Em pouco mais de uma semana, três empresas conhecidas dos brasileiros recorreram a mecanismos legais para reorganizar dívidas bilionárias ou preservar suas operações. Casas Bahia e Marabraz pediram recuperação judicial, enquanto a Braskem optou pela recuperação extrajudicial.
Os casos não são iguais. A Casas Bahia tenta renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões submetidos ao processo judicial. A Marabraz declarou aproximadamente R$ 140 milhões em dívidas. Já a Braskem busca reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões, equivalentes a aproximadamente R$ 56 bilhões, por meio de uma negociação extrajudicial.
Embora cada companhia tenha problemas próprios, os pedidos apontam para uma dificuldade comum: manter dívidas antigas em um ambiente de juros ainda elevados, crédito mais seletivo, margens apertadas e mudanças no consumo.
A recuperação não significa que a empresa fechou ou faliu. Trata-se de uma tentativa de ganhar tempo, reorganizar pagamentos e manter atividades, empregos e contratos. O processo, porém, pode provocar perdas para credores e investidores, além de mudanças em lojas, operações e prazos de pagamento.
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O que aconteceu com Casas Bahia, Braskem e Marabraz

Os três pedidos foram apresentados em agosto de 2026, mas seguem caminhos jurídicos diferentes.
Casas Bahia tenta reorganizar R$ 17,3 bilhões
O Grupo Casas Bahia protocolou o pedido de recuperação judicial em 16 de agosto. O processo envolve a companhia e nove subsidiárias, incluindo operações de comércio eletrônico, logística, tecnologia e fabricação de móveis.
Segundo os documentos disponibilizados pela área de relações com investidores do grupo, cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas estão sujeitos à recuperação judicial. O valor inclui aproximadamente R$ 754 milhões em créditos trabalhistas e R$ 154 milhões devidos a microempresas e empresas de pequeno porte.
A maior parcela está concentrada nos chamados credores quirografários. Eles são fornecedores, bancos, investidores ou outros credores que não possuem uma garantia real específica, como um imóvel vinculado diretamente à dívida.
Além dos débitos incluídos no processo, existem obrigações que podem ficar fora da recuperação por terem garantias ou tratamento jurídico diferente. Isso explica por que algumas estimativas apontam uma dívida total do grupo próxima de R$ 28 bilhões, embora o pedido envolva R$ 17,3 bilhões.
A companhia já havia utilizado uma recuperação extrajudicial em 2024 para reestruturar aproximadamente R$ 4,8 bilhões. O novo pedido mostra que aquela negociação não foi suficiente para resolver todos os problemas financeiros de longo prazo.
Marabraz pede proteção judicial por dívida de R$ 140 milhões
A Marabraz apresentou seu pedido de recuperação judicial em 15 de agosto. O processo tramita na Justiça de São Paulo e abrange cinco empresas ligadas à operação da rede.
O passivo declarado é de aproximadamente R$ 140,2 milhões. Segundo a justificativa apresentada pela varejista, a crise foi provocada por uma combinação de juros elevados, dificuldades do setor, restrição de crédito e conflitos societários e familiares.
A empresa informou que pretende manter suas lojas abertas e preservar empregos e relações com fornecedores. Isso é possível porque a recuperação judicial não paralisa automaticamente as atividades.
A situação da Marabraz também ilustra a pressão sobre o varejo de móveis e eletrodomésticos. Esses produtos têm valores mais elevados e frequentemente são comprados a prazo. Quando o crédito fica caro, o consumidor adia a troca do sofá, do guarda-roupa, da geladeira ou da televisão.
Braskem escolhe a recuperação extrajudicial
A Braskem protocolou, em 24 de agosto, um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 56 bilhões na conversão do período.
A dívida incluída é principalmente financeira. A proposta busca renegociar compromissos com bancos e investidores sem submeter toda a operação da petroquímica a uma recuperação judicial tradicional.
A Braskem enfrenta um ciclo desfavorável na indústria petroquímica, marcado por excesso de oferta global, concorrência de produtos importados e redução das margens. Empresas dos Estados Unidos conseguem produzir determinados materiais utilizando etano, uma matéria-prima que pode ser mais barata do que a nafta utilizada em boa parte da produção brasileira.
