As Casas Bahia, uma das principais varejistas do Brasil, encerraram o segundo trimestre de 2025 com um prejuízo líquido de R$ 555 milhões, revertendo o lucro de R$ 37 milhões obtido no mesmo período de 2024. O resultado negativo, divulgado na noite desta quarta-feira (13), superou amplamente as projeções mais pessimistas dos analistas, que estimavam perdas em torno de R$ 285 milhões.
Casas Bahia registra prejuízo de R$ 555 milhões
Casas Bahia tem prejuízo de R$ 555 milhões no 2º tri de 2025, revertendo lucro e superando previsões negativas.
O número causou impacto no mercado financeiro e expôs os desafios enfrentados pelas empresas do setor em um cenário de juros elevados, desaceleração do consumo e pressão sobre o crédito ao consumidor.
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Análise do prejuízo trimestral
Ajuste da dívida atenua perdas, mas resultado segue negativo
Mesmo com ajustes referentes à atualização monetária e à estrutura da dívida, o prejuízo ajustado das Casas Bahia no segundo trimestre foi de R$ 423 milhões, representando uma queda de 10,1% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Isso significa que, embora a empresa tenha conseguido conter parte das perdas com medidas financeiras, a operação ainda enfrenta dificuldades relevantes.
Contexto macroeconômico desfavorável
A varejista atribuiu o resultado principalmente ao elevado custo do capital no país, consequência da taxa básica de juros (Selic) ainda em níveis altos. O cenário restringe o consumo de bens duráveis — foco principal da operação das Casas Bahia — e encarece o crédito, prejudicando o financiamento de compras.
Além disso, o aumento da inadimplência entre os consumidores também tem pressionado os resultados, levando a empresa a reforçar provisões para perdas com crédito.
Receita em alta, apesar das dificuldades
Crescimento de 6% na receita bruta e líquida
Mesmo diante do prejuízo, as Casas Bahia apresentaram crescimento em indicadores operacionais. A receita bruta no segundo trimestre de 2025 foi de R$ 8,1 bilhões, com aumento anual de 6%. A receita líquida também avançou 6%, totalizando R$ 6,8 bilhões no período.
Esse desempenho é atribuído a uma combinação de maior volume de vendas em lojas físicas e estratégias de precificação e promoção que impulsionaram o faturamento, mesmo em um ambiente adverso.
Ebitda ajustado apresenta avanço expressivo
Outro destaque positivo do balanço foi o Ebitda ajustado, que atingiu R$ 572 milhões entre abril e junho — alta de 26,5% em comparação ao segundo trimestre de 2024. O indicador mostra que, operacionalmente, a empresa conseguiu aumentar sua eficiência, mesmo com o cenário macro desfavorável.
Esse aumento no Ebitda foi impulsionado, segundo a empresa, por ações de gestão de despesas, renegociação de contratos e maior produtividade nas lojas.
Desempenho das lojas físicas

Same Store Sales cresce 6,7%
O indicador Same Store Sales (SSS), que mede o desempenho de vendas nas lojas que já operavam há pelo menos 12 meses, apresentou crescimento de 6,7% no segundo trimestre. Trata-se de um sinal positivo para o varejo físico, que enfrentou forte pressão nos últimos anos devido à digitalização do consumo e à concorrência com plataformas online.
Esse resultado reflete, segundo a companhia, a efetividade de ações comerciais e promocionais, além da retomada gradual da circulação de consumidores nas lojas, em especial nos centros urbanos.
Volume bruto de mercadorias avança 5,8%
O volume bruto de mercadorias (GMV) comercializadas nas unidades físicas teve aumento de 5,8%, confirmando o bom desempenho das lojas no período. A empresa tem apostado em reestruturação do layout, treinamentos para vendedores e ações regionais para aumentar a conversão de vendas.
Estratégias para conter prejuízos
Foco na reestruturação da dívida
Para enfrentar o cenário desafiador, as Casas Bahia intensificaram esforços de reestruturação financeira. Parte do plano inclui alongamento de prazos da dívida, corte de despesas administrativas e busca por maior eficiência na cadeia de suprimentos.
A empresa também tem priorizado o controle de estoques, para evitar perdas com obsolescência ou desvalorização de produtos.
Digitalização e integração de canais
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Outra frente importante é a digitalização das operações. A varejista tem investido em tecnologia para integrar o ambiente físico ao digital, fortalecendo o modelo omnichannel. O objetivo é melhorar a experiência do consumidor, ampliar o alcance de vendas e reduzir custos com logística.
As entregas em domicílio a partir de lojas, por exemplo, foram ampliadas e agora representam parcela relevante das vendas online.
Reforço no controle de crédito
Diante do aumento da inadimplência, a companhia também anunciou medidas para aprimorar a concessão de crédito e evitar riscos excessivos. As ações incluem uso de ferramentas analíticas para análise de perfil de consumidores e segmentação de ofertas com base em comportamento de pagamento.
Visão do mercado
Resultado abaixo do esperado
A surpresa negativa no resultado trimestral das Casas Bahia foi mal recebida por parte dos investidores. Ainda que o crescimento de receita e do Ebitda tenham demonstrado resiliência operacional, o prejuízo líquido bem acima do projetado gerou preocupação com a capacidade da empresa de retomar lucros no curto prazo.
Analistas apontam que o impacto dos juros ainda deve perdurar nos próximos trimestres, o que exigirá uma gestão ainda mais agressiva por parte da companhia.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o segundo semestre de 2025, a expectativa é de que o ciclo de cortes na taxa Selic pelo Banco Central possa aliviar o custo do crédito e melhorar o ambiente de consumo. No entanto, especialistas alertam que a recuperação do setor será gradual e depende também de melhora na renda da população e queda da inadimplência.
O que dizem os executivos da empresa

Em comunicado ao mercado, a diretoria das Casas Bahia reforçou seu compromisso com a sustentabilidade financeira da operação e destacou que o momento exige equilíbrio entre crescimento, rentabilidade e solidez do caixa.
“Estamos implementando uma série de medidas estruturais para garantir um modelo de negócio mais resiliente, com foco no consumidor e na eficiência operacional”, afirmou a companhia.
Imagem: rafapress / shutterstock.com
