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Estudo mostra que brasileiro sacrifica alimentação por apostas

Relatório do BC mostra R$ 22 bi gastos em apostas digitais no 1º trimestre de 2025. Entenda os números.

Um relatório recente do Banco Central revelou números preocupantes sobre o crescimento das apostas digitais no Brasil. Somente no primeiro trimestre de 2025, R$ 22 bilhões saíram diretamente de contas de pessoas físicas para sites e aplicativos de apostas online. A estimativa, caso a tendência se mantenha, é que os brasileiros gastem R$ 270 bilhões até o fim do ano — montante equivalente a 84% de todo o consumo de carne bovina no país em 2024.

Os dados foram apresentados nesta semana durante a 81ª Sessão Deliberativa Ordinária no Senado Federal, dentro do trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, que investiga os impactos sociais e econômicos da proliferação das apostas digitais. O tema gerou críticas contundentes dos parlamentares, que apontaram para uma crise silenciosa de endividamento e mudanças nos hábitos de consumo da população, especialmente nas camadas mais pobres.

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R$ 22 bilhões em apenas três meses

Regulamentação Bets
Imagem: Joédson Alves / Agência Brasil

De acordo com o relatório do BC, os R$ 22 bilhões transferidos para sites de apostas entre janeiro e março de 2025 vieram de contas bancárias de pessoas físicas, sem intermediação de empresas. O ritmo acelerado das transações leva especialistas a projetarem um volume inédito de apostas até o fim do ano.

O senador Humberto Costa (PT-PE), que presidiu a sessão, chamou a atenção para a dimensão do problema, ao comparar os gastos com apostas ao consumo básico de alimentos. Segundo ele, estamos diante de um cenário em que famílias deixam de comprar carne para apostar em plataformas digitais.

Hábitos sacrificados para manter a banca

Dados apresentados durante a sessão indicam que a febre das apostas já está mudando hábitos essenciais da população. Uma pesquisa citada pelo senador mostra que 29% dos entrevistados admitiram usar parte do orçamento reservado para o lazer no fim de semana para jogar nas bets. Mais grave ainda, 18% disseram ter reduzido a compra de alimentos — incluindo carne e refeições fora de casa — para manter sua ‘banca’, termo usado para definir o valor separado para apostar.

O levantamento revela que essa prática está enraizada nas classes mais pobres, mas também atinge todas as faixas de renda. Nas classes D e E, os gastos médios com apostas chegam a R$ 421 por mês. Entre os mais ricos, na classe A, a média mensal é de R$ 1.210.

Apostas prejudicam ingresso no ensino superior

Os impactos das apostas online vão além do consumo básico e chegam até a educação. Um estudo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) em parceria com a Educa Insights, também citado no Senado, mostra que muitos brasileiros adiaram planos de cursar uma graduação devido aos gastos com apostas.

Segundo o levantamento, 34% dos entrevistados afirmaram que teriam que parar de apostar para iniciar os estudos. Estima-se que 986 mil pessoas possam deixar de efetivar matrículas no primeiro semestre de 2026 por dificuldades financeiras decorrentes de apostas.

Esses números, segundo especialistas, revelam que a popularização desenfreada das bets online está comprometendo o futuro educacional de milhares de jovens e adultos.

Críticas à falta de regulação mais rígida

Bets Febraban comunicado
Imagem: Wpadington/shutterstock.com

Durante os debates, diversos senadores criticaram a fragilidade do atual marco regulatório para as apostas digitais. O senador Eduardo Girão (NOVO-CE) classificou a legalização das bets como um “desastre” e alertou para o risco de ampliação desse problema caso sejam liberados cassinos e bingos no país.

“Errar uma vez é ruim, mas errar duas vezes é injustificável, porque estamos tratando de um vício que destrói famílias e leva muitos ao suicídio”, declarou.

Já o senador Izalci Lucas (PL-DF) ressaltou que o impacto negativo das apostas atinge diretamente beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família.

Aposta no futuro ou endividamento?

Para especialistas em finanças e comportamento, os números revelam um quadro preocupante de compulsão e falta de educação financeira. A promessa rápida de ganhos e a facilidade de acesso via celular ou computador tornam as bets muito atrativas — mas também perigosas para quem não tem controle sobre os gastos.

A ausência de campanhas educativas ou mecanismos eficazes de limitação nas plataformas também contribui para o aumento do endividamento das famílias, apontam economistas.

Com informações de: Tecmundo

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