômicas da população, mostra que, mesmo com o crescimento no número absoluto de contribuintes, o índice de trabalhadores que contribuem para a previdência caiu ligeiramente de 65,2% para 65,1% no trimestre até setembro de 2024.
Esse recuo, embora pequeno, reflete o desafio da informalidade, que ainda predomina em várias regiões e setores da economia.

A Importância da Contribuição Previdenciária
Contribuir para a previdência social é um fator fundamental para assegurar o futuro dos trabalhadores, garantindo direitos como aposentadoria, pensão por morte, auxílio-doença, entre outros.
No entanto, o crescimento do número de trabalhadores informais, que muitas vezes não possuem vínculo formal com a previdência, limita o acesso a esses direitos e aumenta a pressão sobre a seguridade social.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, o aumento da informalidade é um dos motivos para a redução na proporção de contribuintes previdenciários. “Trabalhadores informais, de modo geral, não são contribuintes para institutos de previdência”, afirma Beringuy.
Queda da Taxa de Desemprego: Menor Nível desde 2013
Um dado muito positivo foi a taxa de desemprego brasileira, que caiu para o menor nível desde o final de 2013, refletindo o aquecimento do mercado de trabalho. Nos três meses até setembro de 2024, o desemprego foi registrado em 6,4%, abaixo dos 6,9% observados no segundo trimestre e dos 7,7% no mesmo período do ano passado.
Fatores que Contribuem para a Queda no Desemprego
Diversos fatores podem estar contribuindo para essa redução na taxa de desemprego. Entre eles, destacam-se:
- Crescimento econômico moderado: A economia brasileira tem mostrado sinais de recuperação, embora ainda moderados, o que favorece a criação de empregos;
- Investimentos em setores estratégicos: Aumento na produção industrial, retomada de atividades no setor de serviços e investimentos em infraestrutura podem ter contribuído para a criação de novos postos de trabalho;
- Expansão do crédito e consumo interno: Com a recuperação do consumo, impulsionada pela expansão do crédito e programas sociais, o setor de serviços e o comércio têm gerado mais oportunidades de trabalho.
Crescimento dos Empregos Formais e Informais
O crescimento no número de trabalhadores formais foi um dos destaques. Segundo a Pnad Contínua, houve um aumento de 1,5% na quantidade de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, enquanto os trabalhadores sem carteira cresceram 3,9%. Esses dados revelam uma expansão significativa do mercado de trabalho, ainda que marcada pelo desafio da informalidade.
O Papel do Setor Público na Ocupação
O setor público também registrou um aumento no número de empregados, alcançando o recorde de 12,785 milhões de trabalhadores. Esse contingente inclui servidores públicos federais, estaduais e municipais, que desempenham papel crucial em serviços essenciais como saúde, educação e segurança pública.
A expansão do setor público reflete uma maior demanda por serviços estatais, acompanhada de novas contratações. Contudo, o crescimento da ocupação no setor público levanta discussões sobre a necessidade de investimentos sustentáveis e o impacto nos gastos públicos a longo prazo.
Aumento da Informalidade no Mercado de Trabalho Brasileiro
Apesar dos avanços, a informalidade continua sendo um desafio substancial no mercado de trabalho brasileiro. Segundo os dados do IBGE, o crescimento do trabalho informal representa uma parcela expressiva dos novos postos de trabalho, em parte impulsionado pela flexibilização de regimes de trabalho e pela alta demanda por atividades de baixo custo.
Consequências da Informalidade
O trabalho informal, embora ofereça uma alternativa rápida para a geração de renda, traz uma série de desvantagens para os trabalhadores e para a economia do país, incluindo:
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- Ausência de direitos trabalhistas: Trabalhadores informais não possuem benefícios como FGTS, 13º salário, férias remuneradas e seguro-desemprego;
- Baixa contribuição para a previdência: Muitos informais não contribuem para a previdência, aumentando a pressão sobre o sistema social;
- Vulnerabilidade econômica: A ausência de um vínculo formal deixa esses trabalhadores mais expostos à oscilação econômica e à perda repentina de renda.
Perspectivas para o Futuro: Como Reduzir a Informalidade e Ampliar a Contribuição Previdenciária
Para garantir que o crescimento do mercado de trabalho seja acompanhado por um aumento na proporção de contribuintes previdenciários, alguns desafios precisam ser enfrentados.
Incentivos para a Formalização de Trabalhadores
Políticas que incentivem a formalização dos trabalhadores podem ser uma solução para diminuir a informalidade. Entre as ações possíveis, destacam-se:
- Redução de encargos para pequenas empresas: Reduzir a carga tributária sobre pequenos negócios pode incentivar a formalização de trabalhadores;
- Facilidade no processo de registro: Simplificar o processo de formalização de empresas e trabalhadores autônomos pode aumentar o número de contribuintes.
Políticas de Educação Financeira e Previdenciária
Educação financeira e previdenciária também são essenciais para conscientizar os trabalhadores sobre a importância de contribuir para a previdência. Programas que orientem sobre as vantagens de contribuições previdenciárias podem fortalecer a base de seguridade social.

Ampliar a Fiscalização do Trabalho Informal
Medidas de fiscalização mais rigorosas para coibir o trabalho informal em atividades que deveriam ser registradas formalmente também são fundamentais. Essa medida contribui para um mercado de trabalho mais justo e para a inclusão de mais trabalhadores no sistema previdenciário.
Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
