O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continua sendo a principal esperança financeira para milhões de brasileiros que pensam na aposentadoria. Embora a Previdência Social seja um dos pilares da proteção social no país, especialistas alertam que depender exclusivamente do benefício pode representar um desafio, especialmente diante do aumento da expectativa de vida, das mudanças nas regras previdenciárias e da inflação ao longo dos anos.
Pesquisa revela que 60% dos brasileiros contam com o INSS para a velhice
Pesquisa mostra que maioria dos brasileiros espera viver do INSS na aposentadoria, enquanto poucos investem em previdência privada.
Uma pesquisa recente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) reforça esse cenário ao mostrar que a maioria dos brasileiros ainda acredita que o benefício pago pelo INSS será sua principal fonte de renda durante a velhice. Ao mesmo tempo, o levantamento revela um dado preocupante: poucos trabalhadores estão construindo uma reserva financeira para complementar essa renda.
Esse comportamento evidencia uma realidade que afeta diferentes gerações e mostra que o planejamento para a aposentadoria ainda não faz parte da rotina financeira da maior parte da população.
Leia mais:
INSS avança com nova regra bancária para aposentados
Pesquisa mostra alta confiança no benefício do INSS
O estudo da Anbima identificou que 60% das pessoas que ainda não se aposentaram acreditam que viverão principalmente da aposentadoria paga pelo INSS.
Esse percentual representa o maior nível registrado desde o início da pesquisa “Raio X do Investidor Brasileiro”, indicando crescimento na confiança depositada no sistema previdenciário público.
Enquanto isso, outras alternativas aparecem muito atrás:
- 15% acreditam que continuarão trabalhando;
- 13% pretendem utilizar investimentos financeiros;
- 11% ainda não sabem como irão se sustentar;
- apenas 5% mencionaram a previdência privada como complemento da renda.
Os números mostram que, embora o mercado financeiro ofereça diversas opções de investimento para longo prazo, elas ainda fazem parte da estratégia de uma parcela pequena da população.
Benefícios do INSS concentram-se no salário mínimo
Os dados mais recentes do próprio INSS mostram que a maioria absoluta dos beneficiários recebe o piso previdenciário.
Entre mais de 42 milhões de benefícios pagos mensalmente, aproximadamente sete em cada dez possuem valor equivalente ao salário mínimo nacional.
Já os aposentados que recebem o teto previdenciário representam uma parcela extremamente pequena do total de beneficiários.
Essa distribuição demonstra que, para a maioria dos segurados, a renda obtida após a aposentadoria costuma ser limitada quando comparada ao padrão de vida mantido durante a fase ativa da carreira.
Na prática, isso significa que muitos brasileiros precisarão adaptar seus gastos caso não possuam outras fontes de renda.
Por que depender apenas do INSS pode ser um risco

O benefício previdenciário garante proteção social importante, mas dificilmente atende sozinho todas as necessidades financeiras de longo prazo.
Entre os principais fatores que tornam necessária uma renda complementar estão:
Aumento da expectativa de vida
Os brasileiros vivem cada vez mais. Isso significa que o dinheiro da aposentadoria precisará durar por um período muito maior do que acontecia décadas atrás.
Quanto maior o tempo de aposentadoria, maior tende a ser o impacto da inflação sobre o poder de compra.
Crescimento das despesas com saúde
Durante o envelhecimento, os gastos com medicamentos, exames, consultas médicas e planos de saúde costumam aumentar significativamente.
Mesmo quem utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS) frequentemente precisa arcar com despesas particulares em algum momento.
Mudanças no padrão de consumo
Muitas famílias mantêm financiamentos, ajudam filhos e netos ou continuam pagando despesas fixas após a aposentadoria.
Quando a renda diminui, manter o mesmo padrão de vida torna-se um desafio.
Poucos brasileiros conseguem poupar para o futuro
Outro dado que chama atenção na pesquisa é a baixa formação de patrimônio para a aposentadoria.
Apenas uma pequena parcela dos trabalhadores afirma já guardar dinheiro regularmente pensando na velhice.
A maioria ainda não iniciou esse processo.
Entre aqueles que ainda não possuem nenhuma reserva:
- parte afirma que pretende começar futuramente;
- outro grupo admite que não pretende poupar.
Especialistas em educação financeira costumam destacar que quanto mais cedo o investimento começa, menor tende a ser o esforço mensal necessário para acumular patrimônio.
Mesmo aplicações de valores reduzidos podem produzir resultados relevantes ao longo de décadas graças aos juros compostos.
Falta de reserva de emergência agrava o cenário
Além da dificuldade para planejar a aposentadoria, muitos brasileiros ainda enfrentam problemas financeiros no curto prazo.
A pesquisa mostra que uma parcela significativa da população não possui qualquer reserva para situações inesperadas.
Isso significa que despesas como desemprego, problemas de saúde ou reparos emergenciais podem levar famílias ao endividamento.
Mesmo entre quem já conseguiu guardar algum dinheiro, a maioria teria recursos suficientes para poucos meses de despesas.
Esse dado demonstra que muitos brasileiros ainda precisam fortalecer sua organização financeira antes mesmo de pensar na aposentadoria.
Jovens demonstram interesse, mas ainda não transformaram intenção em hábito
O levantamento também analisou o comportamento das diferentes gerações.
Entre os mais jovens, existe maior consciência sobre a importância de economizar para o futuro.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
No entanto, essa preocupação ainda não se traduz, na maioria dos casos, em investimentos efetivos.
Diversos fatores ajudam a explicar esse comportamento:
- renda inicial mais baixa;
- dificuldade para organizar o orçamento;
- aumento do custo de vida;
- pouca educação financeira durante a formação escolar;
- prioridades voltadas para consumo imediato.
Apesar disso, especialistas consideram que a juventude possui justamente a maior vantagem para formar patrimônio: o tempo.
Quanto maior o prazo de investimento, maior tende a ser o potencial de crescimento dos recursos aplicados.
Previdência privada pode complementar a renda
Embora tenha sido mencionada por poucos entrevistados, a previdência privada continua sendo uma das alternativas utilizadas para complementar o benefício do INSS.
Ela pode ser interessante principalmente para trabalhadores que desejam manter um padrão de renda mais próximo daquele recebido durante a vida profissional.
No entanto, antes da contratação, é importante avaliar aspectos como:
Taxas cobradas
Planos com taxas elevadas podem reduzir significativamente a rentabilidade no longo prazo.
Perfil de investimento
Existem planos mais conservadores e outros com maior exposição ao mercado financeiro.
A escolha depende do perfil do investidor e do horizonte de tempo.
Benefícios tributários
Dependendo da modalidade escolhida e da forma de declaração do Imposto de Renda, alguns planos oferecem vantagens fiscais.
Outras alternativas para construir uma aposentadoria mais tranquila

A previdência privada não é a única opção disponível.
Diversos especialistas recomendam diversificar a formação de patrimônio utilizando diferentes tipos de investimentos.
Entre as possibilidades estão:
- Tesouro Direto;
- CDBs;
- fundos de investimento;
- ETFs;
- ações para objetivos de longo prazo;
- fundos imobiliários.
A escolha deve considerar objetivos pessoais, tolerância ao risco e prazo disponível para investir.
Independentemente do produto escolhido, o mais importante costuma ser manter disciplina e regularidade nos aportes.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
