A Caixa Econômica Federal vive uma fase de transformação profunda em sua estratégia digital. Em entrevista publicada nesta terça-feira (24) pelo jornal Valor Econômico, o presidente da instituição, Carlos Vieira, revelou os planos ambiciosos que incluem um investimento recorde de R$ 9,5 bilhões em tecnologia, aumento na contratação de profissionais de TI e o desenvolvimento de um super aplicativo previsto para 2026.
Caixa planeja investir R$ 9,5 bi em tecnologia para reduzir distância para rivais
Caixa Econômica anuncia investimento de R$ 9,5 bilhões em tecnologia, contratação de profissionais de TI e desenvolvimento de super app unificado até 2026.
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Segundo Carlos Vieira, a Caixa não deseja mais ser reconhecida como um banco tradicional e defasado em tecnologia. O foco agora é se aproximar do padrão de inovação dos grandes bancos privados e fintechs.
Mudança de cultura organizacional
O presidente da Caixa destacou que, historicamente, o banco priorizou investimentos em hardware, deixando o desenvolvimento de software e a experiência do cliente em segundo plano. Essa lógica está sendo revertida, com a adoção de uma cultura mais voltada para a inovação e o digital.
Contratações na área de tecnologia
Para sustentar essa transformação, a Caixa já iniciou o processo de chamamento de dois mil novos funcionários especializados em tecnologia da informação (TI). Segundo Vieira, cerca de 70% desses profissionais já foram convocados, fortalecendo as equipes internas responsáveis pelas mudanças.
Investimento recorde em tecnologia: R$ 9,5 bilhões em 2025
De acordo com a nova gestão, a Caixa executou quase a totalidade do orçamento de tecnologia em 2024, um feito inédito para a instituição. Para 2025, o investimento será ainda maior: R$ 9,5 bilhões destinados à modernização de sistemas, infraestrutura digital e desenvolvimento de novos produtos.
Foco na experiência do cliente
Carlos Vieira enfatizou que a prioridade é melhorar a experiência dos usuários nos canais digitais da Caixa. A ideia é que os clientes passem a utilizar os aplicativos da instituição de forma mais recorrente e com maior satisfação.
Super app: uma entrada única para todos os serviços
Uma das principais apostas da Caixa é o lançamento de um super aplicativo, que deverá integrar os principais serviços oferecidos pelo banco, incluindo o Caixa Tem. A previsão é que o projeto seja iniciado ainda no segundo semestre de 2025, com lançamento oficial programado para 2026.
O que esperar do super app da Caixa?
O novo aplicativo deverá funcionar como uma central única de acesso, reunindo funcionalidades bancárias, benefícios sociais, operações de crédito, investimentos, loterias e, futuramente, apostas esportivas.
Caixa avalia entrada no mercado de apostas esportivas
Além da modernização tecnológica, a Caixa Econômica estuda expandir seus negócios para o segmento de apostas online, também conhecido como “bets”. A ideia é aproveitar a experiência acumulada em quase seis décadas de operação das loterias federais.
Análise tributária e viabilidade econômica
Vieira explicou que o banco ainda está avaliando o impacto tributário do novo modelo de negócios. Atualmente, a tributação para as casas de apostas será de 18%, enquanto a Caixa paga 48% sobre a receita bruta das loterias. Segundo o presidente, a carga tributária não inviabiliza a operação, mas o principal desafio será definir o percentual de pagamento de prêmios (payout).
Previsão de lançamento
Caso o projeto avance, a previsão é que a Caixa entre oficialmente no mercado de apostas esportivas a partir de 2026, em linha com o calendário de desenvolvimento do super app.
Fim das discussões sobre IPOs de unidades da Caixa
Outro tema abordado por Carlos Vieira durante a entrevista foi a possibilidade de abertura de capital (IPO) de algumas unidades de negócios da Caixa, como seguros, cartões ou loterias.
Cultura interna e foco público
De forma categórica, o presidente descartou qualquer discussão interna sobre IPOs. Segundo ele, a instituição segue com uma cultura voltada ao serviço público, com foco em atender as demandas sociais e financeiras da população brasileira.
Evolução tecnológica da Caixa: o que muda para o cliente?
A transformação digital da Caixa promete mudanças significativas para os clientes nos próximos anos.
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Integração de canais e unificação de serviços
A criação de um super app deve facilitar o acesso a todos os serviços da instituição, evitando a necessidade de múltiplos aplicativos. O Caixa Tem, por exemplo, será integrado à nova plataforma.
Melhorias na usabilidade e no desempenho dos aplicativos
Com a chegada de novos profissionais de TI e o aumento no orçamento, espera-se que os aplicativos da Caixa tenham melhorias em design, velocidade de processamento, segurança e estabilidade.
Ampliação de produtos digitais
A previsão é que, a partir de 2026, a Caixa amplie o leque de produtos digitais, incluindo soluções para investimentos, crédito, seguros e, futuramente, apostas.
Impacto no mercado bancário

O movimento da Caixa pode mexer com o cenário competitivo entre os bancos públicos e privados. A instituição, que tem uma das maiores bases de clientes do país, pretende reduzir a distância tecnológica em relação a players como Itaú, Bradesco, Santander e fintechs como Nubank.
Inclusão digital
Além da competição, o investimento também tem forte impacto social, especialmente na inclusão digital de milhões de brasileiros que dependem da Caixa para acesso a benefícios sociais como Bolsa Família, FGTS e PIS/Pasep.
Projeções para 2026
O grande ano de entregas tecnológicas será 2026, segundo Vieira. Até lá, a Caixa pretende concluir o desenvolvimento do super app, iniciar novas operações no segmento de apostas e consolidar a nova imagem de um banco público moderno e alinhado com as tendências do setor financeiro.
Considerações finais
A Caixa Econômica Federal vive uma fase histórica de transformação digital. Com investimentos robustos, reforço nas equipes de TI e foco total na experiência do cliente, o banco dá sinais claros de que pretende deixar para trás a imagem de instituição lenta e burocrática. Os próximos anos serão decisivos para avaliar o sucesso dessa estratégia, que promete aproximar a Caixa dos padrões de inovação do mercado financeiro nacional.
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