Quem comprou um dos primeiros carros elétricos ou híbridos vendidos no Brasil por mais de R$ 140 mil pode se deparar hoje com uma diferença expressiva no valor de mercado. Alguns modelos perderam mais da metade do preço de lançamento em poucos anos e agora aparecem na faixa dos R$ 60 mil a R$ 90 mil, segundo levantamento baseado na Tabela Fipe.
Entre os casos analisados estão Renault Kwid E-Tech, Nissan Leaf e Jeep Compass 4xe. A queda chama atenção não apenas pelo impacto para quem comprou o veículo novo, mas também porque pode tornar esses modelos mais acessíveis no mercado de usados.
O fenômeno está relacionado a uma combinação de fatores, como evolução tecnológica, aumento da concorrência, chegada de novos fabricantes e mudanças nos preços dos veículos eletrificados.
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Renault Kwid E-Tech é um dos casos de maior desvalorização

O Renault Kwid E-Tech chegou ao mercado brasileiro em 2022 com preço de R$ 142.990. Na época, o compacto representava uma das alternativas de entrada entre os veículos totalmente elétricos disponíveis no país.
No levantamento divulgado em junho de 2026, o modelo aparecia com valor de R$ 63.997 na Tabela Fipe. A diferença corresponde a uma desvalorização de aproximadamente 55,2% em relação ao preço de lançamento.
Na prática, um veículo que custava quase R$ 143 mil quando novo passou a ter uma referência de mercado inferior a R$ 64 mil alguns anos depois.
É preciso considerar, porém, que a Tabela Fipe representa um preço médio de referência. O valor efetivamente praticado em uma negociação pode ser diferente conforme ano, versão, quilometragem, estado de conservação, localização e procura pelo veículo.
Nissan Leaf também perdeu mais da metade do valor
Outro exemplo é o Nissan Leaf, um dos pioneiros entre os carros totalmente elétricos comercializados no Brasil.
Quando foi lançado no país, o modelo tinha preço de R$ 195.900. Segundo o levantamento, sua referência na Tabela Fipe chegou a R$ 90.497, o que representa uma redução de aproximadamente 53,8%.
A trajetória do Leaf ajuda a entender uma das características do mercado de carros elétricos: a tecnologia evolui rapidamente.
Modelos mais recentes passaram a oferecer diferentes níveis de autonomia, baterias atualizadas, novos sistemas eletrônicos e mais equipamentos. Com isso, veículos de gerações anteriores passaram a disputar espaço com produtos mais modernos.
Jeep Compass 4xe também sofreu forte queda
A desvalorização não ficou restrita aos veículos 100% elétricos.
O Jeep Compass 4xe, que utiliza um sistema híbrido plug-in, chegou ao Brasil em 2022 com preço de R$ 349 mil. No levantamento citado, o modelo aparecia por R$ 177.777 na Tabela Fipe.
A redução é de aproximadamente 49,1% em relação ao valor de lançamento.
O caso mostra que os híbridos também podem sofrer alterações significativas de preço no mercado de usados, principalmente quando novas opções surgem e a tecnologia se torna mais comum.
Veja alguns dos modelos que mais perderam valor
O levantamento comparou preços de lançamento com referências da Tabela Fipe. Os números abaixo correspondem à apuração divulgada com base nos valores de junho de 2026:
| Modelo | Preço de lançamento | Tabela Fipe | Desvalorização |
|---|---|---|---|
| Renault Kwid E-Tech | R$ 142.990 | R$ 63.997 | 55,2% |
| Nissan Leaf | R$ 195.900 | R$ 90.497 | 53,8% |
| Jeep Compass 4xe | R$ 349.000 | R$ 177.777 | 49,1% |
| CAOA Chery Arrizo 5e | R$ 159.900 | R$ 87.405 | 45,3% |
| Hyundai Ioniq Hybrid | R$ 199.990 | R$ 112.929 | 43,5% |
| BYD Song Plus | R$ 269.990 | R$ 178.213 | 34% |
| CAOA Chery Arrizo 6 Pro Hybrid | R$ 159.990 | R$ 108.520 | 32,2% |
| GWM Haval H6 GT | R$ 299.000 | R$ 205.562 | 31,3% |
| Kia Niro EX Hybrid | R$ 204.990 | R$ 141.655 | 30,9% |
| BYD Seal | R$ 296.800 | R$ 227.598 | 23,3% |
| BYD Song Pro GL | R$ 189.990 | R$ 153.636 | 19,1% |
Os valores da Tabela Fipe são atualizados periodicamente e podem mudar conforme o mês, o ano-modelo e a versão consultada.
Por que os carros elétricos desvalorizaram tanto?
A perda de valor não pode ser atribuída a uma única causa. O mercado brasileiro de eletrificados passou por uma transformação acelerada desde a chegada dos primeiros modelos.
Um dos principais fatores é justamente a velocidade da evolução tecnológica.
Novos modelos chegaram com mais tecnologia
Baterias mais modernas, maior autonomia e novos recursos de segurança e conectividade aumentaram a diferença entre algumas gerações de veículos.
Isso pode afetar o mercado de usados. Quando um consumidor encontra um modelo novo com tecnologia mais recente por uma diferença relativamente pequena de preço, um veículo antigo pode perder atratividade.
A concorrência aumentou
Outro fator foi a expansão da oferta de carros eletrificados no Brasil.
Fabricantes como BYD e GWM ampliaram a presença no mercado brasileiro e passaram a oferecer modelos elétricos, híbridos e híbridos plug-in em diferentes faixas de preço.