A expansão da capacidade industrial da China também alterou o comércio global. O país passou a produzir mais produtos petroquímicos internamente, diminuindo importações e aumentando a pressão sobre fabricantes de outras regiões.
Existe realmente uma onda de recuperações judiciais?
Os casos recentes não são acontecimentos isolados. Os dados mostram que mais empresas brasileiras vêm utilizando instrumentos de reorganização financeira.
Levantamento da Serasa Experian aponta que 2025 terminou com 977 processos de recuperação judicial envolvendo 2.466 CNPJs. O número de empresas atingiu o maior nível da série utilizada pela instituição e representou alta de 13% em relação ao ano anterior.
É necessário interpretar os números com cuidado. A Serasa atualizou sua metodologia para diferenciar a quantidade de processos do número de CNPJs envolvidos. Uma única recuperação de grupo econômico pode reunir várias empresas e, portanto, não é correto comparar automaticamente todos os indicadores antigos com os novos.
Até abril de 2026, haviam sido registrados 268 processos, abrangendo 602 CNPJs. Esses dados reforçam que a reorganização financeira continua sendo utilizada com frequência em diferentes setores. Serasa Experian
Em 2025, serviços e agropecuária concentraram a maior quantidade de empresas envolvidas. Já os grandes casos de 2026 chamaram mais atenção por incluírem grupos conhecidos dos setores de varejo, alimentos, energia e indústria.
Por que tantas empresas estão recorrendo à recuperação
Juros elevados ajudam a explicar o movimento, mas não são a única causa. Uma empresa normalmente chega à recuperação depois que vários problemas se acumulam.
Crédito caro aumenta rapidamente as despesas
A taxa Selic estava em 14% ao ano após a reunião de agosto de 2026 do Comitê de Política Monetária. Embora tenha recuado, permanecia em nível elevado. Banco Central
A Selic não é necessariamente a taxa paga pelas empresas. Ela serve como referência para o mercado. Os empréstimos corporativos também incluem risco de inadimplência, custos administrativos, prazo e garantias.
Dados do Banco Central mostravam taxa média de 24,4% ao ano nas operações de crédito livre para empresas. Negócios considerados arriscados podem pagar muito mais. Banco Central
Em uma empresa com R$ 1 bilhão em dívidas, cada ponto percentual adicional representa potencialmente R$ 10 milhões por ano em despesas financeiras, antes de considerar amortizações e particularidades dos contratos.
Empresas passam a depender da rolagem da dívida
Muitas companhias não quitam todos os empréstimos no vencimento. Elas renovam parte das obrigações, em uma operação conhecida como rolagem da dívida.
O mecanismo funciona enquanto bancos e investidores aceitam oferecer novos recursos. O problema surge quando o risco aumenta e os credores passam a exigir juros maiores, prazos menores ou garantias adicionais.
Nesse momento, a empresa pode entrar em um círculo difícil:
- os resultados pioram;
- o mercado percebe maior risco;
- o custo do crédito sobe;
- a despesa financeira cresce;
- o caixa enfraquece;
- os credores reduzem ainda mais a oferta de dinheiro.
A recuperação busca interromper esse processo antes que a falta de caixa inviabilize completamente a operação.
Consumo fraco atinge setores dependentes de parcelamento
Casas Bahia e Marabraz atuam em um segmento muito sensível ao crédito. Móveis, eletrodomésticos e eletrônicos costumam ser comprados em prestações.
Quando os juros sobem e as famílias estão endividadas, parte dos consumidores evita assumir novas parcelas. A venda pode cair justamente quando a varejista precisa gerar mais caixa para pagar suas dívidas.
As lojas também enfrentam concorrência de marketplaces, importados e novos hábitos de consumo. Manter grandes pontos físicos, estoques, centros de distribuição e equipes se torna mais difícil quando o faturamento não acompanha os custos.
Problemas internos agravam o cenário econômico
Juros altos podem pressionar empresas saudáveis, mas raramente explicam sozinhos uma crise de grandes proporções.
Estratégias comerciais equivocadas, expansão excessiva, baixa geração de caixa, falhas de governança, conflitos societários e dependência de financiamento de curto prazo também aumentam a vulnerabilidade.
