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Rio aposta em inteligência artificial para segurança com 20 mil câmeras até 2028

Avatar de Ellen D'Alessandro Ellen D'Alessandro · · 5 min de leitura
Bancos cruzam dados do Pix com Receita para combater fraude

A cidade do Rio de Janeiro está prestes a se transformar em um dos maiores polos de monitoramento urbano com o uso de inteligência artificial (IA) no Brasil.

A Prefeitura anunciou que até 2028 serão instaladas 20 mil câmeras com tecnologia de IA, integradas ao sistema Civitas — Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública. Sendo assim, acompanhe a leitura deste artigo a seguir para entender mais sobre a iniciativa carioca.

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O que é o projeto Civitas?

imagem de câmera escondida em persianas brancas
Imagem: Yevhen Prozhyrko / shutterstock.com

Uma iniciativa municipal de segurança inteligente

Lançado em junho de 2024, o Civitas é uma iniciativa da Prefeitura do Rio para integrar diferentes tecnologias e dados em tempo real, fortalecendo o combate à criminalidade e o apoio a investigações.

O projeto é operado dentro do Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR-Rio) e atua em parceria com diversas forças de segurança, como a Polícia Militar e a Polícia Civil.

Quais tecnologias estão envolvidas?

O Civitas conta com recursos como:

  • Câmeras com reconhecimento facial;
  • Leitura automática de placas (OCR);
  • Identificação de padrões suspeitos por IA;
  • Mapas de calor de atividades criminosas;
  • Cruzamento de dados em tempo real com múltiplas fontes.

Inteligência artificial Íris: o cérebro do sistema

Como funciona a Íris?

Desenvolvida pela própria Prefeitura, a IA Íris é responsável por interpretar os dados coletados pelas câmeras e outras fontes. Ela é capaz de:

  • Reconhecer rostos e objetos com base em critérios como cor da roupa ou modelo do veículo;
  • Identificar atitudes suspeitas e aglomerações;
  • Analisar dados em até 10 segundos;
  • Prever possíveis riscos com base em padrões anteriores.

Fontes de dados integradas

Para alimentar sua base de informações, a Íris coleta dados de:

  • Disque Denúncia;
  • Central 1746;
  • Instituto Fogo Cruzado;
  • Data Lake da Prefeitura (com dados de 20 secretarias);
  • Câmeras e sensores inteligentes espalhados pela cidade.

Expansão faseada até 2028

Etapas do crescimento da malha de vigilância

Atualmente, o Rio possui cerca de 5.500 câmeras instaladas. A ampliação ocorrerá em etapas:

  • Até o final de 2025: 8.900 câmeras;
  • Até o Carnaval de 2026: 9.300 câmeras;
  • Meta final para 2028: 20.000 câmeras.

Critérios de instalação

As novas câmeras serão distribuídas com base em:

  • Manchas criminais mapeadas pelas forças de segurança;
  • Áreas com vulnerabilidade tecnológica;
  • Locais de grande circulação, como a Avenida Brasil.

Parques como o da Tijuca e o da Pedra Branca ficarão de fora, segundo decisão da Prefeitura, para preservar o meio ambiente.

Fronteiras Digitais: barreiras invisíveis contra o crime

O que são os portais de vigilância?

Nas divisas da cidade, serão instalados os chamados portais Fronteiras Digitais, que permitirão:

  • Detecção automática de placas clonadas;
  • Identificação de movimentações atípicas de carros e pessoas;
  • Cruzamento de dados em tempo real para antecipar possíveis ameaças.

Como eles ajudam na segurança?

Esses portais funcionam como barreiras tecnológicas invisíveis, alertando as autoridades sobre entradas e saídas suspeitas do município, ampliando o controle territorial e dificultando a ação de criminosos.

Resultados já obtidos com o Civitas

Dados divulgados pela Prefeitura

Desde sua implementação, o projeto Civitas já apresenta números expressivos:

  • 160 mil alertas emitidos em tempo real;
  • 6,1 milhões de placas lidas diariamente;
  • Mais de 2 mil inquéritos e operações apoiadas pela tecnologia.

Parceria com o Disque Denúncia

Com a integração ao Civitas, o Disque Denúncia teve impacto direto:

  • Aumento de 40% nas denúncias anônimas no estado;
  • Crescimento de 58,5% em denúncias de violência contra a mulher;
  • Crescimento de 38% em denúncias no município do Rio.

Além disso, a ampliação do atendimento para 24 horas evitou a perda de mais de 20 mil denúncias importantes.

Promessa da IA para o futuro da segurança urbana

Quatro pilares do monitoramento com IA

De acordo com os idealizadores do sistema, o monitoramento por inteligência artificial se baseia em quatro princípios:

  1. Identificar: mesmo sem informações completas;
  2. Rastrear: circulações suspeitas pela cidade;
  3. Conectar: cruzamento de dados de múltiplas fontes;
  4. Antecipar: riscos com base em comportamentos anteriores.

Declarações oficiais

“Ela revela padrões, reconhece rostos, detecta atitudes suspeitas. Cria um mapa de calor para entender onde o crime acontece”, disse Davi Carreiro, chefe executivo do Civitas.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, o uso intensivo de tecnologia deve “colocar o Rio entre as cidades mais inteligentes do mundo em segurança pública”.

Desafios e debates em torno do uso de IA

IA inteligência artificial
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Questões de privacidade

Apesar dos benefícios evidentes, o projeto também levanta preocupações com a privacidade dos cidadãos, especialmente com o uso de reconhecimento facial e o cruzamento de dados pessoais.

Organizações da sociedade civil pedem maior transparência sobre os critérios de armazenamento e uso das imagens, bem como auditorias independentes sobre o funcionamento da IA.

Sustentabilidade e manutenção

Outro desafio será o custo de manutenção e atualização contínua dos equipamentos e softwares. Segundo especialistas, a longevidade do sistema depende de investimentos permanentes em infraestrutura digital e capacitação de profissionais.

Conclusão

O projeto de expansão do sistema Civitas com inteligência artificial representa um marco na transformação digital da segurança pública do Rio de Janeiro.

Com 20 mil câmeras previstas até 2028, a cidade aposta em tecnologia de ponta para combater a criminalidade, antecipar riscos e garantir mais segurança à população. No entanto, é fundamental que a inovação venha acompanhada de políticas de transparência, proteção de dados e participação social.

Imagem: rawpixel.com / Freepik

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