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BRB enfrenta caso Master e redução de quase 1 milhão de clientes em 12 meses

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
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O Banco de Brasília (BRB) perdeu 979,2 mil clientes bancários em um ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) em 22 de outubro de 2026. A base da instituição caiu de aproximadamente 9,8 milhões de clientes no terceiro trimestre de 2025 para 8,83 milhões no mesmo período de 2026, uma retração próxima de 10%.

A redução ocorre em meio à crise desencadeada pelas operações envolvendo o Banco Master, cuja aquisição pelo BRB foi barrada pelo regulador em setembro de 2025. Desde então, investigações sobre carteiras de crédito suspeitas, possíveis prejuízos bilionários e a necessidade de reforçar o capital da instituição pública ampliaram a pressão sobre o banco.

Os números mostram a dimensão da perda de clientes, mas não permitem concluir que todos deixaram o BRB por causa do caso Master. Para entender o impacto sobre a instituição, é necessário observar a evolução da base de clientes, as operações investigadas e os desafios financeiros enfrentados pelo banco.

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Quantos clientes o BRB perdeu em um ano?

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Imagem: Reprodução

O BRB perdeu 979.254 clientes bancários entre o terceiro trimestre de 2025 e o terceiro trimestre de 2026. O total passou de aproximadamente 9,8 milhões para 8,83 milhões, de acordo com os dados divulgados pelo Banco Central.

A queda representa cerca de 10% da base registrada um ano antes. O movimento também continuou ao longo de 2026: no acumulado dos três primeiros trimestres, o banco perdeu 376.988 clientes, dos quais 187.313 saíram apenas entre julho e setembro.

Os dados indicam que a redução não ficou restrita aos meses imediatamente posteriores à repercussão inicial do caso. A instituição continuou registrando recuo no número de clientes mesmo durante 2026, enquanto enfrentava questionamentos sobre sua situação financeira e as operações realizadas com o Banco Master.

O levantamento considera clientes pessoas físicas e jurídicas informados pelas instituições ao sistema financeiro. Cada cliente é contado uma única vez por instituição ou conglomerado, conforme a metodologia utilizada pelo Banco Central.

Por que o BRB está perdendo clientes?

A perda ocorre em um período de forte desgaste para o banco público do Distrito Federal. O caso Master colocou sob investigação operações de compra de carteiras de crédito que, segundo a Polícia Federal, incluíam ativos sem lastro adequado ou relacionados a créditos supostamente inexistentes.

A repercussão atingiu a confiança na instituição e levantou dúvidas sobre os controles internos, a gestão de riscos e a capacidade do BRB de absorver eventuais prejuízos. Entretanto, os dados de clientes, isoladamente, não identificam os motivos individuais de encerramento das contas.

A compra do Banco Master foi barrada pelo Banco Central

Em 2025, o BRB anunciou a intenção de adquirir o Banco Master. A operação, porém, foi rejeitada pelo Banco Central em setembro daquele ano, e a negociação não foi concluída.

Dois meses depois, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, medida adotada quando uma instituição financeira passa por uma situação que exige intervenção para proteger credores e organizar o encerramento de suas atividades nos termos legais.

A sequência de acontecimentos colocou o BRB sob maior escrutínio. Embora a aquisição do Master não tenha sido efetivada, as instituições já haviam realizado negócios envolvendo carteiras de crédito, que passaram a ser examinados pelas autoridades.

Investigações apontam problemas em carteiras de crédito

Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, o BRB transferiu recursos ao Master em operações de compra de carteiras de crédito que incluíam títulos considerados suspeitos pelos investigadores. Uma das cifras que ganhou destaque foi a de R$ 12,2 bilhões em ativos apontados como fraudulentos ou sem lastro adequado.

A apuração busca esclarecer como essas operações foram realizadas, quais controles foram aplicados e quem pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades. As suspeitas e os elementos reunidos nas investigações devem ser diferenciados de decisões judiciais definitivas sobre a responsabilidade de cada envolvido.

O caso também levou a questionamentos sobre a governança do BRB, isto é, os mecanismos utilizados para fiscalizar decisões, avaliar riscos e proteger o patrimônio da instituição.

Qual é o tamanho do problema financeiro do BRB?

A crise vai além da redução do número de clientes. O banco precisa avaliar os possíveis prejuízos relacionados aos ativos adquiridos e demonstrar que dispõe de capital suficiente para cumprir as exigências regulatórias e manter suas operações.

Em junho de 2026, o presidente do BRB informou que a instituição precisava de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a possíveis perdas decorrentes dos negócios com o Master. O valor foi apresentado como uma necessidade de capitalização e provisão, não como uma confirmação de que toda essa quantia já havia sido definitivamente perdida.

