A aposentadoria pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não deve ser suficiente para manter o padrão de vida de 92% dos brasileiros, segundo pesquisa realizada pela Icatu Seguros em parceria com a Conversion. Apesar da preocupação com a renda na velhice, 95% dos entrevistados afirmam não ter recursos suficientes para parar de trabalhar com segurança financeira.
O levantamento mostra que a dificuldade não está apenas em acumular dinheiro, mas também em definir quanto será necessário para cobrir as despesas durante a aposentadoria. Enquanto parte da população ainda não começou a se preparar, outra já poupa, mas considera o patrimônio acumulado insuficiente.
Os resultados evidenciam desafios relacionados à educação financeira, às diferenças de renda e ao planejamento de longo prazo. Também mostram por que depender exclusivamente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode exigir mudanças no padrão de vida após o fim da carreira profissional.
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Por que o INSS pode não ser suficiente para a aposentadoria?

De acordo com a pesquisa, 63% dos entrevistados acreditam que o benefício do INSS não será suficiente para cobrir suas despesas na aposentadoria. Outros 29% avaliam que a renda previdenciária pública ajudará a pagar apenas parte dos gastos.
Apenas 6% consideram que conseguirão manter suas necessidades financeiras exclusivamente com o benefício. Os percentuais apresentados na pesquisa não abrangem toda a amostra, e o material divulgado não detalha a resposta dos demais participantes.
A preocupação está relacionada à necessidade de manter despesas como moradia, alimentação, saúde, transporte e lazer mesmo depois de deixar o mercado de trabalho. Dependendo da renda disponível e das condições de vida, o benefício previdenciário pode não acompanhar todas essas necessidades.
Isso não significa que o INSS deixará de ser uma fonte relevante de renda. A questão é que, para muitas pessoas, a aposentadoria pública poderá precisar ser complementada por outras fontes de recursos.
A maioria dos brasileiros ainda não está preparada financeiramente
A percepção de que o benefício público será insuficiente não se traduz, necessariamente, em planejamento financeiro. O levantamento aponta que 95% dos participantes não consideram ter recursos suficientes para a aposentadoria.
Desse total, 49% ainda não começaram a se preparar financeiramente ou estão apenas no início do processo. Outros 46% já conseguiram guardar algum dinheiro, mas acreditam estar longe do valor necessário.
A diferença entre reconhecer o problema e agir sobre ele ajuda a explicar a dificuldade de construir uma reserva para o futuro. Despesas correntes, renda limitada e falta de clareza sobre o valor necessário podem dificultar a transformação da intenção de poupar em uma estratégia consistente.
Quanto dinheiro será necessário para se aposentar?
Definir uma meta financeira é um dos principais obstáculos apontados pelo levantamento. Apenas 28% dos entrevistados afirmam saber com precisão quanto precisarão receber mensalmente depois de parar de trabalhar.
A maioria, equivalente a 58%, tem apenas uma estimativa aproximada. Outros 14% não conseguem calcular quanto dinheiro será necessário para cobrir as despesas nessa fase da vida.
O valor ideal depende de fatores como custo de vida, moradia, saúde, dependentes, dívidas e idade prevista para a aposentadoria. Por isso, não existe uma quantia única que garanta segurança financeira para todas as pessoas.
Uma maneira de começar é calcular os gastos mensais atuais, estimar quais despesas continuarão existindo no futuro e considerar a renda que poderá vir do INSS ou de outras fontes. A diferença entre a renda esperada e os gastos projetados ajuda a dimensionar a necessidade de uma reserva complementar.
Quais investimentos os brasileiros usam para se preparar?
Os investimentos de renda fixa aparecem na liderança das estratégias de preparação para a aposentadoria. Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados mencionam aplicações como Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e títulos do Tesouro Direto.
A poupança aparece em seguida, citada por 40% dos participantes. Os imóveis foram mencionados por 34%, enquanto a previdência privada foi apontada por 27%.
Outros 8% afirmaram não ter uma estratégia definida, e a mesma proporção disse depender principalmente do INSS. Como os percentuais podem contemplar mais de uma alternativa por participante, eles não devem ser interpretados como categorias exclusivas.
Cada opção tem características próprias. Investimentos de renda fixa podem oferecer diferentes combinações de liquidez, rentabilidade e risco; imóveis podem gerar renda de aluguel, mas envolvem custos e menor facilidade de conversão em dinheiro; e a previdência privada pode ser utilizada para acumular recursos ao longo do tempo.
