Comprar pela internet já deixou de ser uma alternativa usada apenas para adquirir eletrônicos, roupas ou produtos difíceis de encontrar nas lojas físicas. Em 2026, os marketplaces mostram um consumidor mais habituado ao ambiente digital e disposto a comprar pela internet desde itens de uso diário até produtos de maior valor.
No primeiro semestre, o número de pedidos nos marketplaces analisados pelo ANYMARKET avançou 30,3%, enquanto o GMV — valor bruto movimentado nas vendas — cresceu 36,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O ranking chama atenção justamente pela variedade. Cápsulas de café aparecem no topo, acompanhadas por camisetas, tênis, cervejas, tratamentos capilares, perfumes, pneus, armários, sabonetes e sandálias.
O resultado ajuda a responder uma pergunta que interessa tanto ao consumidor quanto a quem vende pela internet: o que os brasileiros estão realmente comprando nos marketplaces em 2026?
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O levantamento do ANYMARKET mostra uma lista bastante diversificada entre os produtos com maior volume de vendas no primeiro semestre.
A relação inclui:
- Cápsulas de café
- Camisetas
- Tênis
- Cervejas
- Tratamentos capilares
- Perfumes
- Pneus
- Armários
- Sabonetes
- Sandálias
A lista revela algo importante sobre o comércio eletrônico brasileiro: não existe mais uma única categoria dominante.
Produtos baratos e comprados com frequência convivem com itens que exigem maior planejamento e representam um desembolso mais elevado.
Essa combinação ajuda a explicar o amadurecimento dos marketplaces.
Por que as cápsulas de café estão no topo?
A liderança das cápsulas de café é um dos pontos mais interessantes do levantamento.
O produto reúne algumas características que favorecem as compras pela internet: é relativamente padronizado, pode ser comprado novamente quando acaba e permite comparar preços entre diferentes vendedores.
Para quem já possui uma máquina compatível, a compra também tende a ser recorrente.
Imagine uma família que consome café diariamente. Em vez de esperar o estoque acabar e procurar o produto em uma loja física, o consumidor pode pesquisar diferentes marcas, comparar kits e preços e receber as cápsulas em casa.
É justamente esse tipo de compra que ajuda os marketplaces a ganhar frequência.
Produtos recorrentes têm uma vantagem
Itens de consumo recorrente podem gerar várias compras do mesmo cliente ao longo do ano.
Café, sabonete, produtos de higiene e determinados itens de beleza são exemplos de mercadorias que não precisam ser compradas uma única vez.
Isso cria uma relação diferente daquela existente na compra de um televisor, por exemplo.
Uma televisão pode permanecer anos na casa do consumidor. Já uma caixa de cápsulas de café pode ser reposta em poucas semanas.
Para os vendedores, essa diferença é estratégica porque a recorrência pode ajudar a aumentar o valor do cliente ao longo do tempo.
Camisetas e tênis continuam fortes no comércio eletrônico
Moda aparece novamente entre os produtos de maior procura.
Camisetas, tênis e sandálias estão entre os dez itens destacados no levantamento, mostrando que o consumidor brasileiro continua confortável em comprar roupas e calçados pela internet.
Isso é relevante porque essas categorias apresentam um desafio que não existe da mesma maneira em produtos padronizados: tamanho e ajuste.
Mesmo assim, o comércio eletrônico conseguiu reduzir parte dessa barreira com tabelas de medidas, avaliações de compradores, fotos detalhadas e informações sobre modelagem.
As avaliações também passaram a funcionar como uma espécie de prova social.
Antes de comprar um tênis, por exemplo, o consumidor pode verificar comentários de pessoas que já receberam o produto e descobrir se ele apresenta uma forma maior ou menor que o tamanho habitual.
Perfumes e produtos de beleza ganham espaço
Outra característica do ranking é a força da categoria de beleza.
Perfumes aparecem entre os produtos mais vendidos, enquanto tratamentos capilares e sabonetes também ocupam posições relevantes.
