Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Song Pro Flex marca nova fase da BYD com autonomia de até 1.105 km

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 10 min de leitura
BYD

A próxima fase da BYD no Brasil passa por uma tecnologia que vai além dos carros elétricos. Depois de conquistar espaço com modelos 100% elétricos e híbridos plug-in, a montadora chinesa aposta agora nos veículos híbridos flex, capazes de utilizar gasolina ou etanol e, ao mesmo tempo, aproveitar a propulsão elétrica.

A estratégia coloca o combustível brasileiro no centro da expansão da marca. O novo Song Pro Híbrido Flex Fuel é um dos principais exemplos dessa mudança e combina motor a combustão, bateria recarregável e sistema elétrico.

A aposta ocorre em um momento de forte crescimento dos veículos eletrificados no país e pode ajudar a BYD a alcançar consumidores que ainda têm receio de migrar completamente para um carro elétrico.

Leia mais:

Bolsa Família paga mínimo de R$ 600 e adicionais podem elevar valor a R$ 850

Por que a BYD está apostando no etanol?

BYD
Imagem: LewisTsePuiLung / iStockBYD

O mercado brasileiro tem uma característica que diferencia o país de boa parte do mundo: a presença consolidada do etanol na matriz de combustíveis.

Para a BYD, aproveitar essa estrutura permite oferecer um carro eletrificado sem exigir que o consumidor abandone completamente o abastecimento convencional.

A estratégia ganha relevância diante do avanço dos híbridos. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) citados pela Forbes, mais de 187 mil veículos híbridos foram emplacados no Brasil entre janeiro e julho de 2026, contra 100.518 no mesmo período de 2025.

O crescimento de aproximadamente 86% mostra que existe espaço para modelos que combinem eletrificação com motor a combustão.

Como funciona o híbrido flex da BYD?

O Song Pro Híbrido Flex utiliza a tecnologia DM-i 5.0 e um motor 1.5 de ciclo Atkinson.

O sistema combina o propulsor a combustão com um motor elétrico e uma bateria que pode ser recarregada externamente. Dependendo da situação, o veículo pode utilizar prioritariamente a energia elétrica ou acionar o motor a combustão.

O motor 1.5 entrega 72 kW de potência e 126 Nm de torque. A nova geração também aumentou a eficiência térmica do motor para 46,06%, contra 43,04% da geração anterior.

Na prática, a proposta é aproveitar o motor elétrico sempre que possível e utilizar o propulsor flex como complemento ou fonte de energia quando necessário.

Isso permite que o motorista tenha diferentes possibilidades de utilização:

  • condução predominantemente elétrica em trajetos curtos;
  • recarga da bateria em casa ou em estações;
  • abastecimento com etanol;
  • abastecimento com gasolina;
  • combinação entre motor elétrico e motor a combustão em viagens.

Qual é a autonomia do BYD Song Pro?

A autonomia depende da versão e do combustível utilizado.

De acordo com os dados divulgados pela fabricante, no ciclo NEDC a versão GS pode alcançar até 1.105 quilômetros com gasolina. Na versão GL, o número chega a 1.075 quilômetros.

Com etanol, a autonomia informada é de até 805 quilômetros na configuração GS e 775 quilômetros na GL.

A autonomia exclusivamente elétrica também varia entre as versões. A GS utiliza uma bateria Blade de 18,3 kWh e pode percorrer até 72 quilômetros no modo elétrico segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV).

Na versão GL, equipada com bateria de 13,1 kWh, o alcance elétrico chega a 57 quilômetros.

Para quem utiliza o veículo principalmente na cidade e possui onde recarregar a bateria, essa característica pode reduzir bastante a necessidade de utilizar o motor a combustão no dia a dia.

O que muda para quem usa etanol?

A principal diferença está na possibilidade de utilizar um combustível que já faz parte da rotina dos motoristas brasileiros.

Em um carro 100% elétrico, o motorista depende da recarga da bateria. Em um híbrido plug-in flex, a tomada continua sendo uma opção importante, mas existe uma alternativa quando a bateria está baixa ou quando o motorista precisa fazer uma viagem longa.

O etanol, portanto, funciona como uma espécie de complemento à eletrificação.

Essa característica pode ser particularmente interessante para consumidores que circulam diariamente na cidade, mas fazem viagens frequentes para regiões onde a infraestrutura de carregamento ainda é limitada.

Governo também incentiva híbridos flex

A aposta da BYD acontece em paralelo a mudanças na política industrial brasileira.

O programa Mover, criado pelo governo federal para estimular a modernização e a descarbonização da indústria automotiva, estabelece critérios de eficiência energética e emissões para os veículos.

Dentro da regulamentação do chamado Carro Sustentável, determinados veículos híbridos flex-fuel ou movidos a etanol podem receber redução na alíquota-base do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A redução varia de acordo com a tecnologia. Híbridos plug-in flex-fuel ou a etanol têm redução de dois pontos percentuais na alíquota-base do IPI, enquanto híbridos completos flex-fuel ou a etanol têm redução de 1,5 ponto percentual. Híbridos leves recebem redução de um ponto percentual.

O benefício está condicionado ao atendimento dos critérios estabelecidos pelo programa.

BYD amplia linha de híbridos flex

O Song Pro não deve ser tratado como um projeto isolado.

A BYD também apresentou o Atto 2 DM-i Flex, primeiro SUV compacto híbrido plug-in flex da marca.

O modelo utiliza motor 1.5, bateria Blade e a tecnologia DualMode 5.0. Segundo a fabricante, a versão GS pode entregar até 197 cv de potência combinada, enquanto a GL chega a 177 cv.

