A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou na quarta-feira (2) uma nova resolução que proíbe uma série de atividades envolvendo lâmpadas fluorescentes de alta potência usadas em câmaras de bronzeamento artificial.
Bronzeamento artificial é alvo da Anvisa: entenda o que está proibido agora
Anvisa proíbe lâmpadas de bronzeamento artificial no Brasil. A medida visa proteger a população dos riscos do câncer de pele e outras doenças.
A decisão, que já está em vigor desde a data de sua publicação, busca reforçar a proteção à saúde pública diante dos riscos comprovados do uso desses dispositivos.
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Proibição abrange todos os setores envolvidos

O que está proibido a partir de agora
A resolução da Anvisa impede a fabricação, armazenamento, comercialização, importação, propaganda, distribuição e uso das lâmpadas específicas utilizadas em aparelhos de bronzeamento artificial estético.
Trata-se de um reforço à proibição já existente desde 2009, que vetou o funcionamento das câmaras de bronzeamento com fins estéticos no Brasil.
No entanto, segundo a própria Anvisa, o uso desses equipamentos ainda persiste de forma irregular em algumas regiões do país, o que motivou a ampliação das restrições.
“Apesar da proibição, o uso continua sendo aprovado em Assembleias Legislativas Estaduais e Municipais, em clara afronta à legislação nacional”, destacou a Agência.
Detalhes técnicos da proibição

Especificações das lâmpadas banidas
As lâmpadas agora proibidas são aquelas que:
- Emitem radiação ultravioleta do tipo UV-A (320 nm a 400 nm) e UV-B (280 nm a 320 nm);
- Têm potência entre 80 W e 180 W;
- Possuem comprimento entre 1,5 m e 2 m.
Essas características são comumente encontradas em lâmpadas destinadas ao uso em câmaras de bronzeamento, que operam com alta emissão de radiação ultravioleta para escurecimento artificial da pele.
Exceções à nova regra
Casos em que o uso ainda é permitido
A Anvisa ressalta que a proibição não se aplica a lâmpadas UV utilizadas exclusivamente para fins médicos e dermatológicos. Ou seja, os equipamentos utilizados sob supervisão clínica, em hospitais ou clínicas dermatológicas, estão isentos da medida.
Esse tipo de aplicação pode incluir, por exemplo:
- Tratamentos de psoríase;
- Vitiligo;
- Dermatite atópica, entre outras condições tratadas com radiação UV em ambientes controlados.
Riscos à saúde causados pelas lâmpadas de bronzeamento
Doenças e danos causados pela exposição à radiação UV
De acordo com a Anvisa, as lâmpadas de bronzeamento artificial podem causar uma série de efeitos adversos graves à saúde, com destaque para o aumento significativo no risco de câncer de pele. Veja os principais riscos:
Problemas dermatológicos
- Câncer de pele
- Envelhecimento precoce
- Queimaduras
- Feridas e cicatrizes
- Rugas profundas
- Perda de elasticidade cutânea
Complicações oculares
- Fotoqueratite (inflamação dolorosa da córnea)
- Inflamação da íris
- Fotoconjuntivite
- Catarata precoce
- Pterígio (crescimento anormal sobre a córnea)
- Carcinoma epidérmico da conjuntiva
Estudos científicos apontam que a radiação UV artificial emitida por essas lâmpadas é tão perigosa quanto a radiação solar, com potencial de dano ainda mais concentrado pela exposição intensa em períodos curtos.
Avaliação da OMS e apoio institucional à proibição
Relatório internacional embasou a decisão
A medida da Anvisa tem respaldo na Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), entidade vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), que classificou o uso de câmaras de bronzeamento como cancerígeno para humanos.
O relatório reconhece o bronzeamento artificial como um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de melanoma e outros tipos de câncer cutâneo.
Apoio de entidades médicas
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A resolução da Anvisa recebeu apoio imediato de entidades como a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ambas as instituições vêm alertando, há anos, sobre os riscos do bronzeamento artificial e a necessidade de reforço nas políticas públicas de saúde preventiva.
“É uma vitória da ciência e da saúde pública. As evidências são claras: não existe bronzeamento seguro com radiação artificial”, afirmou a SBD em nota oficial.
Descumprimento da norma e providências legais
Uso irregular continua sendo investigado
Mesmo com a proibição em vigor desde 2009, a Anvisa afirma que diversas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais ainda aprovam o uso desses equipamentos. A Agência classifica essas autorizações como ilegais e perigosas para a saúde pública, e informou que tomará medidas legais contra os responsáveis.
A partir de agora, qualquer tentativa de manutenção, venda ou reativação dessas lâmpadas poderá ser alvo de ações civis e criminais, além de sanções administrativas.
Entenda o que muda com a nova resolução
| Aspecto | Antes da Resolução | Após a Resolução da Anvisa |
|---|---|---|
| Câmaras de bronzeamento estético | Proibidas desde 2009 | Continua proibido |
| Lâmpadas de bronzeamento | Sem restrição direta à fabricação e comércio | Proibição completa de produção, comércio e uso |
| Uso médico controlado | Permitido | Continua permitido |
| Fiscalização | Pontual e pouco eficaz | Ação mais direta sobre fornecedores e fabricantes |
| Apoio institucional | Recomendado, mas sem força de lei | Aprovado por órgãos como SBD e INCA |
| Penalidades | Aplicadas a clínicas clandestinas | Estendidas a fabricantes, vendedores e usuários ilegais |
Próximos passos da Anvisa

Fiscalização e controle do mercado
A Anvisa informou que já está mapeando empresas que importam e comercializam esse tipo de lâmpada no Brasil, para garantir o cumprimento imediato da resolução. A fiscalização será intensificada nos pontos de entrada de produtos importados e também nas empresas nacionais que ainda possam fabricar ou distribuir essas lâmpadas.
Denúncias podem ser feitas pela população
Consumidores e profissionais de saúde que tenham conhecimento de uso ou comercialização clandestina das lâmpadas de bronzeamento podem realizar denúncias por meio dos canais oficiais da Anvisa e das Vigilâncias Sanitárias Estaduais e Municipais.
Considerações finais
A decisão da Anvisa de proibir totalmente as lâmpadas de bronzeamento artificial é mais um passo importante no combate ao câncer de pele e na proteção da população brasileira contra os riscos da radiação ultravioleta.
Mesmo com a proibição das câmaras desde 2009, a continuidade do uso clandestino desses equipamentos tornava urgente uma regulamentação mais rígida e abrangente.
Com o respaldo da comunidade científica, da OMS e de instituições nacionais de saúde, a medida fortalece as políticas de prevenção e pode salvar vidas a longo prazo, evitando doenças graves como o melanoma, envelhecimento precoce e danos permanentes à visão.