Os dados do ANYMARKET mostram ainda altas expressivas em alguns produtos dessa categoria. No primeiro semestre, o volume de pedidos de perfumes cresceu 168%, enquanto sabonetes registraram avanço de 227% na comparação analisada.
O comportamento reforça uma tendência de digitalização de compras de cuidados pessoais.
Por que beleza funciona bem online?
A categoria tem uma característica interessante: muitos produtos são relativamente compactos e fáceis de transportar.
Isso facilita a logística e torna o comércio eletrônico conveniente.
Além disso, produtos de higiene e cuidados pessoais apresentam potencial de recompra.
Um consumidor pode testar determinado sabonete, perfume ou tratamento capilar e voltar ao mesmo anúncio ou vendedor quando precisar repor o produto.
Para os marketplaces, essa frequência é valiosa.
Eletrônicos foram um dos grandes destaques de 2026
Embora os itens de consumo recorrente tenham ocupado posições importantes no ranking, o semestre também apresentou uma forte expansão dos eletrônicos.
Segundo os dados divulgados pelo ANYMARKET, a categoria registrou crescimento de 138% no volume de pedidos.
O movimento chama atenção porque eletrônicos geralmente têm ticket médio — valor médio gasto por compra — maior do que produtos de consumo cotidiano.
Isso significa que o consumidor não está apenas utilizando os marketplaces para compras pequenas.
Ele também está recorrendo a essas plataformas para adquirir produtos que exigem mais pesquisa e representam um investimento maior.
TVs tiveram forte avanço
Dentro da categoria de eletrônicos, os televisores foram um dos destaques.
A demanda por TVs mais que triplicou na comparação com o primeiro semestre de 2025.
Existem vários fatores que podem ajudar a explicar esse movimento, incluindo promoções, parcelamento e maior confiança na compra de produtos de tecnologia pela internet.
O calendário esportivo também pode favorecer essa categoria.
Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, a expectativa por eventos esportivos aumenta a atenção do consumidor para televisores, especialmente modelos maiores e com recursos de imagem mais avançados.
O comportamento observado nas datas promocionais do próprio ANYMARKET também mostra que produtos de maior valor, como notebooks, ar-condicionado e TVs, ganham destaque quando a análise considera o valor total vendido, e não simplesmente a quantidade de unidades.
Notebooks e smartphones também ficaram mais caros
O crescimento dos eletrônicos não aparece apenas na quantidade de pedidos.
Os dados apontam aumento do ticket médio de determinadas categorias.
No caso dos notebooks, o ticket médio cresceu 19%, enquanto smartphones avançaram 26% no período analisado.
Na prática, isso indica que o consumidor pode estar escolhendo produtos de maior valor dentro dessas categorias.
Uma pessoa que antes comprava um celular de entrada pode, por exemplo, estar optando por um aparelho intermediário ou premium.
O mesmo raciocínio vale para notebooks: configurações mais avançadas podem elevar o preço médio mesmo sem que o número de compradores cresça na mesma proporção.
O consumidor está comprando mais pela internet?
Os números indicam uma expansão importante do comércio eletrônico nos marketplaces.
O crescimento de 30,3% nos pedidos no primeiro semestre mostra que houve aumento significativo na quantidade de transações consideradas pelo levantamento.
O GMV, por sua vez, avançou 36,4%.
Quando o valor movimentado cresce mais do que o número de pedidos, uma das possibilidades é que o valor médio das compras também esteja aumentando.
Isso não significa que todos os consumidores estejam gastando mais. O indicador reúne diferentes categorias, vendedores e marketplaces.
Ainda assim, ele ajuda a mostrar que o comércio eletrônico está avançando não apenas em quantidade de compras, mas também em categorias de maior valor.
O que o ranking revela sobre o consumidor brasileiro?
Mais do que apontar produtos populares, a lista permite observar diferentes comportamentos de compra.
De um lado estão itens associados à conveniência e reposição.
É o caso de:
- cápsulas de café;
- sabonetes;
- produtos de tratamento capilar;
- alguns itens de higiene e beleza.