A provisão é uma reserva contábil constituída para reconhecer riscos ou perdas esperadas. Já a capitalização consiste no reforço dos recursos próprios do banco, permitindo que ele absorva prejuízos e mantenha os índices de capital exigidos pelos reguladores.

A diferença entre esses conceitos é relevante: estimar perdas potenciais não significa que o prejuízo final já esteja determinado. O resultado dependerá da avaliação dos ativos, das recuperações possíveis e das conclusões das auditorias e investigações.

O banco pode precisar de mais recursos?

Sim. Se a avaliação dos ativos indicar perdas superiores às inicialmente estimadas, ou se o Banco Central exigir reforço adicional de capital, a necessidade de recursos poderá aumentar.

Uma das alternativas discutidas pelo Governo do Distrito Federal foi obter um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalizar o BRB. A operação, porém, enfrentava obstáculos relacionados às garantias exigidas e à resistência de grandes bancos em participar da estrutura proposta.

O desfecho dessas negociações é relevante para a capacidade de recuperação da instituição. A solução precisa considerar não apenas a disponibilidade de recursos, mas também as condições financeiras da operação e seus efeitos sobre o patrimônio público.

O que a perda de clientes significa para o futuro do BRB?

A redução da base de clientes pode afetar a estratégia comercial do banco e sua capacidade de ampliar relacionamentos com pessoas físicas e empresas. Contas bancárias também podem estar associadas a outros serviços, como cartões, crédito, investimentos e recebimento de salários.

Entretanto, perder clientes não significa, automaticamente, que o banco esteja insolvente ou prestes a encerrar as atividades. Para avaliar sua saúde financeira, é necessário analisar indicadores como capital regulatório, liquidez, qualidade dos ativos, rentabilidade e capacidade de honrar compromissos.

A crise de confiança pode tornar a recuperação mais difícil. Mesmo quando uma instituição dispõe de alternativas para recompor o capital, a percepção de risco pode influenciar decisões de consumidores, empresas, investidores e parceiros comerciais.

Para o BRB, recuperar a credibilidade depende de esclarecer as operações investigadas, fortalecer os controles internos, apresentar informações financeiras confiáveis e demonstrar que consegue administrar os riscos de forma consistente.

O que acontece com os clientes que ainda têm conta no BRB?

A queda no número de clientes não significa que as contas dos correntistas restantes serão automaticamente encerradas ou que os depósitos deixarão de estar disponíveis. A situação de cada cliente depende das condições da conta, dos serviços contratados e do funcionamento da instituição.

Quem mantém relacionamento com o banco deve acompanhar os comunicados oficiais, verificar o acesso aos canais digitais e guardar os comprovantes das movimentações financeiras. Caso haja dificuldade para realizar uma operação, o primeiro passo é procurar o atendimento oficial do BRB.

Também é recomendável manter os dados cadastrais atualizados e conhecer as regras dos produtos contratados. Se o cliente decidir transferir seu relacionamento para outra instituição, deve conferir eventuais débitos automáticos, pagamentos programados, recebimentos de salário e parcelas de empréstimos antes de encerrar a conta.

Não há motivo para concluir, apenas com base na redução da base de clientes, que todos os correntistas precisam retirar seus recursos imediatamente. Decisões financeiras devem considerar informações oficiais e as características de cada produto.

O que pode acontecer nos próximos meses?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A evolução da situação dependerá de três fatores principais: o avanço das investigações sobre as operações com o Master, a definição das medidas necessárias para reforçar o capital do BRB e a capacidade da atual administração de restabelecer a confiança no banco.

A divulgação de demonstrações financeiras completas e auditadas também será fundamental para que clientes, reguladores e demais interessados avaliem a real dimensão dos riscos. A transparência sobre os ativos, as provisões e as medidas de recuperação pode ajudar a reduzir incertezas.

Outro indicador a acompanhar é a evolução da base de clientes nos próximos levantamentos do Banco Central. Uma desaceleração das saídas poderá sinalizar estabilização comercial, embora não seja suficiente, por si só, para comprovar uma recuperação financeira.

Por enquanto, os números confirmam uma retração expressiva: quase 1 milhão de clientes a menos em um ano. A recuperação do BRB, porém, dependerá de medidas financeiras e institucionais que vão muito além de interromper a perda de correntistas.

Conclusão

A perda de quase 1 milhão de clientes em um ano evidencia os desafios enfrentados pelo BRB após a crise envolvendo o Banco Master. Além de lidar com os possíveis prejuízos das operações investigadas, a instituição precisa reforçar sua estrutura financeira e recuperar a confiança de clientes e investidores.

Os próximos meses serão decisivos para avaliar a capacidade de recuperação do banco, especialmente diante das medidas de capitalização e dos desdobramentos das investigações. A transparência na divulgação de informações e a adoção de controles mais rigorosos serão fundamentais para restabelecer a credibilidade da instituição e reduzir as incertezas sobre seu futuro.

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