No caso da Braskem, a pressão vem de um ciclo internacional desfavorável da petroquímica. Na Marabraz, disputas societárias aparecem entre os fatores alegados. Na Casas Bahia, a deterioração operacional e financeira se estendeu por vários balanços.
Portanto, não existe uma causa única para a onda de recuperações. O cenário econômico funciona como um acelerador de fragilidades que já estavam presentes.
Qual é a diferença entre recuperação judicial e extrajudicial?
Os dois instrumentos são regulados pela Lei nº 11.101/2005, atualizada pela Lei nº 14.112/2020. Ambos procuram evitar a falência de uma empresa economicamente viável, mas com dificuldade para pagar suas obrigações. Lei nº 11.101
Recuperação judicial
Na recuperação judicial, a empresa apresenta o pedido à Justiça e precisa entregar informações detalhadas sobre suas contas, credores, bens e motivos da crise.
Se o processamento for autorizado, determinadas cobranças e execuções ficam suspensas por um período, conhecido como stay period. Essa pausa cria espaço para a negociação do plano.
O plano pode propor:
- desconto sobre as dívidas;
- aumento do prazo de pagamento;
- carência antes da primeira parcela;
- redução de juros;
- venda de ativos;
- fechamento de unidades;
- conversão de dívida em participação na empresa;
- reorganização societária;
- entrada de novos investidores.
Os credores sujeitos ao processo votam a proposta em assembleia. Eles são divididos em classes, como trabalhadores, credores com garantia real, quirografários e microempresas.
Se o plano for aprovado e homologado, torna-se obrigatório para os credores alcançados. Se for rejeitado e não houver outra solução jurídica, a falência pode ser decretada.
Recuperação extrajudicial
A recuperação extrajudicial começa com uma negociação mais direta entre a empresa e determinados credores.
Depois de alcançar a adesão necessária, a companhia pode pedir a homologação judicial do acordo. A Justiça exerce um papel mais limitado do que na recuperação judicial completa.
Esse caminho costuma ser usado quando a crise está concentrada em dívidas financeiras e a empresa ainda consegue negociar de maneira organizada.
A recuperação extrajudicial pode ser mais rápida, discreta e menos invasiva. Em contrapartida, não oferece a mesma abrangência da recuperação judicial e não resolve automaticamente todas as obrigações.
Foi esse o instrumento escolhido pela Braskem, cujo processo se concentra principalmente em credores financeiros.
Recuperação judicial é o mesmo que falência?
Não. Recuperação e falência são procedimentos diferentes.
Na recuperação, a empresa afirma que ainda tem condições de continuar funcionando, desde que consiga reorganizar seus compromissos. O objetivo legal é preservar a atividade econômica, os empregos e a geração de riqueza.
Na falência, considera-se que a continuidade se tornou inviável. Os bens são arrecadados e vendidos para pagar os credores conforme a ordem prevista em lei.
Isso não significa que toda recuperação terá sucesso. Se a empresa não conseguir aprovar ou cumprir o plano, o processo pode ser convertido em falência.
Por outro lado, o simples pedido de recuperação não indica que as lojas fecharão imediatamente ou que todos os funcionários serão demitidos.
O que acontece com os trabalhadores
Os salários posteriores ao pedido devem continuar sendo pagos normalmente enquanto a empresa estiver operando.
Valores trabalhistas anteriores ao processo podem entrar na recuperação. A legislação estabelece tratamento específico para esses créditos, considerados socialmente mais sensíveis.
A recuperação também não autoriza demissões coletivas sem respeito às regras trabalhistas. O Supremo Tribunal Federal definiu que a participação prévia do sindicato é uma exigência para dispensas em massa, embora isso não signifique necessidade de autorização sindical.
No caso da Casas Bahia, demissões realizadas no contexto da reestruturação passaram a ser discutidas na Justiça do Trabalho. Essa disputa é separada do processo de recuperação judicial.
O trabalhador deve acompanhar:
- comunicados oficiais da empresa;
- orientações do sindicato;
- relação de credores;
- valores reconhecidos no processo;
- prazos para apresentar divergência ou habilitar crédito.
