Mesmo em meio a um período desafiador para o mercado de capitais brasileiro, a Caixa Seguridade surpreendeu ao realizar com sucesso seu follow-on no fim de março de 2025. A oferta secundária de ações, que movimentou R$ 1,2 bilhão, atraiu a atenção de investidores internacionais — que ficaram com metade dos papéis disponibilizados.
O segredo da Caixa Seguridade para atrair gringos no seu follow-on
Caixa Seguridade levanta R$ 1,2 bi em follow-on e atrai 50% de estrangeiros, mesmo com a baixa da B3, com foco em previsibilidade.
O feito é ainda mais notável quando se considera o cenário de seca na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), com poucas operações relevantes sendo realizadas nos últimos meses. A decisão de seguir adiante com a oferta, no entanto, não foi aleatória: ela marcou uma etapa estratégica para que a empresa alcançasse uma participação de 20% de ações em circulação no mercado, critério essencial para integrar de forma definitiva o Novo Mercado, o segmento da B3 com os mais altos padrões de governança corporativa.
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Um movimento estratégico em um momento de escassez

A realização do follow-on da Caixa Seguridade aconteceu em um ambiente de retração no mercado de capitais brasileiro. Mesmo assim, a operação foi concluída com sucesso e demonstrou a força do trabalho de bastidores conduzido pela liderança da companhia.
Felipe Montenegro Mattos, presidente da Caixa Seguridade desde 2023, apontou que o sucesso da operação se deve, em grande parte, a um intenso trabalho de aproximação com investidores e analistas — nacionais e estrangeiros.
“Foram cerca de 300 reuniões este ano com investidores e analistas de bancos. Só no período de duas semanas antes do follow-on, foram mais de cem”, contou Mattos.
Essa ofensiva para ampliar o diálogo com o mercado foi vista como essencial para dar visibilidade ao “case Seguridade” e, mais do que convencer, mostrar o potencial de um modelo de negócios altamente previsível e focado.
Proximidade com bancos internacionais foi determinante
Dois nomes se destacaram entre os agentes da operação: UBS e Bank of America (BofA). Ambos atuaram como coordenadores da oferta e foram fundamentais para conectar a Caixa Seguridade a grandes fundos estrangeiros. A presença dessas instituições trouxe credibilidade e criou pontes diretas com o mercado internacional.
Além disso, o apoio institucional do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, também foi decisivo. Ele assumiu a linha de frente na interlocução com o governo, o que garantiu estabilidade e segurança jurídica ao processo — fatores valorizados por investidores estrangeiros, especialmente em mercados emergentes como o brasileiro.
Da retração à visibilidade: a mudança de estratégia
Depois de um IPO bem-sucedido em 2021, a Caixa Seguridade viveu um período de introspecção, voltado ao aperfeiçoamento interno. A chegada de Mattos ao comando da empresa em 2023, no entanto, marcou uma guinada em direção à exposição e à transparência.
Sob sua gestão, o número de bancos e corretoras que acompanham os resultados da companhia saltou de quatro para 13. Esse crescimento indica um aumento significativo na cobertura de mercado, o que torna a empresa mais visível e atrativa para investidores institucionais.
“A empresa se acomodou após o IPO. Meu direcionamento foi de divulgar mais o case da Seguridade para o investidor. O nosso grande trabalho é o de sermos conhecidos, nem tanto de convencimento”, explicou Mattos.
O apelo da previsibilidade no mercado de seguros
Um dos grandes trunfos da Caixa Seguridade está na natureza do seu negócio. Ao contrário de seguradoras que atuam com automóveis, seguro rural ou grandes riscos — segmentos mais voláteis — a companhia foca em áreas altamente previsíveis, como o seguro habitacional.
Essa previsibilidade tem grande apelo para investidores de perfil mais conservador, especialmente em tempos de incertezas econômicas globais.
“No Brasil, o mercado de seguros atua em linhas muito previsíveis, como o seguro habitacional, nosso carro-chefe. Um seguro em que você pode ter uma linha de até 35 anos de emissão de prêmio mensal”, afirmou Mattos.
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Enquanto seguradoras americanas tendem a equilibrar seus lucros entre resultados operacionais e financeiros, a Caixa Seguridade se destaca por ter sua rentabilidade majoritariamente atrelada ao desempenho operacional — o que, segundo Mattos, leva tempo para ser compreendido por investidores de fora, mas representa um diferencial valioso.
Uma empresa comprometida com o longo prazo

Com um portfólio que evita grandes riscos e foco em produtos de longo prazo, a Caixa Seguridade tem conseguido se consolidar como uma empresa de crescimento sólido e sustentável. Isso a torna especialmente atrativa em momentos de volatilidade internacional.
A forte presença da empresa em um setor resiliente como o de seguros, somada à governança exigida pelo Novo Mercado e à transparência ampliada nas relações com o mercado, forma um conjunto de fatores que despertou o interesse estrangeiro — mesmo diante do cenário macroeconômico adverso.
Sem planos para listar nos Estados Unidos
Apesar da aproximação crescente com investidores estrangeiros, Mattos refutou qualquer possibilidade de levar a empresa à bolsa americana.
“Não existe esse debate”, garantiu o executivo.
A afirmação desmonta rumores de que a Caixa Seguridade poderia buscar uma listagem nos EUA para ampliar ainda mais sua base de investidores. A estratégia, ao que tudo indica, é fortalecer sua posição no Brasil e continuar explorando o potencial de um setor que segue crescendo de forma consistente.
Imagem: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock.com
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