A Casas Bahia está prestes a dar mais um passo significativo em sua reestruturação financeira: a conversão de quase toda a dívida remanescente da empresa em ações. Essa estratégia visa zerar a alavancagem do grupo, embora implique na diluição dos atuais acionistas. A medida representa o segundo capítulo de um movimento iniciado em junho deste ano, quando a varejista converteu integralmente a Série 2 da sua 10ª emissão de debêntures em participação acionária, consolidando a Mapa Capital como acionista controladora.
Casas Bahia revela: como a gigante vai usar vendas e cortes para eliminar o endividamento
Casas Bahia planeja converter dívidas em ações, reduzindo alavancagem e diluindo acionistas. Monta assembleia e negocia com credores.
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Histórico da reestruturação
Em junho, a conversão da Série 2 de debêntures marcou o início da reorganização da estrutura de capital da Casas Bahia. O movimento permitiu que a Mapa Capital assumisse o controle majoritário da companhia, ao mesmo tempo em que trouxe alívio financeiro imediato. Agora, a varejista pretende replicar a operação com as Séries 1 e 3 da mesma emissão de debêntures, que juntas somam R$ 3,29 bilhões — sendo R$ 1,85 bilhão da Série 1 e R$ 1,44 bilhão da Série 3.
Bradesco e Banco do Brasil detêm cerca de 55% das debêntures da Série 1, enquanto o restante está distribuído entre fundos, assets e investidores institucionais. Fontes próximas à companhia afirmam que, após o primeiro movimento, muitos credores demonstraram interesse em discutir a conversão de suas dívidas em ações. “Depois do último movimento, muitos credores procuraram a Casas Bahia com o interesse em discutir a conversão de dívida. E os bancos também estão interessados em repetir o que foi feito na Série 2,” revelou um representante à imprensa financeira.
Assembleia geral extraordinária e aumento de capital
Para viabilizar a operação, a Casas Bahia convocou uma assembleia geral extraordinária para o dia 17 de dezembro. O objetivo é aprovar um aumento do capital autorizado da empresa, que passaria dos atuais R$ 9 bilhões para até R$ 13,25 bilhões. Esse ajuste permitirá a emissão das novas ações, necessárias para absorver a conversão das dívidas.
O aumento de capital autorizado é uma etapa crucial, pois estabelece o teto máximo de emissão de ações que a companhia pode colocar no mercado sem necessidade de novas aprovações, oferecendo flexibilidade para acomodar o interesse dos credores.
Proposta de reprofiling da dívida
Como parte da estratégia, a empresa apresentou aos debenturistas uma proposta de reprofiling agressivo da dívida. Entre os principais pontos estão: alongamento do vencimento até 2050, eliminação das amortizações extraordinárias, retirada das garantias reais e transformação da dívida em quirografária. Esse tipo de dívida é menos protegido, oferecendo maior risco aos credores, e tem como objetivo incentivá-los a optar pela conversão em ações.
Segundo especialistas do setor financeiro, esse modelo de reprofiling é uma forma de pressionar os credores a escolherem a conversão em equity como alternativa mais segura diante de um cenário de longo prazo e incertezas sobre a recuperação de capital.
Situação atual da alavancagem
A Casas Bahia chega a essa negociação com uma alavancagem de 1,9x, incluindo risco sacado e fornecedores. Excluindo esses itens, a alavancagem real da empresa seria de aproximadamente 0,5x, mostrando uma situação financeira mais confortável do que os números brutos indicam. Caso a proposta de conversão seja aprovada, a companhia enfrentará uma nova rodada de diluição acionária, similar ao processo realizado com a Série 2, mas conquistará caixa líquido para fortalecer sua operação.
Papel da Mapa Capital na operação
Fontes afirmam que, como Bradesco e Banco do Brasil venderam parte de seus créditos para a Mapa Capital durante a primeira conversão, a tendência é que o mesmo ocorra agora. Isso manteria a Mapa como controladora da Casas Bahia, consolidando ainda mais sua influência sobre a estratégia corporativa da varejista.
Apesar do cenário favorável, a companhia pretende avançar com cautela. O anúncio oficial da conversão só será feito quando houver convicção da adesão dos credores. “Há um desenho sendo construído, conversas avançadas e interesse genuíno dos credores, mas não existe garantia de que vai acontecer,” explicou uma fonte próxima à negociação.
Repercussão no mercado
Desde a conclusão da primeira negociação com os credores da Série 2, as ações da Casas Bahia registraram valorização de cerca de 2%. Atualmente, a empresa apresenta valor de mercado de R$ 2,6 bilhões na B3, refletindo a confiança do mercado no plano de reestruturação e na estabilidade futura da companhia.
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Especialistas apontam que a conversão de dívida em ações é uma prática cada vez mais comum em operações de reestruturação financeira, especialmente em empresas de varejo que precisam reduzir alavancagem e reforçar caixa. Embora haja diluição acionária, o efeito positivo no balanço patrimonial e na liquidez operacional tende a gerar resultados consistentes no médio prazo.
Impactos da diluição para acionistas
A conversão das Séries 1 e 3 em ações implicará em diluição significativa para os acionistas existentes. No entanto, a medida permite à companhia zerar sua alavancagem financeira e fortalecer seu caixa. Essa troca entre dívida e equity é vista como necessária para preservar a continuidade das operações e garantir a estabilidade financeira da rede varejista.
Analistas de mercado destacam que, embora a diluição reduza temporariamente o controle e o valor relativo dos acionistas atuais, ela cria condições para que a empresa retome investimentos e cresça de forma sustentável, especialmente em períodos de incerteza econômica.
Estratégia de longo prazo
A Casas Bahia, sob controle da Mapa Capital, adota uma estratégia de longo prazo que combina redução de alavancagem, ampliação da base acionária e manutenção do caixa líquido. O objetivo é consolidar a posição da varejista no mercado, aumentar a capacidade de investimento e enfrentar a concorrência de outras redes de varejo e e-commerce.
A abordagem gradual e cautelosa demonstra que a empresa está equilibrando interesses de credores e acionistas, buscando consenso antes de oficializar mudanças estruturais que afetam toda a companhia.
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Imagem: rafapress / Shutterstock.com
