A revolução silenciosa que a inteligência artificial está promovendo na saúde brasileira ganhou mais um capítulo importante com o lançamento das agentes virtuais Julia e Tais, da startup nacional Tivita.
As soluções foram apresentadas em um evento realizado no último dia 15 em São Paulo, com presença de investidores, líderes do setor e especialistas em tecnologia. A burocracia sempre foi um dos gargalos mais prejudiciais à eficiência do sistema de saúde, seja ele público ou privado.
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Agendamentos demorados, falhas na comunicação com operadoras, preenchimento manual de guias e processos repetitivos consomem tempo, recursos e paciência — tanto de pacientes quanto de profissionais.
Nesse cenário, a Tivita aposta em uma solução tecnológica e pragmática: agentes de inteligência artificial com capacidade de operar 24 horas por dia, sete dias por semana, assumindo tarefas burocráticas e liberando as equipes humanas para funções estratégicas.
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Julia e Tais: IA na linha de frente da automação

O que fazem as novas agentes da Tivita
Julia é a responsável pelos agendamentos médicos. Atuando como uma recepcionista digital, ela realiza marcações de consultas, responde dúvidas com empatia e linguagem natural e, segundo dados da empresa, consegue reduzir em até oito vezes o tempo médio de atendimento, além de aumentar em 20% a conversão de pacientes.
Tais, por sua vez, atua no setor de faturamento médico. Ela automatiza processos como emissão de guias, envio e conferência de documentos com operadoras, sendo 75 vezes mais rápida do que os métodos tradicionais — o que representa uma economia de mais de 200 horas de trabalho humano.
Ambas as IAs estão integradas diretamente à plataforma da Tivita e já operam com grandes operadoras de saúde, como Bradesco Saúde, SulAmérica, Amil, Porto Seguro e CarePlus.
“Com os agentes digitais da Tivita, clínicas passam a contar com colaboradores que operam 24/7, sem pausas, com padronização e rastreabilidade”, afirma Claudio Franco, CEO e cofundador da startup.
Como funciona a integração com operadoras
Os agentes virtuais foram desenvolvidos com base em APIs e protocolos de interoperabilidade médica que permitem comunicação direta com os sistemas das operadoras.
Isso garante não apenas agilidade nos processos, mas também maior confiabilidade e rastreabilidade, eliminando erros manuais comuns no dia a dia hospitalar.
Impacto econômico da automação no setor de saúde
Menos desperdício, mais eficiência
Um levantamento interno da Tivita mostra que clínicas e consultórios que adotaram Julia e Tais conseguiram:
- Reduzir em 70% o tempo de espera para agendamentos;
- Eliminar falhas humanas em até 90% dos processos de faturamento;
- Liberar funcionários para tarefas estratégicas, como atendimento humanizado e planejamento.
A economia direta de horas de trabalho também representa um impacto financeiro relevante, especialmente para pequenas e médias clínicas que não possuem estrutura robusta para lidar com a complexidade dos convênios médicos.
Inteligência artificial e o futuro da saúde latino-americana
Debate sobre competitividade regional
Durante o evento de lançamento, foi promovido um painel intitulado “IA e competitividade na América Latina”, que reuniu especialistas para discutir como a adoção precoce de tecnologias disruptivas pode ser um diferencial.
Carlos Alonso, da FinTech Collective, destacou que a IA não é apenas uma ferramenta de redução de custos, mas sim um elemento estrutural para transformação de modelos de negócio:
“As startups que estão apostando em inteligência artificial desde já estão construindo uma vantagem competitiva estrutural. A IA, quando aplicada com precisão, muda não só o custo operacional, mas a lógica do negócio.”
Como a IA pode reconfigurar o trabalho nos hospitais
Redefinindo funções humanas
Com as máquinas assumindo atividades repetitivas, os profissionais de saúde poderão focar em decisões clínicas, atendimento humanizado e gestão estratégica. A IA, nesse contexto, não substitui médicos ou enfermeiros, mas amplia sua capacidade de atuação.
Especialistas também apontam que o avanço tecnológico exige requalificação profissional, especialmente em áreas administrativas. Conhecimentos em tecnologia, interpretação de dados e gestão digital passam a ser diferenciais no currículo dos novos gestores hospitalares.
Desafios para a expansão da tecnologia
Barreiras culturais e regulatórias
Apesar dos avanços, a adoção de IA na saúde enfrenta desafios. Entre os principais obstáculos estão:
- Resistência cultural por parte de profissionais que temem substituição;
- Falta de padronização nos sistemas de saúde, dificultando a integração;
- Necessidade de adequação à LGPD e a outras normas de privacidade.
Contudo, iniciativas como a da Tivita mostram que, com projeto sólido, segurança de dados e valor agregado claro, essas barreiras podem ser superadas.
Papel das startups no ecossistema de saúde

Inovação como motor de transformação
A Tivita representa uma nova geração de startups brasileiras que não apenas identificam lacunas na saúde, mas propõem soluções escaláveis e alinhadas com as demandas do setor.
Fundada com o objetivo de digitalizar processos hospitalares, a empresa vem construindo uma reputação sólida ao unir expertise técnica com sensibilidade operacional. Com as novas agentes digitais, ela dá um passo importante rumo à consolidação de um modelo de gestão baseado em automação, eficiência e inteligência de dados.
Conclusão: IA como aliada estratégica na saúde brasileira
A chegada de Julia e Tais aos hospitais brasileiros marca um momento significativo na digitalização da saúde. Longe de serem apenas “robôs administrativos”, essas agentes representam uma nova forma de pensar a operação hospitalar, com foco em agilidade, precisão e cuidado com o paciente.
A tendência é clara: clínicas e hospitais que adotarem soluções baseadas em inteligência artificial sairão na frente, tanto em eficiência operacional quanto em experiência do usuário. Resta saber quem está pronto para embarcar nessa transformação.
Imagem: Natali _ Mis / Shutterstock

