A Câmara dos Deputados está debatendo o Projeto de Lei 2552/24, que promete trazer um novo fôlego para os motoristas de aplicativos. O projeto autoriza o uso de até 60% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra de veículos novos ou usados, desde que destinados exclusivamente ao transporte de passageiros por meio de plataformas digitais.
Essa proposta, se aprovada, poderá representar uma alternativa viável para trabalhadores que buscam melhorar suas condições de trabalho e aumentar sua renda por meio do transporte de passageiros.
A Importância do Projeto de Lei para Motoristas de Aplicativos

Nos últimos anos, o transporte por aplicativo se consolidou como uma importante fonte de renda para muitos brasileiros, especialmente em grandes centros urbanos. Com a economia em recuperação lenta e os desafios financeiros crescentes, muitos trabalhadores têm buscado maneiras de empreender de forma autônoma.
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É nesse contexto que o PL 2552/24 se apresenta como uma solução para que motoristas possam adquirir ou trocar seus veículos, utilizando parte do FGTS, um benefício trabalhista que muitas vezes é deixado de lado até a aposentadoria ou em momentos de rescisão contratual.
Segundo o autor da proposta, o deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), o objetivo é “oferecer aos trabalhadores uma nova forma de empreender e gerar renda.” Ele destacou que o transporte por aplicativo é uma atividade lucrativa e cada vez mais popular, especialmente em áreas urbanas onde a demanda por transporte é constante.
Como Funcionará a Utilização do FGTS?
Se aprovado, o projeto permitirá que motoristas de aplicativos utilizem até 60% do saldo acumulado no FGTS para a compra de veículos. No entanto, o uso do recurso será limitado àqueles que atendam a determinados critérios. Os motoristas devem:
- Estar registrado na plataforma de transporte por um período mínimo de seis meses.
- Não possuir veículo em seu nome no momento da solicitação;
- Comprovar renda compatível para a manutenção do veículo adquirido.
Esses requisitos visam garantir que o benefício seja utilizado de forma responsável, evitando que motoristas sem experiência ou sem condições financeiras adquiram veículos sem planejamento adequado.
A Importância do Conselho Curador do FGTS
O papel do Conselho Curador do FGTS será fundamental para a regulamentação e fiscalização do uso desses recursos. Esse órgão será responsável por estabelecer critérios adicionais para a liberação do saldo e acompanhar de perto como os motoristas estão utilizando os veículos adquiridos com o FGTS.
Isso é importante para garantir que os carros comprados realmente sejam usados exclusivamente para a atividade de transporte de passageiros, evitando possíveis abusos ou desvios de finalidade.
Impactos Econômicos e Sociais
A proposta tem o potencial de gerar diversos impactos positivos tanto na vida dos motoristas quanto na economia em geral. A utilização do FGTS para a compra de veículos poderá:
- Aumentar a qualidade dos serviços prestados por motoristas de aplicativo, que poderão adquirir veículos mais novos e seguros.
- Incentivar o empreendedorismo, possibilitando que mais trabalhadores se formalizem na atividade de transporte de passageiros.
- Estimular o mercado automotivo, com o aumento das vendas de veículos novos e usados, o que também impacta positivamente o setor de manutenção e acessórios automotivos.
Além disso, a proposta também pode colaborar para a renovação da frota de veículos no país, que tende a ser um problema em algumas cidades onde muitos motoristas utilizam veículos mais antigos, menos eficientes e com maiores índices de poluição.
Requisitos de Aprovação e Próximos Passos
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Atualmente, o PL 2552/24 está sendo analisado por três importantes comissões na Câmara dos Deputados: a Comissão de Trabalho, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Cada uma dessas comissões será responsável por avaliar aspectos específicos da proposta, desde sua viabilidade financeira até a constitucionalidade.
Caso seja aprovado por essas comissões, o projeto ainda precisará ser submetido ao Senado antes de seguir para a sanção presidencial. Esse processo, que pode ser longo e complexo, é fundamental para garantir que todas as implicações do uso do FGTS para a compra de veículos sejam devidamente discutidas e avaliadas.
Desafios e Críticas ao Projeto

Embora o PL 2552/24 tenha recebido elogios por parte de muitos motoristas de aplicativos, alguns especialistas levantam questões sobre a viabilidade e o impacto de liberar o FGTS para a compra de veículos. Uma das principais preocupações é que o FGTS, tradicionalmente utilizado em momentos de desemprego ou aposentadoria, poderia ser “esvaziado” se for liberado para essa nova finalidade.
Além disso, há o risco de que motoristas se endividem para manter os custos de um veículo, como combustível, manutenção e seguro, o que pode comprometer a viabilidade econômica de sua atividade.
Outro ponto de crítica é o impacto sobre o fundo a longo prazo. A utilização massiva do FGTS para a compra de veículos pode afetar a capacidade do fundo de financiar programas habitacionais, que são uma de suas principais finalidades.
Considerações finais
O Projeto de Lei 2552/24, que autoriza motoristas de aplicativos a utilizarem até 60% do saldo do FGTS para a compra de veículos, pode representar uma nova era para o setor de transporte individual no Brasil.
Ao oferecer uma alternativa de financiamento para trabalhadores autônomos, a proposta incentiva o empreendedorismo e pode melhorar as condições de trabalho e de atendimento ao público. No entanto, sua aprovação ainda depende de análises profundas, e o impacto de longo prazo no FGTS e no setor automotivo será um dos pontos mais debatidos nos próximos meses.