A escolha depende do prazo, da tolerância a riscos, dos objetivos e da necessidade de acesso ao dinheiro. Concentrar a decisão apenas na rentabilidade, sem avaliar os custos e as condições de resgate, pode comprometer o planejamento.
A previdência privada é mais comum entre famílias de renda alta
O acesso à previdência privada varia de forma expressiva conforme a renda familiar. Entre os entrevistados de famílias que recebem até R$ 1 mil por mês, nenhum declarou possuir um plano desse tipo.
Na faixa de renda entre R$ 1 mil e R$ 2,4 mil, o percentual chega a 6,8%. Entre famílias com renda de R$ 7 mil a R$ 12,6 mil, alcança 33,6%. Já no grupo com renda superior a R$ 28 mil mensais, chega a 71%.
A diferença sugere que a capacidade de planejar o futuro está ligada às condições financeiras do presente. Famílias com renda mais baixa podem ter menos espaço no orçamento para realizar aportes regulares depois de pagar despesas essenciais.
O mesmo padrão aparece no início da preparação para a aposentadoria. Entre os entrevistados que vivem em famílias com renda de até R$ 1 mil, 64,7% ainda não começaram a se preparar. No grupo com renda superior a R$ 28 mil, o índice cai para 3,2%.
Esses resultados indicam que ampliar o conhecimento financeiro é relevante, mas não elimina as limitações de quem precisa direcionar quase toda a renda ao consumo básico.
Como os brasileiros querem receber o dinheiro na aposentadoria?
A preferência predominante é transformar o patrimônio acumulado em uma renda mensal. Essa alternativa foi escolhida por 63% dos entrevistados.
Outros 24% preferem realizar saques aos poucos, de acordo com as necessidades, enquanto 8% gostariam de receber todo o dinheiro de uma só vez.
A preferência por pagamentos recorrentes reflete a busca por previsibilidade. Em vez de administrar sozinho um montante acumulado, o aposentado pode priorizar uma fonte de renda que ajude a organizar o orçamento e pagar as despesas mensais.
A Icatu Seguros também informou que os pedidos para converter o saldo acumulado em renda atingiram recorde em 2025, com crescimento de 47% em relação a 2024. O dado se refere à experiência da própria seguradora e não deve ser interpretado como uma medida de todo o mercado brasileiro.
A conversão de patrimônio em renda exige atenção às regras do produto contratado. Na previdência privada, por exemplo, as condições de recebimento, a duração dos pagamentos e as possibilidades de resgate variam conforme o plano e a modalidade escolhida.
Por isso, quem está próximo da aposentadoria precisa avaliar não apenas quanto acumulou, mas também como utilizará os recursos ao longo dos anos.
O medo de ficar sem dinheiro é a principal preocupação
A falta de segurança financeira concentra a maior parte das preocupações relatadas pelos entrevistados. Segundo o levantamento, 78% das preocupações citadas estão relacionadas à possibilidade de faltar dinheiro durante a aposentadoria.
O receio mais frequente é não ter uma reserva para emergências, mencionado por 30% dos participantes. Em seguida aparecem o medo de o dinheiro acabar antes do fim da vida, com 24%, e a preocupação de que os recursos não sejam suficientes para as despesas cotidianas, com 23%.
Outros 11% temem tomar decisões financeiras equivocadas por falta de informação.
Essas preocupações envolvem riscos diferentes. Uma reserva de emergência ajuda a lidar com despesas inesperadas, enquanto o planejamento de longo prazo precisa considerar a duração da aposentadoria, a inflação e possíveis mudanças nos gastos com saúde.
Ter dinheiro investido, portanto, não significa automaticamente estar preparado. É necessário avaliar se o patrimônio acumulado será suficiente para sustentar as despesas previstas e se os recursos estarão disponíveis quando forem necessários.
Poucos brasileiros procuram orientação financeira profissional
Apesar das dúvidas, a orientação profissional ainda aparece com pouca frequência nas conversas sobre aposentadoria. A pesquisa aponta que 66% dos entrevistados conversam sobre o tema com familiares e amigos, enquanto 58% discutem o assunto com o cônjuge.
Somente 18% afirmaram conversar com gerentes de banco ou assessores financeiros. Outros 12% disseram não conversar com ninguém sobre o assunto.
O diálogo com pessoas próximas pode ajudar a organizar expectativas e decisões familiares, mas nem sempre oferece informações suficientes para avaliar produtos financeiros, tributação e regras previdenciárias.
