Os caixas de autoatendimento estão perdendo espaço entre varejistas dos Estados Unidos. Uma pesquisa da Toast mostra que 36% dos comerciantes entrevistados utilizam a tecnologia em 2026, uma queda de 7 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.
O movimento não significa que o self-checkout esteja chegando ao fim. A mudança indica uma revisão das prioridades do varejo: em vez de concentrar investimentos apenas na automação do pagamento, empresas estão direcionando recursos para ferramentas que ajudam a reduzir custos, simplificar operações e melhorar a gestão das lojas.
Enquanto os caixas automáticos perdem espaço, tecnologias como etiquetas eletrônicas de preços e painéis de pedidos prontos ganham força. No Brasil, entretanto, a situação é diferente: o autoatendimento continua popular, embora a maioria dos consumidores ainda prefira contar com funcionários.
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Por que o self-checkout perdeu espaço nos Estados Unidos?

A pesquisa Voice of the Retail Industry 2026, realizada pela Toast, ouviu 340 responsáveis por estabelecimentos do varejo americano. Entre os entrevistados, 36% afirmaram utilizar caixas de autoatendimento.
No levantamento anterior, esse percentual era de 43%. A queda de sete pontos percentuais mostra que a tecnologia deixou de ser uma prioridade para parte dos comerciantes.
O resultado ocorre em um momento de maior preocupação com eficiência operacional. Segundo a pesquisa, 31% dos varejistas colocaram a simplificação das operações entre os três principais objetivos para os negócios, avanço de 12 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Na prática, isso significa que os comerciantes estão procurando tecnologias capazes de resolver problemas específicos da operação, e não apenas substituir funcionários no momento do pagamento.
Quais tecnologias estão ganhando espaço no varejo americano?
As etiquetas eletrônicas de preços estão entre os recursos que mais cresceram.
Em 2026, 46% dos varejistas pesquisados afirmaram utilizar a tecnologia, contra 35% em 2025. O sistema permite alterar preços remotamente, sem que funcionários precisem trocar manualmente as etiquetas das prateleiras.
Os painéis que indicam quando um pedido está pronto também avançaram. A utilização passou de 37% para 46% entre os dois levantamentos.
Outras ferramentas continuam bastante presentes nas lojas. Os leitores de códigos de barras são utilizados por 56% dos entrevistados, enquanto softwares de contabilidade aparecem em 55%.
O movimento mostra que o varejo americano não está abandonando a tecnologia. O que está mudando é o tipo de tecnologia considerado mais útil para a operação.
O varejo americano está abandonando a automação?
Não.
A mesma pesquisa mostra que 75% dos varejistas entrevistados pretendem aumentar os gastos com tecnologia nos próximos 12 meses. Além disso, 88% acreditam que a inteligência artificial pode ajudar a tornar o trabalho mais eficiente.
Por isso, a queda do self-checkout não deve ser interpretada como uma rejeição geral à automação.
A tendência parece estar mais relacionada à busca por retorno prático. Se uma tecnologia exige manutenção, supervisão dos funcionários ou não melhora suficientemente a experiência do consumidor, o varejista pode optar por direcionar o investimento para outra solução.
Amazon também mudou sua estratégia de lojas físicas
A Amazon é um dos exemplos mais conhecidos de automação no varejo.
A companhia desenvolveu o sistema Just Walk Out, que utiliza tecnologias como câmeras, sensores e inteligência artificial para identificar os produtos retirados pelo consumidor. Dessa maneira, o cliente pode entrar na loja, pegar os produtos e sair sem passar por um caixa convencional.
A tecnologia, porém, não foi abandonada. A Amazon continua oferecendo o Just Walk Out para outros varejistas.
O que mudou foi a estratégia das lojas físicas próprias. Em 2026, a empresa anunciou o fechamento de lojas Amazon Go e Amazon Fresh, com algumas unidades sendo convertidas para a marca Whole Foods Market.
Portanto, é incorreto concluir que a Amazon encerrou as lojas automatizadas simplesmente porque a tecnologia deixou de funcionar ou por causa de furtos. O fechamento está relacionado a uma mudança no modelo de operação das lojas próprias.
E no Brasil? O autoatendimento continua crescendo
A realidade brasileira é diferente da observada nos Estados Unidos.
