A Câmara dos Deputados deu um passo importante para os microempreendedores individuais (MEIs) do país. Em sessão da Comissão de Indústria, Comércio e Serviços, realizada no dia 9 de setembro de 2025, foi aprovado o Projeto de Lei Complementar 67/2025, que eleva o limite anual de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 150 mil.
MEI terá novo limite de faturamento: de R$ 81 mil para R$ 150 mil a partir de 2026
Câmara aprova proposta que eleva teto do MEI para R$ 150 mil com reajuste anual pelo IPCA. Saiba mais!
De autoria do deputado Heitor Schuch (PSB-RS), a proposta tem como principal objetivo corrigir uma defasagem acumulada e ampliar o espaço fiscal para o crescimento de negócios de pequeno porte sem que eles precisem migrar para o regime de microempresa (ME).
A relatoria foi do deputado Beto Richa (PSDB-PR), que apresentou parecer favorável e defendeu a proposta como forma de fomentar a formalização e reduzir a informalidade, especialmente nos setores de serviços e comércio.
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Proposta aprovada visa modernizar a Lei Complementar 123/2006
Atualização do Simples Nacional
A proposta altera a Lei Complementar 123/2006, que rege o Simples Nacional e os regimes tributários para micro e pequenas empresas. Segundo o relator, o teto atual de R$ 81 mil anuais representa um entrave para o crescimento do MEI, principalmente diante da inflação acumulada nos últimos anos e da expansão natural dos pequenos negócios.
Vigência a partir de 2026
Caso seja aprovada nas próximas etapas — incluindo a Comissão de Finanças e Tributação, Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), plenário da Câmara e, posteriormente, no Senado —, a nova regra terá vigência a partir de 1º de janeiro de 2026.
Crescimento do regime MEI reforça importância da atualização
Segundo dados da Receita Federal, o número de MEIs mais que dobrou entre 2018 e 2025:
- 2018: 7,8 milhões de registros
- 2025: 15,6 milhões de registros
De acordo com levantamento do Sebrae, os MEIs movimentam R$ 70 bilhões por ano na economia brasileira, sendo responsáveis por grande parte dos serviços e da produção informal que hoje se encontra parcialmente regularizada por esse regime tributário simplificado.
Reajuste anual pelo IPCA é outro avanço do PLP 67/25
Mecanismo de correção automática
Um dos pontos mais elogiados do projeto é a criação de um mecanismo de reajuste automático do teto de receita bruta anual, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Como funcionará
- O reajuste será feito sempre em fevereiro, considerando a inflação acumulada de janeiro a dezembro do ano anterior.
- O valor corrigido será divulgado pelo Governo Federal até o fim de janeiro, permitindo que os empreendedores se planejem com antecedência.
Essa medida evita que o limite fique congelado por vários anos, como ocorreu após a última alteração, promovida em 2018.
Benefícios esperados com o novo teto
Expansão dos negócios
Com o novo limite de R$ 150 mil por ano, o MEI poderá faturar até R$ 12,5 mil por mês, sem ultrapassar o enquadramento. Isso reduz o risco de desenquadramento por pequenas variações mensais e aumenta a margem para expansão controlada.
Mais acesso a crédito
Bancos e cooperativas de crédito tendem a oferecer melhores condições para MEIs com maior capacidade de faturamento. A formalização ainda facilita a emissão de notas fiscais e acesso a linhas de financiamento público, como Pronampe e BNDES Microcrédito.
Redução da informalidade
Com a nova faixa de enquadramento, a expectativa do Sebrae é de que mais 500 mil brasileiros possam se formalizar como MEI, especialmente nos setores de:
- Eventos;
- Tecnologia;
- Estética e beleza;
- Gastronomia e food trucks.
O que permanece inalterado no MEI

Apesar das mudanças, alguns pilares do modelo do MEI permanecem os mesmos, entre eles:
Emprego
O MEI poderá continuar contratando apenas um empregado, com carteira assinada e salário mínimo ou piso da categoria.
Regime tributário
A tributação mensal simplificada (DAS-MEI) será mantida, com alíquotas entre R$ 70 e R$ 80, dependendo da atividade (Comércio, Indústria ou Serviço).
Obrigações acessórias
- Declaração anual de faturamento (DASN-SIMEI)
- Pagamento em dia do DAS-MEI
- Emissão de nota fiscal quando exigida
PLP 67/25 é só o começo: outras propostas tramitam no Congresso
Diversos Projetos de Lei Complementar tramitam simultaneamente no Congresso Nacional, com propostas alternativas ou complementares ao PLP 67/25.
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PLP 108/2021
- Teto: R$ 130 mil
- Permite até dois empregados
- Aprovado no Senado, aguarda análise na Câmara
PLP 24/2024
- Teto: R$ 120 mil
- Enfoque em empreendedores rurais
- Correção anual também prevista
PLP 60/2025 – o “Super MEI”
- Teto: R$ 140 mil
- Permite mais de um contratado
- Em análise em comissão mista da Câmara
Comparativo entre as propostas
| Projeto | Teto Proposto | Empregados | Reajuste pelo IPCA |
|---|---|---|---|
| PLP 67/25 | R$ 150 mil | 1 | Sim |
| PLP 108/2021 | R$ 130 mil | 2 | Não |
| PLP 24/2024 | R$ 120 mil | 1 | Sim |
| PLP 60/2025 | R$ 140 mil | 2 ou mais | Sim |
O consenso entre as propostas é o reajuste anual pelo IPCA, visando impedir que o valor perca relevância frente à inflação. A principal diferença entre elas está na flexibilidade de contratação e no teto máximo de receita.
Pressão de setores acelera tramitação
Setor de eventos e cultura
O PLP 102/2025, que também tramita na Câmara, propõe incluir 21 novas categorias no MEI, como produtores, técnicos e artistas. A pressão por mudanças mais abrangentes tem impulsionado o avanço do debate sobre modernização do MEI.
Comércio e lojistas
Entidades representativas do varejo apoiam o aumento para R$ 150 mil, alegando que o limite atual impede a expansão natural de pequenos negócios, especialmente em áreas com alta rotatividade de estoque.
Agricultura familiar
Representantes da agricultura familiar têm dialogado com parlamentares para incluir especificidades regionais e permitir que pequenos produtores também sejam beneficiados por um MEI mais robusto.
Próximas etapas do PLP 67/25

Com a aprovação na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços, o projeto segue para a:
- Comissão de Finanças e Tributação, onde será analisado o impacto fiscal e orçamentário;
- Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que avaliará a constitucionalidade;
- Se aprovado, seguirá para votação no plenário da Câmara;
- Posteriormente, o texto irá ao Senado Federal;
- Caso não haja alterações, segue para sanção presidencial.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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