Buscar orientação qualificada pode ajudar a comparar alternativas e entender os riscos envolvidos. Antes de contratar qualquer produto, o consumidor deve verificar custos, condições de resgate, tributação e regras de recebimento dos recursos.
Mulheres e pessoas próximas da aposentadoria enfrentam desafios
A pesquisa também identificou diferenças entre homens e mulheres na preparação financeira. Entre as mulheres, 29% afirmaram ainda não ter começado a se preparar para a aposentadoria, percentual superior ao observado entre os homens, de 14%.
Elas também relataram maior uso da poupança, mencionada por 44%, contra 34% dos homens. Na previdência privada, a proporção foi de 23% entre as mulheres e 33% entre os homens.
Os dados mostram diferenças nos comportamentos financeiros declarados, mas, isoladamente, não explicam suas causas. Para compreender esses resultados, seria necessário considerar outros fatores, como renda, trajetória profissional, responsabilidades familiares e acesso a produtos financeiros.
A situação também preocupa quem está mais perto de deixar o mercado de trabalho. Entre as pessoas de 45 a 60 anos, 70% disseram não se sentir financeiramente preparadas para parar de trabalhar. Apenas 5% afirmaram já ter condições de se aposentar.
Nessa fase, o tempo disponível para acumular patrimônio tende a ser menor do que para quem começa a planejar a aposentadoria no início da carreira. Isso aumenta a importância de conhecer a renda previdenciária estimada, revisar despesas e avaliar alternativas compatíveis com a situação financeira de cada pessoa.
Como começar a planejar a aposentadoria?
A preparação pode começar mesmo quando ainda não existe uma grande quantia disponível para investir. O primeiro passo é entender a situação financeira atual e estabelecer uma meta realista.
Algumas medidas ajudam a organizar esse processo:
- Mapeie os gastos: registre despesas essenciais, compromissos financeiros e custos que podem aumentar no futuro.
- Estime a renda previdenciária: consulte as informações disponíveis no Meu INSS e utilize o simulador para obter uma estimativa, lembrando que o resultado não garante a concessão do benefício.
- Calcule a diferença mensal: compare a renda esperada com o valor necessário para manter o padrão de vida desejado.
- Organize uma reserva de emergência: mantenha recursos acessíveis para despesas inesperadas, sem confundi-los com o patrimônio destinado ao longo prazo.
- Escolha investimentos compatíveis com seus objetivos: avalie risco, liquidez, custos, tributação e prazo antes de investir.
- Revise o planejamento periodicamente: mudanças na renda, na família e nas despesas podem exigir ajustes nas metas.
Não é necessário começar com valores elevados para dar início ao planejamento. A regularidade dos aportes e a adequação da estratégia à realidade financeira podem ser mais úteis do que assumir compromissos difíceis de manter.
O objetivo é construir uma fonte de renda complementar que reduza a dependência exclusiva do benefício público e ofereça maior previsibilidade durante a aposentadoria.
O que a pesquisa revela sobre o futuro da aposentadoria no Brasil?

A pesquisa foi realizada em maio de 2026 pela plataforma on-line Pollfish, em parceria com a Icatu Seguros e a Conversion. Foram entrevistadas 500 pessoas com 18 anos ou mais, conectadas à internet e residentes nas cinco regiões do Brasil. A amostra foi composta por 60% de mulheres e 40% de homens, enquanto 77% dos participantes viviam em famílias com renda mensal de até R$ 12,6 mil.
Os resultados revelam que, embora a maioria dos entrevistados reconheça a necessidade de complementar a aposentadoria, muitos ainda não começaram a se preparar financeiramente. A falta de clareza sobre o valor necessário para manter o padrão de vida também dificulta o planejamento.
Para reduzir esse risco, especialistas recomendam organizar o orçamento, consultar a estimativa do benefício do INSS e calcular quanto será necessário complementar mensalmente. Com essas informações, é possível definir metas de economia e escolher alternativas de investimento compatíveis com a renda e os objetivos de longo prazo.
Conclusão
A pesquisa mostra que a preocupação com a aposentadoria ainda não se traduz em preparo financeiro para grande parte dos brasileiros. A expectativa de que o INSS não seja suficiente reforça a necessidade de buscar alternativas para complementar a renda e preservar a qualidade de vida no futuro.
Começar a se organizar desde cedo, mesmo com pequenas quantias, pode ajudar a construir uma reserva ao longo dos anos. O primeiro passo é entender quanto será necessário para cobrir as despesas, estimar o benefício previdenciário e definir uma estratégia compatível com a realidade financeira de cada pessoa.
