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Sophia Barclay recebeu benefícios sociais desde 2018 e depois criticou Bolsa Família

Sophia Barclay, candidata do PL, aparece em registros do Bolsa Família e de outros benefícios sociais desde 2018; defesa nega irregularidades.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··7 min de leitura
Bolsa Família

A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay (PL), conhecida nas redes sociais como “Trans de Direita”, aparece em registros públicos como beneficiária de programas de assistência social desde 2018. O caso ganhou repercussão porque, nos últimos anos, ela passou a criticar publicamente políticas como o Bolsa Família e o Gás do Povo.

Segundo levantamentos baseados em dados do Portal da Transparência, há registros de pagamentos vinculados ao nome de Barclay em diferentes programas federais. A defesa da candidata, porém, afirma que ela não recebe os benefícios de forma irregular e atribui parte dos registros à permanência de seu nome no Cadastro Único (CadÚnico) de um familiar.

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O que os registros mostram?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

De acordo com os dados divulgados em reportagens sobre o caso, Barclay começou a aparecer como beneficiária do Bolsa Família em maio de 2018, quando tinha 18 anos e vivia no Rio de Janeiro.

Os registros abrangem diferentes programas criados ou reformulados ao longo dos anos. Um levantamento citado pela imprensa contabiliza valores relacionados ao Bolsa Família, Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e Gás do Povo, chegando a cerca de R$ 27 mil no período analisado.

A existência dos pagamentos, por si só, não comprova que tenha ocorrido fraude ou recebimento indevido. Para determinar eventual irregularidade, seria necessário verificar as informações cadastrais, a renda declarada e os critérios de elegibilidade aplicáveis em cada período.

Por que o caso chamou atenção?

A repercussão aumentou devido às críticas feitas pela própria Barclay contra programas de transferência de renda.

Em setembro de 2025, a influenciadora publicou uma mensagem no X criticando beneficiários do Bolsa Família e questionando a permanência de pessoas no programa. Dias depois, segundo os registros citados pelas reportagens, houve pagamento de uma parcela de R$ 600 vinculada ao benefício.

Em 2026, ela também criticou o Gás do Povo. Em um vídeo publicado nas redes sociais, questionou por que o governo oferece auxílio para a compra do gás em vez de reduzir diretamente o preço do botijão.

Os registros consultados pelas reportagens indicaram que havia benefício relacionado ao programa de gás associado ao nome da candidata.

Candidata também propôs serviços comunitários

Durante a pré-campanha, Sophia Barclay apresentou uma proposta para modificar as regras do Bolsa Família.

A ideia defendida por ela era exigir que determinados beneficiários considerados aptos para trabalhar e sem filhos menores prestassem serviços comunitários para continuar recebendo o auxílio.

A proposta foi apresentada pela candidata como uma forma de fazer com que os beneficiários também contribuíssem para a sociedade. A medida, entretanto, não faz parte das regras atuais do Bolsa Família.

O que diz Sophia Barclay?

A assessoria da candidata afirma que ela não é contra programas de assistência social.

Segundo a equipe, Barclay defende que o Estado ofereça proteção a pessoas em situação de vulnerabilidade, mas entende que os benefícios devem funcionar como uma rede de proteção temporária, e não como uma fonte permanente de renda.

Sobre os registros encontrados no Portal da Transparência, a assessoria afirma que a candidata ficou surpresa ao descobrir que ainda aparecia como beneficiária.

A explicação apresentada é que seu nome teria permanecido vinculado ao Cadastro Único de um familiar. A equipe também afirma que Barclay trabalha, declara seus rendimentos e não teve intenção de esconder renda ou receber benefícios de maneira irregular.

Como funciona o Cadastro Único?

O Cadastro Único é uma base utilizada pelo governo federal para identificar e caracterizar famílias de baixa renda.

