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Novo sistema BRICS promete transações rápidas e seguras, sem dólar nem SWIFT

Brics lança Pix Global, sistema que promete transações internacionais rápidas, seguras e sem dólar. Alternativa estreia até o fim de 2025.

Bianca BorgesPor Bianca Borges5 min de leitura
Brasil brics

O cenário financeiro global está prestes a passar por uma transformação significativa com a iminente chegada do Brics Pay, o novo sistema de pagamentos dos países integrantes do bloco Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Chamado por muitos de Pix Global, o sistema visa reduzir drasticamente a dependência do dólar americano e do sistema SWIFT, facilitando transações transnacionais de forma rápida, segura e descentralizada.

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O que é o Brics Pay?

brics
Imagem: Reprodução / Agência Brasil

O Brics Pay é uma iniciativa estratégica dos países do Brics para criar um mecanismo de pagamento independente do sistema financeiro tradicional liderado pelos Estados Unidos e pela Europa.

Desenvolvido com base em tecnologias modernas como blockchain, criptografia e carteiras digitais, o sistema funcionará como uma infraestrutura própria para a realização de transferências internacionais, sem necessidade de intermediários ocidentais ou da moeda americana.

Sistema descentralizado e autônomo

Inspirado no modelo brasileiro do Pix e em outros sistemas já utilizados pelos países membros, o Brics Pay será um sistema de mensagens financeiras baseado no conceito de Decentralized Cross-border Messaging System (DCMS).

Esta estrutura foi desenvolvida pela Universidade Estatal de São Petersburgo, na Rússia, e pretende garantir segurança, criptografia de ponta e velocidade nas operações.

Comparações com o Pix brasileiro

Assim como o Pix, o Brics Pay promete funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, com confirmação instantânea. No entanto, a proposta vai além das fronteiras nacionais:

  • Permite pagamentos instantâneos internacionais entre os países do bloco;
  • Utiliza QR Code para transações simples, inclusive para turistas e pequenas empresas;
  • Integra dados de usuários por meio de números de telefone e carteiras digitais;
  • Facilita o câmbio automático entre moedas locais, eliminando o dólar como ponte.

Como funciona o Pix Global na prática?

O sistema será a soma das tecnologias de pagamento já em funcionamento nos países membros do Brics:

Integração entre sistemas locais

  • Brasil: Pix, com ampla adesão da população e do setor bancário;
  • Rússia: SBP (Sistema de Pagamento Rápido), utilizado por mais de 200 instituições;
  • China: IBPS, com liquidação instantânea em yuan via múltiplos canais;
  • Índia: UPI (Unified Payments Interface), que facilita transações digitais desde 2010;
  • África do Sul: Sistemas regionais que devem ser adaptados para compatibilidade com o Brics Pay.

Essa convergência tecnológica permitirá que cada país continue utilizando seu sistema nacional, mas com interoperabilidade entre si.

Ou seja, um brasileiro poderá pagar por um produto na China usando reais via Pix, com conversão instantânea para yuan — tudo isso sem passar por bancos americanos ou europeus.

Segurança, privacidade e velocidade

Graças ao uso de blockchain e criptografia de última geração, o Brics Pay garantirá:

  • Autenticidade das transações;
  • Proteção contra fraudes;
  • Processamento quase instantâneo, mesmo em fuso horários diferentes;
  • Custos operacionais reduzidos.

Impacto econômico e geopolítico

Redução da dependência do dólar

Atualmente, a maioria das transações internacionais passa pelo sistema SWIFT e é cotada em dólar americano. Isso torna os países emergentes vulneráveis a sanções financeiras e flutuações da moeda dos EUA. Com o Brics Pay, o bloco busca maior soberania monetária e independência geopolítica.

Estímulo ao comércio entre os membros

O novo sistema também deverá impulsionar o comércio entre os países do Brics, reduzindo custos com taxas cambiais e barreiras bancárias. Setores como agricultura, energia e tecnologia devem ser os mais beneficiados.

Reação internacional

Países que não fazem parte do Brics já demonstraram preocupação com o impacto do Brics Pay no sistema financeiro global.

Os Estados Unidos, por exemplo, enxergam a iniciativa como uma ameaça direta à hegemonia do dólar. O ex-presidente Donald Trump, em declarações recentes, chegou a sugerir sanções econômicas e aumento de tarifas para membros do Brics caso o sistema se torne dominante.

Avanços até agora e perspectivas para 2030

Quem está mais avançado?

Até o momento, Rússia e China são os países mais adiantados no desenvolvimento do Pix Global. Ambos têm realizado testes práticos em projetos-piloto e ajustado suas legislações para facilitar a adoção do sistema.

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E o Brasil?

O Brasil, embora mais cauteloso, tem demonstrado forte interesse em usar o sistema para exportações agrícolas e energéticas, especialmente para os parceiros asiáticos. A estrutura tecnológica do Pix facilita a adaptação, mas ainda existem entraves regulatórios e técnicos a superar.

Expansão do bloco e projeções

O Brics vem se expandindo e, com ele, o Brics Pay. Países como Indonésia, Etiópia e Emirados Árabes Unidos já foram convidados para integrar o sistema. A expectativa é que, até 2030, o Pix Global movimente o equivalente a centenas de bilhões de dólares por ano, em moedas locais.

Essa projeção faz do Brics Pay um dos projetos mais ambiciosos de descentralização financeira global, com potencial para rivalizar até mesmo com o euro em algumas regiões.

Desafios para o sucesso do Brics Pay

brics pay pix
Imagem: rafapress/Shutterstock.com

Integração tecnológica

Apesar do avanço, ainda há muitos desafios técnicos a superar:

  • Compatibilização de diferentes sistemas bancários;
  • Padronização dos protocolos de segurança;
  • Atualização das infraestruturas digitais em países menos desenvolvidos do bloco.

Desafios políticos

A autonomia financeira proporcionada pelo sistema também pode gerar retaliações econômicas de países ocidentais, além de pressões diplomáticas e instabilidade nos mercados.

Educação financeira da população

Nos países do bloco, principalmente os com menor inclusão digital, será necessário educar a população sobre o uso da nova tecnologia, garantindo que pequenos negócios e consumidores comuns também possam se beneficiar.

Considerações finais

O Brics Pay não é apenas uma inovação tecnológica — trata-se de um instrumento geopolítico e econômico que pode mudar o equilíbrio das finanças globais.

Com sua proposta de inclusão, agilidade e soberania monetária, ele surge como alternativa concreta aos sistemas tradicionais dominados pelo Ocidente.

O mundo observa com atenção o avanço do projeto, que tem o potencial de quebrar paradigmas históricos e inaugurar uma nova era nas transações internacionais.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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