O Banco de Brasília (BRB), instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), enfrenta forte pressão após um salto recorde na inadimplência de sua carteira de crédito. A situação motivou a senadora Leila Barros (PDT-DF) a solicitar investigação de órgãos de controle, incluindo o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), o Tribunal de Contas do DF e o Banco Central.
O pedido alerta para riscos bilionários que podem comprometer o patrimônio público e a segurança dos trabalhadores do banco.
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Salto da inadimplência preocupa autoridades e acionistas

Dados recentes do balanço semestral do BRB indicam que o volume de crédito em atraso subiu de R$ 2,4 bilhões em março para R$ 13,1 bilhões em junho de 2025. Isso representa um aumento de 500% na proporção de inadimplência, que passou de 5% para 25% da carteira.
“Esse salto da inadimplência é um alerta vermelho para qualquer instituição financeira. Se houver perdas expressivas, os cofres do Distrito Federal podem ser impactados, e isso recai sobre toda a população. Além disso, empregados do BRB e o fundo de previdência dos servidores, que detêm participação acionária relevante, também ficam expostos”, destacou a senadora Leila Barros.
O aumento abrupto da inadimplência levanta preocupações sobre a gestão de riscos do banco e sobre a governança em operações recentes de aquisição de carteiras de crédito.
Compra de carteiras do Banco Master é alvo de questionamentos
Entre agosto e dezembro de 2024, o BRB adquiriu carteiras de crédito no valor total de R$ 5,9 bilhões, sendo R$ 4,7 bilhões provenientes do Banco Master. Posteriormente, o Banco Central bloqueou a operação, alegando risco à solvência do BRB.
Leila Barros ressaltou a falta de transparência e a ausência de debate público ou com acionistas minoritários durante o processo de negociação. “É fundamental apurar se houve análise criteriosa antes da compra, se as carteiras tinham qualidade, se estavam precificadas de forma justa e se as garantias eram executáveis. Precisamos verificar possíveis conflitos de interesse ou favorecimento em operações de valores tão altos”, afirmou a senadora.
Riscos para patrimônio e empregados do BRB
O alerta da senadora se concentra em três frentes:
- Cofres do DF: perdas significativas podem afetar o erário público, que sustenta a instituição.
- Trabalhadores e fundo de previdência: empregados e fundos que possuem ações do BRB podem ter prejuízos diretos.
- Solidez da instituição: deterioração da carteira de crédito compromete a capacidade do banco de honrar compromissos e manter reservas estratégicas.
Para mitigar riscos, Leila Barros propôs medidas imediatas, incluindo auditoria das carteiras adquiridas, exigência de documentação detalhada das negociações e limitação temporária de novas aquisições até que a situação seja esclarecida.
BRB defende transparência e cumprimento das regras
Em resposta aos questionamentos, o BRB afirmou que segue critérios técnicos e regulatórios, sendo supervisionado pelo Banco Central, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e listado na B3. O banco também garantiu que presta informações regularmente aos órgãos de controle, cumpre deveres de transparência previstos em lei e observa sigilo bancário e concorrencial.
Apesar dessas garantias, especialistas em finanças alertam que o crescimento acelerado da inadimplência e a exposição a carteiras de crédito problemáticas exigem monitoramento rigoroso e medidas preventivas para proteger acionistas e a população.
Histórico da aquisição do Banco Master
A operação de compra do Banco Master foi anunciada em março de 2025, prevendo a aquisição de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais, totalizando 58% do capital da instituição, por cerca de R$ 2 bilhões. A proposta recebeu aval do Conselho de Administração do BRB e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas precisava da autorização final do Banco Central.
Após o anúncio, a operação passou a ser investigada pelo MPDFT. Em agosto, a Câmara Legislativa aprovou a compra, mesmo com resistência da bancada progressista. No início de setembro, o Banco Central rejeitou a operação, apontando riscos de que passivos ou operações problemáticas do Master pudessem “contaminar” o BRB.
O governador Ibaneis Rocha criticou a decisão, acusando partidos de esquerda de se oporem aos interesses do Distrito Federal, enquanto a senadora Leila Barros e órgãos de controle reforçam a necessidade de investigação detalhada.
Próximos passos e impactos esperados
O cenário exige atenção imediata dos órgãos de controle e do mercado. A população e os servidores do DF aguardam definições sobre a mitigação de riscos, auditorias das carteiras adquiridas e transparência nos processos de governança do BRB.
Especialistas afirmam que a resolução do caso pode se tornar um marco para operações de bancos públicos, definindo padrões de responsabilidade, fiscalização e proteção do patrimônio público. Para os acionistas minoritários e empregados do banco, os próximos meses serão cruciais para avaliar a segurança de seus investimentos e reservas.





