A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira (1º) o projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para rendimentos mensais de até R$ 5 mil a partir de 2026. A proposta, considerada uma das principais bandeiras econômicas do governo Lula, foi aprovada de forma quase unânime: 493 votos favoráveis, nenhum contrário e 18 ausências.
Deputados ausentes na aprovação da isenção do IR até R$ 5 mil: confira a lista completa
Câmara aprova isenção do IR até R$ 5 mil a partir de 2026; medida beneficia 16 milhões de brasileiros e segue para o Senado.
Entre os parlamentares ausentes, chamaram atenção os nomes de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos, e da deputada Luizianne Lins (PT-CE), integrante da flotilha interceptada por Israel.
O texto agora segue para análise do Senado Federal. Caso seja aprovado e sancionado ainda este ano, a nova regra já valerá para as declarações de Imposto de Renda referentes ao exercício de 2026.
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Construção do texto: mais de 90 emendas e negociações intensas
Relatoria de Arthur Lira
O projeto teve relatoria do deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, e foi resultado de meses de negociações com bancadas partidárias e representantes de setores econômicos.
Segundo Lira, a construção do texto envolveu a análise de mais de 90 emendas, das quais algumas foram incorporadas para garantir maior apoio político e mitigar resistências.
Principais ajustes aprovados
- Compensação a Estados e municípios, que perderão arrecadação com a elevação da faixa de isenção;
- Manutenção das regras do Prouni (Programa Universidade para Todos), garantindo que a alteração tributária não prejudique a política de bolsas de estudo;
- Exclusões no cálculo da tributação mínima, para evitar bitributação em determinados casos de renda variável e ganhos de capital.
Beneficiados pela ampliação da faixa de isenção
Quem ficará isento?
Com a mudança, trabalhadores e aposentados que recebam até R$ 5 mil mensais estarão dispensados de recolher o Imposto de Renda a partir de 2026.
Atualmente, a faixa de isenção está em R$ 2.824 mensais, valor ampliado gradualmente ao longo do atual governo.
Estimativa do governo
O Palácio do Planalto calcula que cerca de 16 milhões de contribuintes serão beneficiados diretamente pela nova regra. A maior concentração de beneficiados está nos estados do Sul e Sudeste, onde as médias salariais são mais altas.
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a medida tem forte impacto social e político, já que representa aumento do poder de compra da classe média e dos trabalhadores formais.
Impacto fiscal e compensações previstas

Custo para os cofres públicos
O projeto prevê um custo fiscal de:
- R$ 25,8 bilhões já em 2026;
- R$ 100,6 bilhões até 2028.
Esse impacto torna a compensação essencial para manter o equilíbrio fiscal e evitar questionamentos sobre a sustentabilidade da medida.
Novos mecanismos de arrecadação
Para compensar a perda, foram incluídas medidas que aumentam a carga tributária sobre rendas mais altas:
- Imposto mínimo sobre rendimentos acima de R$ 600 mil anuais, com alíquota progressiva até 10% a partir de R$ 1,2 milhão;
- Tributação de dividendos superiores a R$ 50 mil mensais em 10%;
- Revisão de benefícios fiscais e regimes especiais, em especial sobre fundos exclusivos e investimentos de alto rendimento.
Repercussão política
Ativo eleitoral para Lula
O governo federal enxerga na medida um trunfo político importante em ano eleitoral. Ao mesmo tempo em que amplia o alívio para a classe média, a proposta é vista como forma de reforçar a narrativa de justiça tributária, fazendo com que ricos passem a pagar mais para viabilizar a isenção de milhões de trabalhadores.
Apoio no Congresso
A votação com placar esmagador de 493 votos a favor reforça a coesão política em torno do tema. A ausência de votos contrários indica que a oposição não quis se posicionar contra uma medida popular.
O que muda na prática para o contribuinte
Tabela do IR a partir de 2026
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Com a ampliação, a tabela do Imposto de Renda terá nova estrutura:
- Até R$ 5 mil mensais: isento
- Entre R$ 5.000,01 e R$ 10.000: alíquota inicial reduzida (faixa de progressividade em debate no Senado)
- Acima de R$ 10 mil: faixas progressivas de acordo com a renda, seguindo a nova lógica da tributação mínima
Exemplos práticos
- Um trabalhador que recebe R$ 4.800 por mês hoje paga Imposto de Renda, mas a partir de 2026 ficará isento;
- Um contribuinte com salário de R$ 8.000 continuará pagando, mas com redução proporcional na carga efetiva;
- Um investidor que recebe R$ 60 mil em dividendos mensais terá tributação direta de 10%.
Ausências na votação: quem não compareceu
Apesar da votação histórica, 18 parlamentares estiveram ausentes. Entre eles:
- Eduardo Bolsonaro (PL-SP) – em viagem aos Estados Unidos;
- Luizianne Lins (PT-CE) – estava em flotilha interceptada por Israel;
- Marco Feliciano (PL-SP), José Medeiros (PL-MT), Nelson Barbudo (PL-MT) e outros parlamentares de diferentes partidos.
O registro das ausências foi utilizado por lideranças governistas para reforçar a ideia de que o projeto teve apoio quase unânime da Casa.
Próximos passos: tramitação no Senado

O texto agora segue para o Senado Federal, onde deve enfrentar novos debates.
Prazos decisivos
Para que a regra já seja aplicada às declarações de Imposto de Renda de 2026, o projeto precisa ser aprovado pelos senadores e sancionado pelo presidente Lula até o fim de 2025.
Possíveis ajustes
Entre os pontos que podem sofrer alterações no Senado estão:
- A alíquota da tributação mínima sobre rendimentos mais altos;
- A forma de compensação a Estados e municípios;
- A aplicação da regra para trabalhadores autônomos e informais.
Imagem: Zeca Ribeiro | Câmara dos Deputados
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