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Câmara aprova projeto que proíbe provedores de monetizar com conteúdo erotizado de crianças

A Câmara aprova o PL 2628/22, proibindo provedores de monetizar ou impulsionar conteúdos que sexualizem crianças e adolescentes.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
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Deputados deram aval recentemente ao projeto que visa proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. O texto aprovado representa um avanço na proteção integral de crianças e adolescentes, reforçando responsabilidades de provedores, pais e poder público no combate a práticas abusivas no ambiente online.

Principais pontos do PL 2628/22

Crianças no celular câmara
Imagem: Freepik

O projeto define que provedores de aplicações de internet devem implementar mecanismos para notificação e remoção de conteúdos prejudiciais, além de adotar medidas de controle parental e verificação de idade.

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Procedimentos de notificação e retirada

O projeto prevê que apenas a vítima, seus representantes, o Ministério Público ou entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente podem apresentar notificações de conteúdos ilegais.

Assim que comunicados, os provedores devem remover o conteúdo imediatamente, independentemente de ordem judicial. A notificação precisa conter informações suficientes para identificar o autor e o material, sendo proibida a denúncia anônima.

Contestação de retirada

O relator do projeto, deputado Jadyel Alencar, incluiu regras para contestação da remoção. Quem postar o conteúdo deve ser notificado sobre:

  • Motivo da retirada;
  • Fundamentação legal;
  • Possibilidade de recurso e prazos estabelecidos.

Uso abusivo das notificações

Os provedores devem criar mecanismos para identificar notificações abusivas, informando os usuários sobre critérios, sanções e procedimentos de recurso.

Sanções podem incluir:

  • Suspensão temporária da conta;
  • Cancelamento em casos de reincidência ou abuso grave;
  • Comunicação às autoridades competentes se houver indícios de infração penal.

Responsabilidade de pais e responsáveis

Apesar de recair sobre provedores a obrigação de remover conteúdos prejudiciais, o projeto reforça que pais e responsáveis devem atuar na prevenção da exposição de crianças a materiais inadequados, incluindo qualquer beneficiário financeiro da produção ou distribuição de conteúdos que envolvam menores.

Medidas para conteúdo impróprio

Os provedores de serviços digitais devem adotar medidas eficazes para impedir o acesso de menores a conteúdos inadequados ou proibidos, incluindo pornografia e materiais vedados por lei.

Entre as exigências, destacam-se:

  • Implementação de mecanismos confiáveis de verificação de idade;
  • Proibição de autodeclaração de idade;
  • Restrições específicas para criação de contas de menores em conteúdos pornográficos.

Verificação de idade e supervisão parental

Para padronizar a verificação de idade, o projeto permite atuação do poder público como regulador e certificador de soluções técnicas.

Papel das lojas de aplicativos e sistemas operacionais

Plataformas como Google Play, App Store, Android e iOS deverão:

  • Disponibilizar APIs para cruzamento de dados sobre a idade do usuário;
  • Permitir que pais configurem supervisão parental;
  • Exigir consentimento livre e informado dos responsáveis para download por adolescentes.

Os dados coletados devem ser usados exclusivamente para verificação de idade.

Ferramentas de controle parental

O projeto detalha que os fornecedores devem disponibilizar ferramentas que permitam:

  • Limitar comunicação com adultos não autorizados;
  • Restringir funções que incentivem uso prolongado ou compulsivo;
  • Exibir tempo de uso e limites de recursos;
  • Permitir desativação de sistemas de recomendação personalizados;
  • Restringir compartilhamento de geolocalização;
  • Fornecer educação digital e revisões periódicas de inteligência artificial para segurança infantil.

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Proteção de dados e LGPD

O projeto está alinhado à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), garantindo:

  • Confidencialidade de comunicações interpessoais;
  • Obrigatoriedade de relatórios de impacto quando o tratamento de dados for além do necessário para operação do serviço.

Fiscalização e autoridade administrativa

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Imagem: gary yim / Shutterstock.com

Uma futura autoridade administrativa autônoma será responsável por:

  • Editar regulamentos;
  • Fiscalizar cumprimento das normas;
  • Garantir a implementação de soluções técnicas seguras e auditáveis;
  • Promover consultas públicas e participação social no processo regulatório.

FAQ – Perguntas frequentes

Quem pode notificar conteúdos prejudiciais?
Apenas a vítima, representantes legais, o Ministério Público ou entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente.

O que acontece com notificações abusivas?
Os provedores podem aplicar sanções proporcionais, como suspensão temporária ou cancelamento de conta, e comunicar autoridades competentes.

Como os pais podem acompanhar o uso de aplicativos pelos filhos?
As ferramentas de supervisão parental permitem limitar tempo de uso, monitorar interações e controlar conteúdos acessíveis.

Quais plataformas precisam cumprir essas regras?
Provedores de aplicativos, lojas de aplicativos (App Store, Google Play) e sistemas operacionais (Android, iOS).

É permitido o acesso de crianças a conteúdo pornográfico?
Não. Os provedores devem impedir criação de contas e restringir acesso a menores de 18 anos.

Considerações finais

Com a entrada em vigor das novas regras, a sociedade brasileira dá um passo significativo na construção de ambientes digitais mais seguros e responsáveis, priorizando a integridade e o bem-estar das futuras gerações.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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