Do outro, estão produtos que normalmente exigem maior planejamento:
- pneus;
- armários;
- tênis;
- eletrônicos;
- equipamentos e produtos de maior valor.
Essa combinação mostra que o consumidor não utiliza os marketplaces de uma única maneira.
A mesma pessoa pode comprar sabonete online pela praticidade e, semanas depois, usar a mesma plataforma para pesquisar um televisor durante uma campanha promocional.
Preço ainda é importante, mas não é o único fator
Uma das mudanças mais relevantes no comércio eletrônico é que competir apenas pelo menor preço pode não ser suficiente.
O consumidor também avalia:
- valor do frete;
- prazo de entrega;
- reputação do vendedor;
- avaliações;
- política de troca;
- qualidade do anúncio;
- disponibilidade do produto;
- formas de pagamento;
- possibilidade de parcelamento.
Em produtos de maior valor, essa análise tende a ser ainda mais cuidadosa.
Quem pretende comprar uma televisão de milhares de reais, por exemplo, provavelmente não considera apenas o preço anunciado. A reputação da loja e as condições de entrega podem pesar bastante na decisão.
O que significa GMV?
A sigla GMV significa Gross Merchandise Volume, ou volume bruto de mercadorias.
Em linguagem simples, é o valor total das vendas movimentadas em determinado período dentro de uma operação ou conjunto de marketplaces, conforme a metodologia utilizada pela fonte.
Ele não deve ser confundido automaticamente com lucro.
Se uma plataforma movimenta R$ 1 milhão em mercadorias, isso não significa que os vendedores ou a própria plataforma tenham lucrado R$ 1 milhão.
Do valor vendido ainda podem ser descontados custos como:
- aquisição dos produtos;
- impostos;
- comissão;
- logística;
- publicidade;
- devoluções;
- atendimento;
- despesas operacionais.
Por isso, GMV é principalmente um indicador de volume de negócios, e não de rentabilidade.
O que os dados significam para quem vende online?
Para os chamados sellers — vendedores que anunciam produtos nos marketplaces — o levantamento pode ser utilizado como uma referência para planejamento.
Mas existe uma ressalva importante: um produto estar entre os mais vendidos não significa automaticamente que seja uma boa oportunidade para qualquer lojista.
Se uma categoria cresce muito, ela também pode atrair mais concorrentes.
O resultado pode ser uma disputa maior por preço, publicidade e posição nos resultados das plataformas.
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Estoque passa a ser uma questão estratégica
Imagine um vendedor que percebe aumento da procura por determinado produto.
Se ele não tiver estoque suficiente, poderá perder vendas justamente quando a demanda estiver mais forte.
Por outro lado, comprar mercadoria demais sem analisar o giro pode deixar dinheiro parado.
Por isso, os dados de mercado devem ser combinados com informações internas da própria empresa.
O vendedor precisa observar:
- histórico de vendas;
- margem de lucro;
- custo de aquisição;
- prazo de reposição;
- estoque atual;
- concorrência;
- sazonalidade;
- custo de publicidade.
As datas promocionais também mudam o ranking
Os marketplaces não dependem apenas das compras feitas em dias comuns.
As chamadas datas duplas, como 2/2 e 3/3, vêm ganhando importância no calendário promocional.
Dados divulgados pelo ANYMARKET mostram que, em 2 de fevereiro de 2026, o GMV cresceu 107% e o número de pedidos aumentou 79%. Já em 3 de março, o GMV avançou 119%, enquanto os pedidos subiram 92%.
Nessas campanhas, produtos como camisetas, perfumes, cervejas, sabonetes e tênis apareceram entre os mais vendidos por quantidade.
Isso mostra como promoções podem alterar temporariamente o comportamento de compra.
Um produto que não lidera as vendas em um período normal pode ganhar enorme visibilidade durante uma campanha com descontos e cupons.
O segundo semestre pode trazer novas mudanças
Os dados do primeiro semestre servem como uma fotografia do mercado, mas não determinam o ranking do restante de 2026.
