A Cainvest, instituição financeira com sede nas Ilhas Cayman, vem mudando silenciosamente a dinâmica do ecossistema cripto na América Latina. Com raízes sólidas no fornecimento de infraestrutura bancária internacional — um verdadeiro “banco dos bancos” — o grupo virou peça-chave para a liquidez de ativos digitais no Brasil.
Cainvest lidera revolução cripto no Caribe e abastece corretoras brasileiras com liquidez em ativos digitais
A Cainvest, banco sediado nas Ilhas Cayman, emerge como principal fonte de liquidez para corretoras cripto no Brasil.
A estratégia é liderada por Charles Aboulafia, CEO da empresa, e representa uma aposta ousada no futuro digital das finanças globais.
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O início da transição: de infraestrutura tradicional ao blockchain
A origem do Cainvest remonta à decisão estratégica de diversificação tomada por Aboulafia após assumir os negócios financeiros do avô. O ponto de partida foi oferecer contas globais para fintechs brasileiras, aproveitando a estrutura flexível e o ambiente regulatório favorável das Ilhas Cayman.
Em 2010, a Cainvest comprou o banco internacional da SulAmérica. A expansão ganhou tração em 2015 com a aquisição, da Blackstone, do braço bancário da Intertrust, também localizado nas Ilhas Cayman. O movimento consolidou a Cainvest como uma instituição de suporte a bancos de primeira linha, como Itaú Unibanco, Société Générale e Mizuho.
Hoje, o banco é responsável por prover infraestrutura a cerca de 60% das instituições financeiras sediadas no arquipélago caribenho — uma plataforma que se mostrou ideal para impulsionar a entrada da instituição no universo cripto.
Criptomoedas como o próximo estágio financeiro

O primeiro contato efetivo da Cainvest com o universo cripto ocorreu em 2017. Foi quando a equipe executiva passou a observar com atenção o potencial transformador da tecnologia blockchain.
O foco? Otimizar transações financeiras que, via sistemas tradicionais como o SWIFT, podem levar dias para serem compensadas. Com blockchain, essas operações acontecem em segundos.
A virada real aconteceu no ano seguinte, em 2018, com a introdução de um sistema proprietário de liquidez voltado para corretoras de criptomoedas no Brasil. Um robô de negociação passou a intermediar, em tempo real, a compra e venda de ativos cripto no mercado internacional, respondendo às demandas do mercado brasileiro.
A lacuna de liquidez e o papel da Cainvest
Até 2017, o ecossistema brasileiro de criptoativos sofria com escassez de liquidez. As negociações eram “segregadas”, e, na falta de um vendedor, o preço dos ativos subia de forma artificial.
A Cainvest resolveu esse gargalo ao tornar-se market maker institucional. Atualmente, o banco conecta-se com mais de 20 corretoras cripto na América Latina, incluindo as maiores do Brasil.
40% da liquidez institucional vem da Cainvest
De acordo com estimativas internas, a Cainvest responde por aproximadamente 40% da liquidez institucional do mercado brasileiro de criptoativos — especialmente nas negociações envolvendo Bitcoin, Ethereum e Tether. Em 2024, essas três criptomoedas movimentaram R$ 54,6 bilhões no país, conforme dados da Receita Federal.
Spin-off: estrutura separada para operação cripto
Dado o crescimento exponencial da frente cripto, a Cainvest decidiu estruturar essa operação em uma entidade separada. Com aprovação dos acionistas, a unidade de criptoativos ganhou vida própria.
A justificativa foi clara: linguagem, tecnologias e perfis de funcionários completamente distintos da operação bancária tradicional. A nova equipe tem idade média de 28 anos, representando uma ruptura geracional dentro da própria instituição.
Planos de expansão: tokenização, stablecoins e revolução silenciosa
O próximo passo da Cainvest é expandir sua atuação no mercado de tokenização de ativos. Segundo Charles Aboulafia, o objetivo é digitalizar qualquer ativo que tenha mercado e interesse, como títulos públicos ou instrumentos de renda fixa.
“Se houver demanda para um Tesouro Direto tokenizado, faremos a ponte entre os mundos, com apoio de parceiros estratégicos”, disse o executivo.
A empresa já possui toda a infraestrutura para executar essa tokenização: compliance regulatório, integração bancária e tecnologia blockchain. Os projetos estão em desenvolvimento, mas já fazem parte do “pipeline” estratégico da Cainvest.
BRL1: a stablecoin brasileira apoiada por pesos-pesados
Um marco recente foi o lançamento da BRL1, uma stablecoin lastreada no real. O projeto foi desenvolvido em colaboração com três das maiores corretoras de criptomoedas do país: Mercado Bitcoin, Bitso e Foxbit.
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O BRL1 foi concebido como alternativa para transferências ágeis entre plataformas de negociação. Em vez de passar por instituições bancárias tradicionais, os ativos podem ser movimentados diretamente entre corretoras. Isso reduz tempo, custo e riscos operacionais.
A lógica por trás do projeto é aumentar a eficiência das operações intercorretoras, consolidando uma rede descentralizada de liquidez.
O mercado global de stablecoins em crescimento exponencial
Atualmente, o mercado global de stablecoins já soma cerca de US$ 246 bilhões. As duas maiores — Tether (USDT) e USD Coin (USDC) — dominam o setor, com uma fatia combinada de US$ 210 bilhões.
Projeções para 2028
Segundo dados da FXC Intelligence, esse segmento pode atingir impressionantes US$ 2,8 trilhões até 2028. A lógica é simples: stablecoins aliam a estabilidade de moedas fiduciárias à eficiência tecnológica do blockchain.
Stablecoins como alternativa para remessas
Um dos exemplos mais citados é o corredor México–Estados Unidos, responsável por movimentar mais de US$ 68 bilhões por ano. A Bitso, plataforma mexicana, afirma que já processa 10% desse fluxo via stablecoins.
O futuro das stablecoins e a visão da Cainvest
Para o CEO da Cainvest, o setor de stablecoins tende a concentrar-se em poucos emissores dominantes. “As líderes de cada moeda vão coexistir, e o mercado está indo na direção de negociações stablecoin contra stablecoin.”
Apesar do uso crescente nos bastidores financeiros, a adoção no comércio tradicional ainda é tímida. “Um fornecedor de máquinas na Alemanha não vai aceitar USDC ou Eurocoin tão cedo. Mas nos bastidores, essa revolução já começou.”
Alerta aos bancos tradicionais: o risco de repetir a Blockbuster
A Cainvest defende que instituições financeiras tradicionais precisam acompanhar o ritmo da transformação. “O recado é claro: não fechem os olhos. A evolução é inevitável. É como a Netflix frente à Blockbuster. Quem não se adaptar, ficará para trás.”
Conclusão: da retaguarda à linha de frente do setor cripto

A Cainvest transformou-se em um dos pilares da infraestrutura financeira digital da América Latina. Sua atuação como fornecedor de liquidez, emissor de stablecoins e operador de tokenização mostra como bancos com visão estratégica podem não apenas acompanhar, mas liderar revoluções.
O que começou como um braço bancário tradicional nas Ilhas Cayman, hoje é uma engrenagem vital para o funcionamento do mercado cripto brasileiro. E, ao que tudo indica, a jornada está apenas começando.