A chegada de mais de um modelo com a mesma tecnologia indica que a empresa pretende ampliar gradualmente a presença dos híbridos flex no mercado nacional.

Em vez de manter o etanol restrito a um único veículo, a BYD começa a construir uma linha baseada na combinação entre combustível renovável e eletrificação.

Quanto custa o BYD Song Pro Híbrido Flex?

O Song Pro Híbrido Flex está disponível em duas configurações.

A versão GL parte de R$ 176.990, enquanto a GS tem preço inicial de R$ 199.990.

Entre os equipamentos oferecidos estão recursos de assistência ao motorista, como controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência, alerta de mudança de faixa e assistência de permanência em faixa.

A versão GS adiciona recursos como monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro e frenagem de emergência em tráfego cruzado.

As duas configurações contam com seis airbags.

A garantia informada pela BYD é de seis anos ou 200 mil quilômetros para o veículo. Para a bateria Blade, a cobertura chega a oito anos ou 200 mil quilômetros.

A fábrica da BYD em Camaçari é parte importante do projeto

A estratégia dos híbridos flex também está ligada à expansão da produção nacional.

A fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, já realiza a montagem de veículos como Dolphin Mini, King e Song Pro. A empresa pretende ampliar progressivamente o nível de produção local, incorporando etapas como soldagem, pintura e estamparia.

O complexo recebeu investimento de R$ 5,5 bilhões e possui capacidade inicial projetada de 150 mil veículos por ano, com possibilidade de expansão.

A produção brasileira pode reduzir a dependência de veículos importados e, ao mesmo tempo, permitir que a BYD desenvolva produtos mais adaptados às características do mercado nacional.

Por que o Brasil é estratégico para a BYD?

O Brasil reúne alguns elementos que favorecem a estratégia da fabricante chinesa.

O país possui um mercado automotivo grande, uma rede ampla de postos de combustíveis, produção consolidada de etanol e uma indústria automobilística estabelecida.

Além disso, o consumidor brasileiro já está acostumado com veículos flex.

Isso cria uma oportunidade diferente daquela encontrada em mercados onde a transição para os veículos elétricos acontece principalmente pela substituição direta do motor a combustão por um sistema totalmente elétrico.

A BYD pode, portanto, utilizar uma tecnologia intermediária para acelerar a adoção da eletrificação.

Híbrido flex pode ser alternativa ao carro 100% elétrico?

A tecnologia não necessariamente substitui o carro elétrico. Ela atende a um perfil diferente de consumidor.

Quem possui acesso fácil a carregadores e utiliza o carro predominantemente em trajetos urbanos pode preferir um modelo 100% elétrico.

Já quem realiza viagens longas com frequência ou mora em uma região com infraestrutura de recarga mais limitada pode encontrar no híbrido plug-in uma alternativa mais conveniente.

O híbrido flex também reduz a chamada ansiedade de autonomia, já que o motorista pode recorrer ao abastecimento convencional caso não encontre um ponto de recarga.

Para a BYD, essa flexibilidade pode ser decisiva para conquistar consumidores que ainda não estão preparados para fazer a transição completa para a eletrificação.

O etanol pode virar uma vantagem competitiva?

É justamente essa possibilidade que torna a estratégia brasileira da BYD diferente.

A empresa pode utilizar uma tecnologia desenvolvida para o mercado global e adaptá-la a uma característica específica do Brasil.

O resultado é um carro que não depende exclusivamente de uma única fonte de energia. O motorista pode aproveitar a eletricidade para os deslocamentos cotidianos e utilizar etanol ou gasolina em situações que exigem maior autonomia.

A combinação também acompanha uma política pública que passou a valorizar eficiência energética, redução de emissões e uso de combustíveis renováveis.

Ainda será necessário observar como os consumidores responderão aos preços, custos de manutenção, consumo real e infraestrutura de carregamento. Esses fatores serão determinantes para medir o sucesso da tecnologia.

O que esperar dos próximos lançamentos?

BYD
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A tendência é que a estratégia de eletrificação da BYD no Brasil fique cada vez mais diversificada.

A empresa já possui modelos elétricos, híbridos plug-in e, agora, veículos híbridos flex. Com a ampliação da produção em Camaçari, a expectativa é de que novos produtos sejam adaptados às características brasileiras.

Isso pode aumentar a concorrência em segmentos como SUVs compactos, SUVs médios e sedãs.

Para o consumidor, a consequência é uma oferta maior de tecnologias e, potencialmente, uma disputa mais intensa entre as fabricantes por preço, autonomia, eficiência e equipamentos.

Conclusão

A nova fase da BYD no Brasil mostra que a eletrificação não precisa significar o abandono imediato do combustível líquido.

Ao incorporar o etanol aos seus sistemas híbridos plug-in, a fabricante chinesa tenta combinar duas características que já fazem parte do mercado brasileiro: a forte presença do combustível renovável e o avanço dos veículos elétricos.

O Song Pro Híbrido Flex é um dos principais representantes dessa estratégia, mas o lançamento do Atto 2 indica que a tecnologia pode chegar a uma parcela maior da linha da marca.

Ao mesmo tempo, a expansão da fábrica de Camaçari reforça a intenção da BYD de aumentar sua presença industrial no país.

Para o consumidor, a principal vantagem está na flexibilidade: usar eletricidade nos trajetos cotidianos, mas contar com gasolina ou etanol quando a viagem exigir mais autonomia. Para a BYD, o etanol pode ser justamente a ponte entre os carros eletrificados e um mercado que ainda depende fortemente dos combustíveis tradicionais.

Compartilhar