O comportamento pode mudar conforme entram no calendário:
- campanhas promocionais;
- Dia dos Pais;
- primavera;
- Black Friday;
- Natal;
- eventos esportivos;
- mudanças de preço;
- lançamentos de produtos.
A sazonalidade também pode alterar completamente a procura.
Ar-condicionado, por exemplo, tende a apresentar comportamento diferente dependendo do clima e da época do ano. Já brinquedos podem ganhar força perto do Dia das Crianças e do Natal.
Por isso, um bom planejamento não olha apenas para o que vendeu mais no passado.
Ele tenta entender por que determinado produto vendeu.
O que deve continuar forte nas compras online?
Os dados apontam para dois grupos com características distintas.
O primeiro reúne produtos de consumo recorrente, que se beneficiam da praticidade da compra digital.
O segundo envolve produtos de maior valor, nos quais o consumidor utiliza os marketplaces como ferramenta de pesquisa e comparação.
Essa combinação deve continuar relevante porque atende a duas necessidades diferentes.
Para uma compra recorrente, a pergunta costuma ser: “Onde encontro esse produto com preço e entrega bons?”
Para uma compra maior, o processo pode ser: “Qual modelo vale a pena, quanto custa e qual vendedor oferece melhores condições?”
Os marketplaces conseguem atender aos dois comportamentos dentro do mesmo ambiente.
Perguntas frequentes sobre as compras pela internet em 2026
Qual é o produto mais comprado pela internet em 2026?
No ranking citado para o primeiro semestre de 2026, cápsulas de café aparecem na primeira posição entre os produtos destacados por volume de vendas.
Quais são os dez produtos mais vendidos?
A lista reúne cápsulas de café, camisetas, tênis, cervejas, tratamentos capilares, perfumes, pneus, armários, sabonetes e sandálias.
Os eletrônicos estão vendendo mais em 2026?
Sim. Segundo o levantamento do ANYMARKET, a categoria de eletrônicos teve crescimento de 138% no volume de pedidos no primeiro semestre de 2026.
As TVs estão entre os produtos que mais cresceram?
Sim. A demanda por televisores mais que triplicou na comparação com o primeiro semestre de 2025, de acordo com os dados divulgados.
Quais produtos de beleza estão em alta?
Perfumes, tratamentos capilares e sabonetes aparecem entre os destaques. O levantamento aponta crescimento de 168% nos pedidos de perfumes e de 227% nos de sabonetes.
O que significa GMV?
GMV é a sigla para Gross Merchandise Volume, ou volume bruto de mercadorias. O indicador representa o valor total movimentado pelas vendas analisadas, mas não corresponde ao lucro da operação.
O que os dados representam para quem vende em marketplace?
Eles podem ajudar no planejamento de estoque, portfólio e preços. Porém, um produto muito vendido também pode atrair concorrentes, por isso é necessário avaliar margem, custos e demanda antes de investir.
Conclusão

O ranking das compras online no primeiro semestre de 2026 mostra um consumidor brasileiro cada vez mais adaptado aos marketplaces.
As cápsulas de café aparecem no topo justamente por representar um tipo de compra conveniente e recorrente. Ao mesmo tempo, camisetas, tênis, produtos de beleza, pneus e itens para casa mostram que o comércio eletrônico já faz parte de decisões de consumo muito diferentes.
O avanço dos eletrônicos reforça essa transformação. Com crescimento de 138% nos pedidos e forte aumento da procura por televisores, notebooks e smartphones, os marketplaces deixaram de ser associados apenas a produtos baratos ou pequenos.
Para o consumidor, o cenário significa mais opções e facilidade para comparar preços. Para os vendedores, os números representam oportunidade, mas também exigem planejamento, controle de estoque e atenção à concorrência.
O dado mais importante talvez esteja justamente nessa diversidade: em 2026, comprar pela internet já não significa apenas adquirir algo que seria difícil encontrar na loja física. Significa, muitas vezes, escolher a forma mais prática de comprar aquilo que o brasileiro já consome no dia a dia.