A inscrição é feita considerando a composição familiar. Por isso, uma pessoa pode aparecer no cadastro de uma família mesmo sem ser a responsável familiar ou a titular de determinado benefício.

Isso não significa, automaticamente, que qualquer pagamento associado ao nome de uma pessoa seja irregular. É necessário analisar a situação cadastral e as condições existentes no momento em que o benefício foi concedido.

Quem pode receber o Bolsa Família?

O Bolsa Família é destinado a famílias que atendem aos critérios estabelecidos pelo governo federal.

Atualmente, uma das principais condições é possuir renda mensal por pessoa de até R$ 218 e estar inscrito no Cadastro Único. A inscrição no CadÚnico, entretanto, não garante automaticamente a entrada no programa.

Os dados passam por análise e podem ser confrontados com outras bases do governo. Além disso, as famílias precisam cumprir determinadas condições relacionadas a saúde e educação.

O que é o Gás do Povo?

O Gás do Povo é uma política federal destinada a facilitar o acesso ao gás de cozinha para famílias de baixa renda.

O programa oferece recargas gratuitas de botijões de GLP de 13 quilos para famílias que atendem aos critérios estabelecidos pelo governo.

Entre as condições estão a inscrição e a atualização do CadÚnico, além de requisitos relacionados à renda familiar e à situação cadastral. A quantidade de recargas disponíveis também varia conforme o número de integrantes da família.

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Receber benefício e criticar o programa é ilegal?

Não. Uma pessoa pode criticar uma política pública e, desde que cumpra os critérios legais, ter direito a receber determinado benefício.

A questão jurídica é diferente: caso existam indícios de que alguém recebeu um auxílio sem atender aos requisitos, os órgãos responsáveis podem investigar a situação.

No caso de Sophia Barclay, os registros públicos demonstram a existência de pagamentos vinculados ao seu nome, enquanto sua assessoria apresenta uma explicação para os registros e nega irregularidades.

Até que haja uma conclusão oficial, não é possível afirmar apenas com base nos dados divulgados que houve fraude.

O caso pode prejudicar a candidatura?

A existência de registros no Bolsa Família ou em outro programa social não cancela automaticamente uma candidatura.

Uma eventual consequência eleitoral dependeria da comprovação de alguma irregularidade e da análise pelas autoridades competentes.

Por isso, é necessário separar duas questões: os registros de benefícios associados ao nome da candidata e a eventual existência de uma infração. O primeiro fato pode ser verificado nos dados públicos; o segundo exige apuração.

O que pode acontecer agora?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O principal ponto a ser esclarecido é a situação cadastral de Barclay nos períodos em que os pagamentos foram realizados.

Caso existam divergências entre a renda registrada no CadÚnico e outras informações oficiais, os órgãos responsáveis podem realizar uma averiguação. Dependendo do resultado, o benefício pode ser mantido, suspenso ou cancelado, além de outras medidas previstas na legislação quando há recebimento indevido comprovado.

Até o momento, as informações divulgadas sobre o caso apresentam versões diferentes: os registros públicos indicam pagamentos associados ao nome da candidata, enquanto sua defesa sustenta que os benefícios estariam relacionados a um cadastro familiar e nega intenção de receber valores irregularmente.

Conclusão

O caso de Sophia Barclay ganhou repercussão principalmente pelo contraste entre os benefícios registrados em seu nome e as críticas que ela fez ao Bolsa Família e a outras políticas de assistência social. Os dados públicos mostram pagamentos vinculados à candidata, enquanto sua assessoria sustenta que os registros estão relacionados ao cadastro de um familiar e nega qualquer recebimento irregular.

A situação ainda depende de esclarecimentos sobre o cadastro e as condições existentes nos períodos em que os benefícios foram concedidos. Até que haja uma conclusão oficial dos órgãos responsáveis, é preciso diferenciar os fatos comprovados nos registros públicos das alegações apresentadas pela candidata e por sua equipe.

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