Estar preso em um lugar sem conseguir dar a partida no carro é uma situação bastante comum e, por vezes, frustrante. Em muitos casos, a bateria descarregada é a principal culpada. Para reverter essa situação, uma solução prática é “pegar no tranco”.
Pegar um carro automático no tranco pode danificá-lo? Entenda os mitos e verdades!
Entenda se pegar um carro automático no tranco pode danificá-lo. Mitos e verdades sobre o processo e cuidados essenciais.
Mas será que essa técnica é segura, especialmente para veículos automáticos? Mitos e verdades sobre esse procedimento podem ajudar a entender melhor seus riscos e benefícios.
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O que acontece quando um carro fica parado?

Deixar um carro parado por longos períodos pode resultar em uma bateria sem carga, mas com algumas precauções, é possível evitar esse problema. Caso a bateria se descarregue, é recomendável recarregá-la em uma oficina elétrica ou utilizar a famosa “chupeta”.
Se a situação não exigir a troca da bateria, o uso do movimento das rodas motrizes para dar a partida no motor pode ser uma alternativa viável, embora não a mais ideal.
A prática de pegar no tranco envolve colocar o veículo em movimento e, em seguida, engatar a marcha para tentar dar a partida no motor. Isso é bastante comum em carros manuais, mas é possível fazer o mesmo em veículos automáticos?
1. Carros automáticos podem ser ligados no tranco? – Mito
Erwin Franieck, especialista em tecnologia e inovação da SAE Brasil, afirma que é viável usar a técnica de “pegar no tranco” em carros automáticos, mas com cautelas. Um dos principais cuidados é nunca colocar o câmbio na posição “P” enquanto o veículo está em movimento. Fazer isso pode travar as rodas, resultando em danos sérios.
Ao mudar para “P”, um pino aciona um mecanismo que pode quebrar o eixo que conecta o câmbio ao motor. Para evitar problemas, Franieck sugere manter o câmbio em “N” e, ao atingir cerca de 20 km/h, colocar em “D” ou “2” para tentar dar a partida.
2. Existe risco de danificar o veículo ao pegar no tranco? – Verdade
Edson Orikassa, ex-presidente da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), afirma que o risco de danos ao motor ou à transmissão ao pegar no tranco é relativamente baixo, especialmente em baixas velocidades. No entanto, a técnica deve ser realizada com cuidado para evitar danos, como soltar o pedal de embreagem de maneira brusca.
Franieck alerta que complicações podem ocorrer, especialmente se a correia dentada estiver desgastada e se romper durante o procedimento. Esse componente é crucial para o funcionamento do motor e sua quebra pode resultar em danos sérios, como válvulas entortadas.
3. O tranco pode causar mais danos a motores turbo? – Mito
Um conceito comum é que motores turbo podem ser mais suscetíveis a danos se pegarem no tranco. No entanto, Franieck explica que esse risco é exagerado. A turbina só é ativada a partir de 1.500 rpm, e, ao tentar dar a partida no motor, não se alcançam essas rotações. Portanto, o motor turbo não é mais vulnerável do que um motor aspirado nesse aspecto.
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4. Desconectar a bateria ajuda na partida? – Verdade
Desconectar a bateria pode facilitar a partida ao permitir que mais tensão seja liberada para os sistemas que ativam a combustão. A energia gerada pelo alternador, quando o veículo é movido, ajuda a recarregar a bateria e, consequentemente, a ativar os sistemas necessários.
Contudo, a ausência da bateria também aumenta o risco de desgaste de componentes eletrônicos do veículo, pois ela serve para estabilizar a voltagem gerada pelo alternador.
5. Carros injetados também podem “afogar”? – Verdade

A necessidade de gerar tensão suficiente para acionar as velas e o sistema de injeção torna o processo de pegar no tranco desafiador, especialmente para carros injetados. Com velocidade entre 10 km/h e 20 km/h, é possível conseguir a ignição. No entanto, em situações adversas, como terrenos irregulares ou peso excessivo no veículo, várias tentativas podem ser necessárias.
Nos carros carburados, o excesso de combustível não queimado pode atingir as velas, impedindo a ignição. Esse fenômeno também ocorre em motores injetados, especialmente se o veículo estiver abastecido com etanol em dias frios, quando a vaporizaçao é mais difícil.
Imagem: Freepik

