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Nova regra do CadÚnico afeta 108 mil pessoas que moram sozinhas no Recife

Famílias unipessoais poderão atualizar o CadÚnico sem visita domiciliar até 2027. Veja regras, benefícios e como atualizar os dados.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Nova regra do CadÚnico afeta 108 mil pessoas que moram sozinhas no Recife

Milhares de brasileiros que vivem sozinhos e estão inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) passaram a contar com uma mudança importante nas regras de atualização cadastral. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) suspendeu temporariamente a exigência de entrevista domiciliar para famílias unipessoais que precisam atualizar seus dados.

A alteração beneficia principalmente pessoas que já recebem programas sociais e tinham dificuldades para cumprir a exigência da visita em casa. A medida tem impacto direto sobre beneficiários de programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

No Recife, por exemplo, mais de 108 mil famílias unipessoais estão cadastradas no sistema. Dessas, cerca de 46 mil já haviam atualizado as informações entre junho de 2025 e junho de 2026, segundo dados apresentados pela gestão municipal.

A flexibilização terá validade até julho de 2027 e busca evitar que a ausência da visita domiciliar impeça a regularização do cadastro ou cause problemas na continuidade de benefícios sociais.

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CadÚnico
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O que muda para famílias que moram sozinhas no CadÚnico

As famílias unipessoais são aquelas formadas por apenas uma pessoa. Antes da mudança, a atualização cadastral desses grupos exigia, em determinadas situações, uma entrevista realizada no endereço informado pelo beneficiário.

Com a nova regra, a atualização poderá ser feita pelos canais tradicionais de atendimento do Cadastro Único, sem que a visita domiciliar seja uma condição obrigatória para manter os dados atualizados.

Na prática, o cidadão que já está cadastrado poderá procurar os postos de atendimento responsáveis pelo CadÚnico e realizar a atualização normalmente, seguindo os procedimentos definidos pelos municípios.

A mudança representa uma tentativa de reduzir barreiras de acesso para pessoas que dependem de políticas públicas e enfrentam dificuldades de deslocamento, comunicação ou atendimento presencial prolongado.

Suspensão da visita domiciliar não vale para todos os casos

Apesar da flexibilização, a entrevista em domicílio continua sendo exigida em situações específicas.

A visita permanece obrigatória principalmente para:

  • Pessoas que estão solicitando entrada pela primeira vez em determinados programas sociais;
  • Famílias unipessoais envolvidas em processos de averiguação cadastral;
  • Casos em que existam sinais de inconsistências nas informações declaradas.

Dessa forma, a regra não elimina completamente o acompanhamento domiciliar. O procedimento continua sendo utilizado como ferramenta de fiscalização e confirmação de informações quando necessário.

O objetivo do governo é equilibrar a necessidade de controle dos dados com a garantia de acesso aos direitos sociais.

Por que a regra da visita domiciliar havia sido criada

A exigência da entrevista domiciliar para famílias unipessoais foi estabelecida pela Lei Federal nº 15.077/2024.

A medida surgiu em um contexto de preocupação com o crescimento expressivo dos registros de pessoas declarando morar sozinhas no Cadastro Único.

O aumento desse tipo de cadastro chamou atenção dos órgãos responsáveis pela gestão dos programas sociais, já que benefícios como o Bolsa Família consideram a composição familiar para definir critérios de pagamento.

Com a suspensão temporária da exigência, o governo reconhece que a visita domiciliar é uma ferramenta importante, mas avalia que sua aplicação obrigatória para todos os casos poderia dificultar o acesso de pessoas que realmente precisam atualizar seus dados.

Recife amplia atendimento para usuários do Cadastro Único

Na capital pernambucana, a flexibilização nacional ocorre após um período em que medidas emergenciais já haviam sido adotadas devido às consequências das fortes chuvas que atingiram a cidade.

A aplicação da exceção está relacionada à Instrução Normativa SAGICAD/MDS nº 20/2026 e também considera normas estaduais e municipais de emergência.