Se o nome ou o valor estiver incorreto, pode ser necessário procurar o administrador judicial, o sindicato ou um advogado.
Clientes podem continuar comprando nas lojas?
Em princípio, sim. Casas Bahia e Marabraz podem manter lojas, sites, vendas e entregas durante a recuperação.
O pedido não cancela automaticamente compras, garantias ou direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor. A empresa continua responsável pelos produtos e serviços oferecidos.
Mesmo assim, o consumidor deve adotar cuidados extras em compras de maior valor:
- guardar nota fiscal e comprovante de pagamento;
- salvar a descrição e o prazo de entrega;
- preferir meios de pagamento que permitam contestação;
- acompanhar o pedido pelo canal oficial;
- evitar pagamento integral antecipado quando o prazo de entrega for longo;
- registrar reclamação por escrito em caso de problema.
Se o produto já foi comprado, a recuperação judicial não significa que a entrega será cancelada. Mas atrasos ou dificuldades operacionais podem ocorrer durante uma reestruturação.
O consumidor que não receber o produto poderá registrar reclamação no Procon, no Consumidor.gov.br ou buscar o Judiciário, conforme o caso.
O que muda para fornecedores
Fornecedores estão entre os grupos mais expostos, porque podem ter valores antigos incluídos na recuperação e, ao mesmo tempo, precisam decidir se continuarão vendendo para a empresa.
As dívidas anteriores ao pedido podem receber descontos e prazos maiores. Já os fornecimentos realizados depois do início do processo geralmente seguem uma dinâmica diferente e precisam ser pagos conforme os novos contratos.
Para reduzir riscos, fornecedores podem:
- conferir se o crédito aparece na lista;
- verificar a classe e o valor indicado;
- respeitar os prazos de habilitação ou divergência;
- avaliar novas vendas com cautela;
- renegociar prazo e garantia;
- evitar ampliar a exposição sem analisar o plano;
- participar da assembleia de credores.
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Microempresas e empresas de pequeno porte possuem classe própria na recuperação judicial. Ainda assim, podem enfrentar impacto relevante se dependerem excessivamente de um único cliente.
Investidores podem perder dinheiro?
Sim. A recuperação costuma reduzir o valor de ações, debêntures, fundos e outros ativos ligados à empresa, embora o efeito dependa de cada investimento.
Acionistas
Quem possui ações é sócio da companhia, não credor. O acionista não participa da fila de pagamento da mesma forma que bancos, fornecedores ou trabalhadores.
As ações podem continuar negociadas, mas tendem a apresentar grande volatilidade. Também existe risco de diluição se dívidas forem convertidas em novas ações.
Debêntures e outros títulos de dívida
O investidor que comprou uma debênture emprestou dinheiro à empresa. Se o título estiver sujeito à recuperação, pode haver:
- adiamento do vencimento;
- redução dos juros;
- desconto sobre o principal;
- suspensão temporária de pagamentos;
- troca por outro título;
- conversão em ações.
O impacto depende das garantias e do enquadramento jurídico do crédito. Nem toda dívida entra obrigatoriamente no processo.
Fundos de investimento
Uma pessoa pode estar exposta sem ter comprado diretamente ações ou debêntures. Fundos de renda fixa, multimercados, fundos de previdência e produtos estruturados podem carregar títulos das companhias.
O investidor deve consultar a carteira do fundo, os fatos relevantes e os comunicados da gestora. Resgatar por impulso depois que o preço já caiu pode transformar uma perda contábil em definitiva, mas permanecer investido também envolve risco. A decisão precisa considerar o produto e o perfil individual.
A recuperação garante que a empresa será salva?
Não. A lei oferece um ambiente de negociação, mas não cria faturamento nem corrige automaticamente os problemas do negócio.
Para a recuperação funcionar, a empresa precisa gerar caixa suficiente para manter as operações e cumprir o plano. Também deve recuperar a confiança de fornecedores, bancos, funcionários e consumidores.
Os principais sinais a acompanhar são:
- evolução das vendas;
- geração de caixa operacional;
- redução das despesas;
- fechamento ou venda de ativos;
- obtenção de novo financiamento;
- adesão dos credores;
- aprovação do plano;
- cumprimento das parcelas;
- continuidade das operações essenciais.
