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ETF de cripto x ETF de futuro: qual a melhor opção para investir

Entenda as diferenças entre ETF de cripto (spot) e ETF de futuro, seus riscos, vantagens e qual pode ser mais adequado ao seu perfil.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Ethereum ETFs

Na esteira da popularização das criptomoedas e da crescente institucionalização do setor, os ETFs (Exchange Traded Funds) surgem como um dos instrumentos mais acessíveis e regulados para quem deseja investir em ativos digitais.

Recentemente, o lançamento do NBIT11, ETF de contratos futuros de bitcoin pela Nu Asset, reacendeu o debate: qual a melhor opção para o investidor, o ETF de cripto tradicional (spot) ou o ETF baseado em contratos futuros?

Com diferentes estruturas, regulamentações e riscos, cada tipo de ETF atende a perfis e objetivos distintos. Este artigo investiga em profundidade as diferenças, vantagens e desvantagens entre esses dois modelos de investimento.

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ETF: uma definição essencial

ETF de criptomoedas
imagem: Beneath Blue / shutterstock.com

ETFs são fundos de índice negociados em bolsa. Ou seja, são veículos de investimento que acompanham o desempenho de um índice de referência, podendo incluir ações, commodities ou, no caso que nos interessa, criptomoedas.

Vantagens de investir via ETF

  • Facilidade de acesso: Qualquer investidor com conta em uma corretora pode comprar cotas de ETFs como se estivesse adquirindo ações.
  • Diversificação automática: Muitos ETFs incluem múltiplos ativos no mesmo fundo, reduzindo riscos.
  • Regulação e segurança: ETFs listados em bolsas como a B3 operam em ambientes regulados pela CVM e outras entidades.
  • Custos menores: Em comparação a fundos tradicionais, os ETFs geralmente possuem taxas de administração mais baixas.

Entendendo o ETF de cripto (spot)

Como funciona o ETF de cripto

Um ETF spot de cripto busca replicar diretamente o preço de uma criptomoeda ou um índice composto por vários ativos digitais. Isso significa que o fundo precisa manter os ativos físicos (digitais, neste caso), em custódia — ou seja, ele de fato “compra” o bitcoin ou outros tokens.

Exemplo no Brasil: QBTC11, da QR Asset, que acompanha o preço do bitcoin à vista.

Principais características

  • Exposição direta ao ativo digital.
  • Necessidade de custódia segura dos criptoativos.
  • Maior volatilidade, mas com potencial de valorização a longo prazo.

Vantagens e desvantagens

Vantagens:

  • Reflete com mais precisão o comportamento do mercado de cripto.
  • Indicado para quem acredita no potencial de valorização do ativo digital no longo prazo.
  • Boa alternativa para quem quer investir em cripto sem criar carteira digital própria.

Desvantagens:

  • Requer infraestrutura segura para guarda dos ativos.
  • Sujeito a riscos específicos do mercado de cripto (como ataques hackers às custodians).
  • Pode ser afetado por falta de liquidez em momentos de pânico.

O que é o ETF de futuro de cripto

Entendendo o modelo de contratos futuros

Em vez de adquirir o criptoativo em si, o ETF de contratos futuros investe em derivativos. Ou seja, compra contratos que apostam na valorização ou desvalorização futura do ativo. No caso do NBIT11, lançado em 2025, o fundo segue o índice Nasdaq Brazil Bitcoin Futures TR.

Como funciona na prática

O ETF de futuro é reavaliado constantemente, comprando e vendendo contratos para se ajustar ao vencimento dos mesmos. Esse processo é chamado de rollover e é fundamental para a performance do fundo.

Vantagens e desvantagens

Vantagens:

  • Elimina a necessidade de armazenamento seguro de ativos digitais.
  • Funciona dentro de uma estrutura regulada, como qualquer outro ETF listado na B3.
  • Evita preocupações com hard forks ou atualizações de rede que impactem o ativo.