O município mantém uma estrutura própria para atender beneficiários do Cadastro Único. Atualmente, o Recife conta com unidades distribuídas pela cidade, incluindo Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e pontos específicos de atendimento.

Além disso, existe a Central do Cadastro Único, localizada no bairro de Santo Amaro, responsável por auxiliar moradores que precisam regularizar informações ou buscar orientações.

Atendimento continua para beneficiários do Bolsa Família e BPC

A atualização cadastral continua sendo necessária para evitar problemas com benefícios sociais.

Mesmo com a suspensão da visita domiciliar para famílias unipessoais, os beneficiários precisam manter informações como endereço, renda, composição familiar e dados pessoais atualizados.

O Cadastro Único é utilizado pelo governo federal como base para identificar famílias de baixa renda e selecionar participantes de diversos programas sociais.

Entre os principais benefícios vinculados ao sistema estão:

  • Bolsa Família;
  • Benefício de Prestação Continuada (BPC);
  • Tarifa Social de Energia Elétrica;
  • Programas habitacionais;
  • Benefícios estaduais e municipais.

No caso do BPC, visitas domiciliares continuam sendo realizadas quando o beneficiário possui dificuldades de locomoção e necessita desse tipo de atendimento.

Município reforça ações para facilitar atualização cadastral

Além da flexibilização da exigência de visitas, o Recife anunciou novas estratégias para ampliar o atendimento aos usuários do CadÚnico.

Entre as medidas estão:

  • Atendimento por unidade móvel do Cadastro Único em diferentes bairros;
  • Realização de mutirões;
  • Equipes volantes para atendimento em locais específicos;
  • Ampliação do quadro de agentes sociais.

A expectativa é reduzir filas e facilitar o acesso de moradores que precisam atualizar informações para continuar recebendo benefícios.

O reforço da estrutura também busca atender uma possível alta na procura após a mudança das regras.

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Suspensão da visita pode aumentar fraudes no CadÚnico?

Uma das principais dúvidas após a mudança é se a flexibilização poderia facilitar registros irregulares.

Segundo representantes da assistência social, a suspensão temporária da visita obrigatória não significa ausência de fiscalização.

O Cadastro Único possui diferentes mecanismos de controle, incluindo cruzamento de informações com outras bases de dados governamentais.

Além disso, os municípios continuam podendo realizar verificações quando identificarem situações suspeitas.

A avaliação das autoridades é que o crescimento das famílias unipessoais nos últimos anos esteve relacionado principalmente às mudanças ocorridas durante a transição entre o Auxílio Brasil e o retorno do Bolsa Família.

Durante esse período, algumas pessoas podem ter interpretado de forma equivocada as regras de composição familiar e informado que moravam sozinhas, mesmo permanecendo no mesmo domicílio de outros familiares.

O papel do Cadastro Único nos programas sociais brasileiros

Criado em 2001, o Cadastro Único se tornou uma das principais ferramentas de identificação das famílias de baixa renda no Brasil.

O sistema reúne informações socioeconômicas utilizadas pelo governo federal, estados e municípios para planejar políticas públicas e selecionar beneficiários.

Entre os dados registrados estão:

  • Renda familiar;
  • Número de integrantes da família;
  • Condições de moradia;
  • Escolaridade;
  • Situação de trabalho;
  • Características do domicílio.

A atualização correta dessas informações é fundamental para que os programas sociais sejam direcionados ao público que realmente atende aos critérios estabelecidos.

Como atualizar o CadÚnico sem visita domiciliar

CadÚnico
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Famílias unipessoais que precisam atualizar seus dados devem procurar o atendimento do Cadastro Único no município onde residem.

O cidadão deve levar documentos pessoais e informações atualizadas para realizar o procedimento.

Normalmente são solicitados:

  • Documento oficial com foto;
  • CPF;
  • Comprovante de residência;
  • Documentos relacionados à situação familiar e de renda.

Cada município pode organizar o atendimento de acordo com sua estrutura local.

A recomendação é não deixar a atualização para o último momento, especialmente para beneficiários que dependem de programas sociais.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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