Com mais opções disponíveis, o consumidor passou a comparar não apenas carros usados entre si, mas também modelos seminovos com veículos novos.
O que isso significa para quem comprou um elétrico novo?
Para o proprietário que pagou o preço de lançamento, uma desvalorização dessa magnitude representa uma redução considerável no patrimônio investido no veículo.
Isso não significa, entretanto, que todos os proprietários terão necessariamente uma perda financeira exatamente igual ao percentual indicado pela Fipe.
O preço de venda depende das condições específicas de cada carro. Um veículo com baixa quilometragem, revisões em dia e excelente conservação pode ser negociado por um valor diferente da referência da tabela.
Além disso, o preço de compra originalmente pago também pode ter sido diferente do preço sugerido pela fabricante, especialmente em períodos de promoções, descontos ou condições especiais.
A queda de preço pode beneficiar quem procura um elétrico usado?
Para o consumidor que pretende comprar um carro elétrico usado, a forte desvalorização pode reduzir significativamente o custo de entrada.
Um modelo que custava mais de R$ 140 mil novo pode aparecer alguns anos depois por menos de R$ 70 mil. Isso torna a tecnologia acessível a um público que talvez não tivesse condições de comprar um veículo elétrico zero-quilômetro.
Mas preço baixo não é sinônimo de negócio vantajoso.
Antes de comprar, o consumidor precisa analisar o estado geral do veículo e, principalmente, a condição da bateria.
O que verificar antes de comprar um carro elétrico usado?
1. Estado da bateria
A bateria é um dos componentes mais importantes de um veículo elétrico. Por isso, é recomendável verificar seu estado, histórico de manutenção e eventual perda de capacidade.
Quando possível, uma avaliação realizada por profissional especializado pode ajudar a identificar problemas que não são perceptíveis durante um test-drive convencional.
2. Autonomia
A autonomia indicada pela fabricante não necessariamente corresponde ao que será obtido no uso cotidiano.
Temperatura, velocidade, relevo, trânsito, peso transportado e utilização do ar-condicionado podem influenciar o consumo de energia.
O comprador deve avaliar se a autonomia disponível atende à sua rotina.
3. Sistema de recarga
Também é necessário saber como o carro será carregado.
Quem possui uma vaga com possibilidade de instalação de carregador residencial terá uma realidade diferente de quem depende exclusivamente de estações públicas.
4. Manutenção e peças
Antes de fechar negócio, vale pesquisar a disponibilidade de peças e assistência técnica para o modelo.
Esse cuidado é especialmente relevante no caso de veículos que tiveram vendas mais restritas no Brasil.
5. Histórico do veículo
Documentação, revisões, eventuais acidentes e procedência também devem ser conferidos.
Uma vistoria cautelar pode ajudar a identificar problemas estruturais ou alterações que não aparecem imediatamente durante uma avaliação visual.
A Tabela Fipe determina quanto o carro deve ser vendido?
Não.
A Tabela Fipe é uma referência de preços médios de veículos no mercado brasileiro. Ela não estabelece obrigatoriamente o preço final de uma negociação.
Características específicas do automóvel e as condições do mercado podem fazer com que o preço fique acima ou abaixo da referência.
Por isso, quem pretende comprar ou vender um elétrico usado deve consultar a Fipe e também observar anúncios de veículos equivalentes na mesma região.
Carros elétricos continuarão desvalorizando rapidamente?
Não é possível determinar antecipadamente qual será a desvalorização de um modelo específico.
O mercado ainda está passando por mudanças importantes, com novas tecnologias, fabricantes, modelos e estratégias comerciais chegando ao Brasil.
A experiência dos primeiros veículos eletrificados, porém, mostra que a evolução tecnológica pode ter impacto significativo sobre o preço dos modelos usados.
Para quem pretende comprar um carro novo, portanto, não basta olhar apenas o preço de aquisição. Autonomia, tecnologia da bateria, garantia, custo de manutenção, seguro, infraestrutura de recarga e perspectiva de revenda também fazem parte da análise.
O que a queda de preços revela sobre o mercado?

A trajetória do Kwid E-Tech, Leaf e Compass 4xe mostra como o mercado de veículos eletrificados mudou em um período relativamente curto.
Para quem comprou esses modelos novos, a desvalorização pode representar uma perda expressiva na hora da revenda. Para quem está procurando um usado, por outro lado, os preços atuais podem representar uma porta de entrada mais barata para a tecnologia.
O cuidado está em não avaliar o carro apenas pelo desconto em relação ao preço original. Bateria, autonomia, manutenção, peças, carregamento e histórico do veículo precisam entrar na conta antes da compra.
Em um segmento que evolui rapidamente, o preço de hoje pode ser apenas uma parte da história.
Conclusão
A forte desvalorização de alguns dos primeiros carros elétricos e híbridos vendidos no Brasil mostra como a rápida evolução da tecnologia pode alterar o mercado em poucos anos. Modelos que chegaram a custar mais de R$ 140 mil agora aparecem com referências abaixo de R$ 70 mil, como ocorreu com o Renault Kwid E-Tech.
Para quem pretende comprar um eletrificado usado, a queda pode representar uma oportunidade de encontrar modelos mais acessíveis. Antes de fechar negócio, porém, é fundamental analisar a bateria, autonomia, histórico de manutenção, garantia, disponibilidade de peças e estrutura de recarga.
Já para quem pensa em comprar um elétrico novo, os valores atuais servem como um alerta sobre a importância de considerar também a futura revenda. Em um mercado que passa por mudanças constantes, tecnologia, concorrência e evolução das baterias podem ter impacto direto no valor do veículo ao longo do tempo.
