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Proposta ousada: brasileiro sugere que EUA convertam ouro em Bitcoin para enfrentar crise da dívida

O brasileiro João Paulo Mayall sugeriu que os EUA troquem parte de suas reservas de ouro por Bitcoin para reduzir a dívida pública. Ideia gerou resposta do Tesouro.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Bitcoin

Uma proposta ousada feita pelo empresário João Paulo Mayall, fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, colocou em evidência um debate que mistura economia, política e tecnologia: a possibilidade de os Estados Unidos converterem parte de suas reservas de ouro em Bitcoin para enfrentar o problema crescente da dívida pública.

A sugestão foi apresentada publicamente e direcionada ao secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, despertando reações tanto no governo quanto no ecossistema de criptomoedas.

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O contexto da proposta

Os Estados Unidos carregam hoje uma dívida pública que ultrapassa a marca dos US$ 37 trilhões, com um custo de manutenção cada vez mais elevado devido ao aumento das taxas de juros. Ao mesmo tempo, o país mantém uma das maiores reservas de ouro do planeta, avaliadas em mais de US$ 600 bilhões a preços atuais.

Embora o ouro tenha sido historicamente uma reserva de valor segura, sua liquidez e potencial de valorização são limitados se comparados a ativos digitais emergentes, como o Bitcoin.

É nesse cenário que surge a proposta de Mayall. Segundo o empresário, o governo americano poderia reavaliar o preço de mercado do ouro que possui, vender 13,88% dessas reservas e, com os recursos obtidos, adquirir cerca de 1 milhão de bitcoins.

Isso, de acordo com ele, permitiria reduzir de forma significativa o impacto da dívida, mantendo os Estados Unidos ainda como o maior detentor de ouro do mundo e, ao mesmo tempo, garantindo uma posição dominante no mercado de criptomoedas.

Reação do governo americano

Um dia após a proposta se tornar pública, Scott Bessent afirmou em entrevista à Fox Business que os Estados Unidos não planejam reavaliar suas reservas de ouro nem adquirir Bitcoin no momento. A declaração foi vista como uma resposta direta às sugestões de Mayall, especialmente porque o empresário havia marcado o secretário em sua publicação.

Entretanto, a fala de Bessent não fechou totalmente a porta para a ideia. Ele declarou que o Tesouro está explorando “formas de aquisição de mais Bitcoin com orçamento neutro”, ou seja, sem aumentar gastos para os contribuintes.

Essa possibilidade se encaixa justamente no conceito apresentado por Mayall, que propôs uma operação sem impacto no orçamento federal.

A promessa de Trump e a Reserva Estratégica de Bitcoin

Trump
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O tema também está alinhado às promessas eleitorais de Donald Trump, que havia defendido transformar os Estados Unidos na “superpotência global do Bitcoin”. Em março, uma ordem executiva assinada pelo presidente estabeleceu a criação da Reserva Estratégica de Bitcoin, utilizando ativos digitais confiscados pelo governo federal.

Além disso, a Casa Branca autorizou o Tesouro e o Departamento de Comércio a desenvolverem estratégias para adquirir mais Bitcoin sem custos adicionais, o que mantém aberta a possibilidade de movimentos semelhantes ao que Mayall propôs.

Repercussão no mercado e na política

A proposta repercutiu rapidamente entre figuras conhecidas do universo cripto. Samson Mow, CEO da JAN3, demonstrou interesse em ajudar o governo a implementar a estratégia, enquanto a senadora Cynthia Lummis reforçou que a ideia de reavaliar o ouro para financiar a compra de Bitcoin poderia ser um caminho viável para lidar com a dívida pública.

No entanto, também houve ceticismo. Alguns analistas enxergam a iniciativa como um risco elevado devido à volatilidade do Bitcoin, e parte da comunidade acusou o governo de adotar uma postura de enrolação, sem ações concretas para expandir as reservas da criptomoeda.

Ouro e Bitcoin: ativos estratégicos em disputa

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O ouro, há milênios considerado um porto seguro, é conhecido por sua estabilidade e previsibilidade. Já o Bitcoin, criado em 2009, se destaca por seu potencial de valorização e pela escassez programada de 21 milhões de unidades, mas também por apresentar fortes oscilações de preço.

Se, por um lado, a digitalização das reservas poderia posicionar os Estados Unidos na vanguarda da economia digital, por outro, a substituição parcial do ouro por Bitcoin exigiria um gerenciamento de riscos mais sofisticado para lidar com as variações do mercado.

Possíveis impactos geopolíticos

A adoção da proposta poderia ter repercussões muito além das fronteiras americanas. Uma conversão significativa de ouro em Bitcoin pelos Estados Unidos poderia pressionar a China, grande detentora de reservas de ouro e títulos do Tesouro americano, a rever suas estratégias financeiras.

Na Europa, a medida poderia acelerar discussões sobre a adoção de moedas digitais lastreadas em criptoativos, alterando o equilíbrio econômico global.

Inovação ou aposta arriscada?

Bitcoin
Imagem: Freepik

A sugestão de João Paulo Mayall coloca em questão até que ponto governos devem adotar novas tecnologias como parte de sua política econômica. Trata-se de uma proposta que combina elementos de inovação, estratégia geopolítica e gestão de dívida pública, mas que também carrega riscos consideráveis devido à natureza volátil do Bitcoin.

Enquanto alguns enxergam a ideia como um passo ousado rumo ao futuro, outros alertam para a possibilidade de instabilidade e impactos imprevisíveis no sistema financeiro internacional.

Independentemente de ser implementada ou não, a proposta reacende o debate sobre o papel das criptomoedas na economia global e sobre como países com grandes reservas de ativos podem usá-las de forma estratégica para reposicionar seu poder econômico e político no cenário mundial.

Tainara Ferreira

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Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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