Uma pesquisa da Globo com consumidores de diferentes regiões do país mostrou que 63% já utilizaram caixas de autoatendimento em supermercados.
A praticidade é um dos principais motivos para utilizar o sistema, especialmente quando a compra tem poucos produtos. Para quem precisa entrar rapidamente no supermercado, registrar os itens e pagar sem enfrentar uma fila tradicional, o modelo pode economizar tempo.
Mesmo assim, a preferência pelo atendimento humano continua forte.
Segundo a pesquisa, 56% dos consumidores preferem ser atendidos por funcionários. Além disso, 69% consideram que os supermercados precisam melhorar a qualidade da tecnologia utilizada nos caixas automáticos.
Por que muitos brasileiros ainda preferem o caixa tradicional?
A experiência nem sempre é tão simples quanto a promessa de rapidez.
Problemas para registrar produtos, dificuldades com o sistema de pagamento e necessidade de chamar um funcionário podem fazer com que o consumidor deixe de perceber vantagem no autoatendimento.
O pagamento em dinheiro também representa uma barreira.
Segundo a pesquisa da Globo, 37% dos entrevistados evitam o autoatendimento porque os equipamentos não permitem pagar em espécie.
Isso significa que a expansão dos meios digitais de pagamento não elimina completamente a necessidade de alternativas tradicionais.
O celular pode substituir o caixa do supermercado?
Uma das tendências que pode ganhar força é o mobile self-checkout, modelo no qual o próprio consumidor utiliza o smartphone para registrar os produtos e realizar o pagamento.
Nesse formato, o cliente não precisa necessariamente utilizar uma máquina específica instalada no supermercado. O celular passa a funcionar como uma espécie de caixa portátil.
A pesquisa da Globo mostra que existe interesse nessa possibilidade: 78% dos entrevistados disseram que gostariam de pagar as compras diretamente pelo smartphone, sem passar pelo caixa.
Isso revela uma diferença importante.
O consumidor não necessariamente rejeita a autonomia proporcionada pela tecnologia. Em muitos casos, ele rejeita uma experiência que considera complicada ou pouco confiável.
Por que Brasil e Estados Unidos estão seguindo caminhos diferentes?
Os dois mercados estão em momentos diferentes de adoção tecnológica.
Nos Estados Unidos, o self-checkout já está mais consolidado e alguns varejistas passaram a avaliar se os custos e problemas operacionais compensam os benefícios.
No Brasil, por outro lado, a tecnologia ainda tem espaço para expansão. Uma parcela significativa dos consumidores já utiliza os caixas automáticos e demonstra interesse por formas ainda mais digitais de realizar compras.
Outro fator é o comportamento de consumo.
A pesquisa brasileira indica crescimento das compras menores e mais frequentes. Esse tipo de compra favorece soluções rápidas, principalmente quando o consumidor precisa levar poucos produtos.
Por isso, não é possível afirmar que o Brasil necessariamente seguirá o mesmo caminho dos Estados Unidos.
O que deve acontecer com os caixas de autoatendimento?

Os dados indicam que o futuro do varejo não será dominado por uma única tecnologia. Caixas tradicionais, self-checkout, pagamentos pelo celular, etiquetas eletrônicas e inteligência artificial devem coexistir nas lojas.
Para o consumidor, isso significa mais opções de atendimento. Já para as empresas, o desafio será equilibrar automação, custos e qualidade do serviço.
A queda do self-checkout nos Estados Unidos não representa o fim da automação, mas uma escolha mais criteriosa sobre quais tecnologias realmente entregam resultados. No Brasil, o autoatendimento ainda tem espaço para crescer, desde que ofereça uma experiência mais simples e confiável.
Conclusão
A queda no uso dos caixas de autoatendimento nos Estados Unidos mostra que a tecnologia não deixou de ser relevante, mas está sendo reavaliada pelos varejistas. Ao mesmo tempo, novas soluções ganham espaço para tornar as compras mais rápidas e eficientes.
No Brasil, o cenário ainda é de expansão, mas a preferência pelo atendimento humano e as reclamações sobre os equipamentos mostram que há desafios a superar. O futuro do varejo, portanto, deve combinar tecnologia e atendimento pessoal, oferecendo ao consumidor mais liberdade para escolher como prefere fazer suas compras.
