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C&A sobe 5,73% na Bolsa mesmo após registrar queda de 23,3% no lucro

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 7 min de leitura
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As ações da C&A (CEAB3) avançaram mais de 5% na manhã de quinta-feira (5), após a divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026. Mesmo com a redução do lucro líquido ajustado, o desempenho da varejista superou algumas projeções do mercado e levou instituições financeiras a manterem uma avaliação positiva sobre os papéis da companhia.

Às 10h38, os ativos eram negociados a R$ 7,20, com valorização de 5,73%. O movimento ocorreu em meio à análise dos resultados por bancos e corretoras, que identificaram sinais de melhora na rentabilidade, mas também apontaram dificuldades relacionadas ao ritmo de vendas, ao consumo e ao volume de mercadorias armazenadas.

A XP Investimentos e o Itaú BBA mantiveram recomendação de compra para as ações. As instituições, entretanto, destacaram que a recuperação da empresa dependerá da evolução das vendas, da redução dos estoques e de um ambiente econômico mais favorável ao varejo.

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Como foi o resultado financeiro da C&A no terceiro trimestre?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Entre julho e setembro de 2026, a C&A registrou lucro líquido ajustado de R$ 56,5 milhões, uma redução de 23,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar da queda, o resultado ficou acima das expectativas de parte dos analistas.

A receita líquida alcançou R$ 1,88 bilhão, crescimento de 2,3% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Já o lucro líquido contábil chegou a R$ 170,3 milhões, avanço de 145,1%, impulsionado principalmente pelo reconhecimento de créditos fiscais de PIS e Cofins.

A diferença entre os dois indicadores está relacionada aos critérios utilizados no cálculo. O lucro ajustado desconsidera créditos tributários e outros efeitos considerados não recorrentes, oferecendo uma visão mais próxima do desempenho operacional habitual da companhia.

Outro indicador que apresentou retração foi o EBITDA, que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. O indicador somou R$ 317,6 milhões, queda de 4,7% na comparação anual.

Vendas nas lojas desaceleram e preocupam analistas

Um dos principais pontos de atenção do balanço foi o desempenho das lojas físicas. As vendas de vestuário em unidades abertas há pelo menos 12 meses cresceram apenas 1% no terceiro trimestre, enquanto, no mesmo intervalo de 2025, a expansão havia sido de 8,1%.

O indicador, conhecido como vendas mesmas lojas, permite avaliar o desempenho comercial sem considerar o crescimento da rede por meio de novas unidades. A desaceleração indica que a companhia encontrou dificuldades para ampliar as vendas em estabelecimentos que já estavam em funcionamento.

Na avaliação do Itaú BBA, parte desse resultado foi influenciada pelas reformas realizadas em 18 lojas. Segundo os analistas, as intervenções retiraram aproximadamente um ponto percentual do crescimento das vendas nas mesmas unidades. Sem esse impacto, a expansão poderia ter chegado a 2%.

A expectativa é que a conclusão das obras contribua para melhorar o desempenho comercial nos próximos meses. Oito unidades reformadas foram reabertas no encerramento do terceiro trimestre, enquanto outras dez tinham retorno previsto para o início do quarto trimestre.

XP identifica melhora na margem de vestuário

Embora tenha classificado o trimestre como fraco, a XP avaliou que os números foram melhores do que suas próprias estimativas. Um dos destaques foi a evolução da margem bruta do segmento de vestuário, que chegou a 56%, avanço de 0,6 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

A melhora foi associada a iniciativas de precificação, maior assertividade das coleções, aprimoramentos logísticos e efeitos cambiais favoráveis. O desempenho também contou com a contribuição das receitas do C&A Pay, serviço financeiro oferecido pela varejista.

De acordo com a corretora, esses fatores ajudaram a compensar o aumento das despesas comerciais. Os gastos foram pressionados por investimentos em campanhas relacionadas aos 50 anos da marca e à participação no Rock in Rio.

Com isso, o EBITDA ajustado ficou 11% acima da estimativa da XP, embora tenha apresentado retração anual. Para os analistas, a evolução da rentabilidade é um dos elementos que sustentam uma perspectiva mais favorável para a companhia.