Um plano pode parecer viável no papel e fracassar se depender de projeções excessivamente otimistas.
O que os casos dizem sobre a economia brasileira
A sequência de pedidos não significa que todas as empresas do país estejam próximas da falência. Também não representa, sozinha, uma crise econômica generalizada.
O movimento indica, porém, que o período prolongado de crédito caro está cobrando um preço maior de negócios endividados.
Mesmo com a Selic em trajetória de queda, os efeitos não chegam imediatamente às empresas. Dívidas contratadas anteriormente continuam produzindo juros, e instituições financeiras demoram a reduzir taxas para clientes considerados arriscados.
Há ainda diferenças importantes entre os setores. O varejo depende do consumo e do parcelamento. A indústria petroquímica responde ao mercado global, ao câmbio, às matérias-primas e à concorrência externa. O agronegócio sofre com preços, clima, custos e crédito rural.
A onda de recuperações, portanto, funciona como um alerta sobre a qualidade das dívidas corporativas. Empresas que cresceram com crédito abundante podem ter dificuldade para atravessar um ciclo de juros altos sem reorganizar balanços.
O que deve acontecer agora
Casas Bahia e Marabraz precisarão avançar pelas etapas do processo judicial, apresentar planos detalhados e negociar com diferentes classes de credores.
Os planos definirão descontos, prazos, venda de ativos e condições de pagamento. Até a aprovação, podem ocorrer disputas sobre quais dívidas estão incluídas, quais valores são corretos e quais bens são essenciais para as operações.
A Braskem deverá buscar adesão suficiente dos credores financeiros e a homologação de seu plano extrajudicial. O processo tende a ser mais concentrado do que os das varejistas, mas envolve cifras significativamente maiores e credores internacionais.
Para trabalhadores, consumidores, fornecedores e investidores, a recomendação é acompanhar documentos oficiais, e não apenas rumores nas redes sociais. Pedido, deferimento do processamento, aprovação do plano e encerramento da recuperação são etapas diferentes.
As três empresas continuam operando enquanto tentam reorganizar suas contas. O resultado dependerá menos do tamanho da dívida isoladamente e mais da capacidade de voltar a gerar caixa depois da renegociação.
Perguntas frequentes

Casas Bahia vai fechar todas as lojas?
Não há determinação de fechamento de todas as lojas. A recuperação busca manter as atividades, embora a reestruturação possa incluir encerramento de unidades, redução de despesas e venda de ativos.
Quem comprou na Casas Bahia ou na Marabraz vai receber o produto?
As empresas continuam responsáveis pelas entregas e pelos direitos do consumidor. O pedido de recuperação não cancela automaticamente as compras. Em caso de atraso, o cliente deve guardar documentos e acionar os canais oficiais e os órgãos de defesa do consumidor.
Braskem está em recuperação judicial?
Não. A Braskem protocolou recuperação extrajudicial, mecanismo negociado principalmente com os credores alcançados pelo plano e posteriormente submetido à homologação da Justiça.
Recuperação judicial apaga as dívidas?
Não. As obrigações são renegociadas. O plano pode estabelecer desconto, carência, redução de juros e alongamento, mas precisa seguir a legislação e ser aprovado conforme as regras do processo.
A empresa pode demitir funcionários durante a recuperação?
Pode realizar ajustes de pessoal, mas deve cumprir a legislação trabalhista. Demissões coletivas exigem participação sindical prévia, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.
Quem tem debêntures pode perder dinheiro?
Sim. O investidor pode enfrentar desconto, adiamento de pagamento, menor liquidez ou troca das condições do título. O impacto depende da série, das garantias e da inclusão ou não do crédito no processo.
Quanto tempo dura uma recuperação judicial?
Não há duração única. A negociação e a aprovação do plano podem levar meses, enquanto o cumprimento das obrigações pode durar vários anos.
Recuperação judicial sempre termina em falência?
Não. Algumas empresas conseguem aprovar e cumprir seus planos. Outras têm a falência decretada quando o plano é rejeitado, descumprido ou se mostra inviável.



