A cidade do Rio de Janeiro está prestes a se transformar em um dos maiores polos de monitoramento urbano com o uso de inteligência artificial (IA) no Brasil.
Rio aposta em inteligência artificial para segurança com 20 mil câmeras até 2028
Prefeitura do Rio aposta em IA para ampliar segurança com 20 mil câmeras. Veja como o projeto Civitas vai funcionar.
A Prefeitura anunciou que até 2028 serão instaladas 20 mil câmeras com tecnologia de IA, integradas ao sistema Civitas — Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública. Sendo assim, acompanhe a leitura deste artigo a seguir para entender mais sobre a iniciativa carioca.
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O que é o projeto Civitas?

Uma iniciativa municipal de segurança inteligente
Lançado em junho de 2024, o Civitas é uma iniciativa da Prefeitura do Rio para integrar diferentes tecnologias e dados em tempo real, fortalecendo o combate à criminalidade e o apoio a investigações.
O projeto é operado dentro do Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR-Rio) e atua em parceria com diversas forças de segurança, como a Polícia Militar e a Polícia Civil.
Quais tecnologias estão envolvidas?
O Civitas conta com recursos como:
- Câmeras com reconhecimento facial;
- Leitura automática de placas (OCR);
- Identificação de padrões suspeitos por IA;
- Mapas de calor de atividades criminosas;
- Cruzamento de dados em tempo real com múltiplas fontes.
Inteligência artificial Íris: o cérebro do sistema
Como funciona a Íris?
Desenvolvida pela própria Prefeitura, a IA Íris é responsável por interpretar os dados coletados pelas câmeras e outras fontes. Ela é capaz de:
- Reconhecer rostos e objetos com base em critérios como cor da roupa ou modelo do veículo;
- Identificar atitudes suspeitas e aglomerações;
- Analisar dados em até 10 segundos;
- Prever possíveis riscos com base em padrões anteriores.
Fontes de dados integradas
Para alimentar sua base de informações, a Íris coleta dados de:
- Disque Denúncia;
- Central 1746;
- Instituto Fogo Cruzado;
- Data Lake da Prefeitura (com dados de 20 secretarias);
- Câmeras e sensores inteligentes espalhados pela cidade.
Expansão faseada até 2028
Etapas do crescimento da malha de vigilância
Atualmente, o Rio possui cerca de 5.500 câmeras instaladas. A ampliação ocorrerá em etapas:
- Até o final de 2025: 8.900 câmeras;
- Até o Carnaval de 2026: 9.300 câmeras;
- Meta final para 2028: 20.000 câmeras.
Critérios de instalação
As novas câmeras serão distribuídas com base em:
- Manchas criminais mapeadas pelas forças de segurança;
- Áreas com vulnerabilidade tecnológica;
- Locais de grande circulação, como a Avenida Brasil.
Parques como o da Tijuca e o da Pedra Branca ficarão de fora, segundo decisão da Prefeitura, para preservar o meio ambiente.
Fronteiras Digitais: barreiras invisíveis contra o crime
O que são os portais de vigilância?
Nas divisas da cidade, serão instalados os chamados portais Fronteiras Digitais, que permitirão:
- Detecção automática de placas clonadas;
- Identificação de movimentações atípicas de carros e pessoas;
- Cruzamento de dados em tempo real para antecipar possíveis ameaças.
Como eles ajudam na segurança?
Esses portais funcionam como barreiras tecnológicas invisíveis, alertando as autoridades sobre entradas e saídas suspeitas do município, ampliando o controle territorial e dificultando a ação de criminosos.
Resultados já obtidos com o Civitas
Dados divulgados pela Prefeitura
Desde sua implementação, o projeto Civitas já apresenta números expressivos:
- 160 mil alertas emitidos em tempo real;
- 6,1 milhões de placas lidas diariamente;
- Mais de 2 mil inquéritos e operações apoiadas pela tecnologia.
Parceria com o Disque Denúncia
Com a integração ao Civitas, o Disque Denúncia teve impacto direto:
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- Aumento de 40% nas denúncias anônimas no estado;
- Crescimento de 58,5% em denúncias de violência contra a mulher;
- Crescimento de 38% em denúncias no município do Rio.
Além disso, a ampliação do atendimento para 24 horas evitou a perda de mais de 20 mil denúncias importantes.
Promessa da IA para o futuro da segurança urbana
Quatro pilares do monitoramento com IA
De acordo com os idealizadores do sistema, o monitoramento por inteligência artificial se baseia em quatro princípios:
- Identificar: mesmo sem informações completas;
- Rastrear: circulações suspeitas pela cidade;
- Conectar: cruzamento de dados de múltiplas fontes;
- Antecipar: riscos com base em comportamentos anteriores.
Declarações oficiais
“Ela revela padrões, reconhece rostos, detecta atitudes suspeitas. Cria um mapa de calor para entender onde o crime acontece”, disse Davi Carreiro, chefe executivo do Civitas.
Segundo o prefeito Eduardo Paes, o uso intensivo de tecnologia deve “colocar o Rio entre as cidades mais inteligentes do mundo em segurança pública”.
Desafios e debates em torno do uso de IA

Questões de privacidade
Apesar dos benefícios evidentes, o projeto também levanta preocupações com a privacidade dos cidadãos, especialmente com o uso de reconhecimento facial e o cruzamento de dados pessoais.
Organizações da sociedade civil pedem maior transparência sobre os critérios de armazenamento e uso das imagens, bem como auditorias independentes sobre o funcionamento da IA.
Sustentabilidade e manutenção
Outro desafio será o custo de manutenção e atualização contínua dos equipamentos e softwares. Segundo especialistas, a longevidade do sistema depende de investimentos permanentes em infraestrutura digital e capacitação de profissionais.
Conclusão
O projeto de expansão do sistema Civitas com inteligência artificial representa um marco na transformação digital da segurança pública do Rio de Janeiro.
Com 20 mil câmeras previstas até 2028, a cidade aposta em tecnologia de ponta para combater a criminalidade, antecipar riscos e garantir mais segurança à população. No entanto, é fundamental que a inovação venha acompanhada de políticas de transparência, proteção de dados e participação social.
Imagem: rawpixel.com / Freepik