Desvantagens:

  • Pode apresentar tracking error, ou seja, divergência entre o desempenho do ETF e o preço real do ativo.
  • Custo mais elevado devido ao rollover constante dos contratos.
  • Riscos adicionais relacionados à volatilidade dos derivativos.

ETF de cripto ou ETF de futuro: qual é melhor?

Comparação direta entre os dois tipos

CaracterísticaETF de Cripto (Spot)ETF de Futuros
Tipo de exposiçãoDireta ao ativo digitalIndireta via derivativos
Necessidade de custódiaSimNão
RegulaçãoEstrutura mais complexaEstrutura tradicional
Tracking errorBaixoMédio a alto
Custos operacionaisMenoresMaiores (devido ao rollover)
Adequado para qual perfilLongo prazo, “hodlers”Especuladores, curto prazo

O que dizem os especialistas

Gabriel Fioravante, professor da FIA Business School, destaca que os ETFs de cripto (spot) envolvem uma complexidade regulatória maior por exigirem custódia adequada dos ativos digitais.

“Os ETFs spot têm a vantagem da fidelidade ao ativo real, mas requerem uma operação mais robusta por parte das gestoras”, afirma.

Já Andrés Kikuchi, da Nu Asset, explica que os ETFs de futuros tornam o acesso aos criptoativos mais simples e seguro dentro de um ambiente 100% regulado. “Tudo acontece na B3, sem exposição direta ao ativo, o que reduz riscos para o investidor médio”, diz.

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ETF de cripto na B3: panorama atual

Principais ETFs disponíveis

  • QBTC11 (QR Asset): Foca no bitcoin à vista.
  • HASH11 (Hashdex): Replica o índice Nasdaq Crypto Index, diversificado.
  • ETHE11 (Hashdex): Focado em ethereum.
  • NBIT11 (Nu Asset): Primeira aposta em contratos futuros de bitcoin na B3.

Crescimento do mercado

Desde a criação dos primeiros ETFs de cripto no Brasil, o interesse dos investidores aumentou significativamente. Segundo dados da B3, os ETFs de cripto já movimentam bilhões de reais e atraem tanto investidores institucionais quanto pessoa física.

Qual ETF escolher: guia prático para investidores

Perfil conservador

Para investidores mais cautelosos, o ETF de futuros pode representar menor exposição a riscos técnicos, como falhas de custódia, e maior previsibilidade, ainda que com possíveis perdas por divergência de preço.

Perfil moderado a agressivo

Investidores que buscam valorização no longo prazo, com apetite por volatilidade, devem considerar ETFs spot. A exposição direta ao ativo pode render retornos mais expressivos, especialmente em ciclos de alta do mercado cripto.

Objetivos de curto prazo

Para estratégias de curto prazo ou táticas de hedge, os ETFs de contratos futuros oferecem mais agilidade e são mais alinhados com movimentos técnicos do mercado.

O futuro dos ETFs de cripto no Brasil

Grayscale
Imagem: svetlichniy_igor / Shutterstock.com

Com a entrada de grandes gestoras, como Nu Asset, o mercado tende a se sofisticar. É esperado que novos ETFs com estratégias híbridas (spot + futuros), alavancados ou de setores específicos (como DeFi ou NFTs) comecem a ser lançados nos próximos anos.

O avanço da regulação e o interesse crescente da CVM e do Banco Central também sinalizam que o Brasil está disposto a se tornar um polo latino-americano de criptoativos regulados.

Conclusão

A escolha entre um ETF de cripto (spot) e um ETF de futuros depende diretamente do perfil do investidor, seus objetivos e seu entendimento sobre os riscos envolvidos. Ambos os produtos representam avanços importantes para democratizar o acesso aos criptoativos, cada um com suas particularidades.

Em um cenário de evolução constante das finanças digitais, o investidor brasileiro tem cada vez mais ferramentas ao alcance para construir uma carteira moderna, diversificada e alinhada com as tendências globais.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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