Estoques elevados e consumo fraco continuam no radar

Apesar dos sinais positivos, a situação dos estoques permanece como uma das principais preocupações dos analistas. O prazo médio de permanência das mercadorias aumentou 16 dias em relação ao terceiro trimestre de 2025.

Na prática, isso significa que os produtos estão levando mais tempo para serem vendidos. Quando o estoque permanece elevado, a empresa mantém mais recursos financeiros comprometidos em mercadorias, o que pode aumentar a necessidade de capital de giro e pressionar a geração de caixa.

O cenário também exige atenção diante do comportamento do consumidor brasileiro. O Itaú BBA identificou sinais de enfraquecimento do consumo de vestuário em outubro e avalia que a desaceleração econômica pode dificultar o desempenho da varejista no encerramento do ano.

Outro ponto foi a redução do fluxo de caixa livre ajustado, que caiu 24,6%, para R$ 184 milhões. O resultado foi influenciado pela menor geração de caixa operacional e pelo aumento dos investimentos realizados no período.

Itaú BBA mantém preço-alvo de R$ 17 para CEAB3

Mesmo diante dos desafios operacionais, o Itaú BBA manteve recomendação de compra para as ações da C&A e preservou o preço-alvo de R$ 17 para o final de 2027.

Considerando a cotação de R$ 7,20 registrada na manhã de quinta-feira (5), a estimativa representava um potencial de valorização de aproximadamente 136%.

A avaliação do banco considera que os papéis apresentam preços atrativos em relação aos lucros projetados. Os analistas também apontaram que uma eventual distribuição de dividendos ou a realização de novos programas de recompra de ações poderia favorecer o desempenho dos ativos.

A XP também manteve recomendação de compra. A corretora considera que a recuperação das margens e a contribuição do C&A Pay ajudam a sustentar uma perspectiva positiva, embora reconheça os obstáculos relacionados às vendas e aos estoques.

As recomendações representam avaliações das instituições financeiras e não garantem valorização futura dos papéis. O desempenho das ações dependerá dos resultados efetivamente apresentados pela companhia e das condições do mercado.

O que esperar da C&A no quarto trimestre de 2026?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A expectativa dos analistas está concentrada na possibilidade de recuperação das vendas durante o quarto trimestre, período que inclui datas comercialmente relevantes, como a Black Friday e o Natal.

A reabertura das lojas reformadas poderá contribuir para melhorar o fluxo de consumidores e reduzir os impactos negativos observados no trimestre anterior. A companhia também informou ter identificado uma inflexão no tráfego de clientes a partir de meados de setembro.

Outro elemento acompanhado pelo mercado é a evolução da operação digital. As vendas online cresceram 27,6% na comparação anual e passaram a representar 8% das vendas de mercadorias, avanço de 1,6 ponto percentual.

A empresa também apresentou a estratégia Full Power, que orientará seu ciclo de negócios entre 2027 e 2030. O plano prevê uma abordagem disciplinada de investimentos, aprimoramento da estrutura logística e continuidade das iniciativas de modernização da operação.

O desafio será transformar esses investimentos em crescimento consistente das vendas e rentabilidade. Para os investidores, os próximos resultados deverão mostrar se a melhora das margens será suficiente para compensar a desaceleração do consumo e a pressão dos estoques.

Conclusão

O balanço do terceiro trimestre mostrou que a C&A ainda enfrenta dificuldades para acelerar as vendas, mas também apresentou sinais de melhora na rentabilidade e no desempenho da operação digital. A manutenção das recomendações de compra pela XP e pelo Itaú BBA indica que os analistas enxergam potencial de recuperação para a varejista, apesar dos riscos existentes.

Agora, a atenção do mercado se volta para o quarto trimestre, quando a Black Friday e as vendas de Natal poderão ajudar a impulsionar os resultados. A capacidade de reduzir os estoques, recuperar o ritmo de consumo e sustentar as margens será determinante para definir os próximos passos das ações CEAB3.

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