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Casas Bahia registra prejuízo de R$ 555 milhões

Casas Bahia tem prejuízo de R$ 555 milhões no 2º tri de 2025, revertendo lucro e superando previsões negativas.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Tela de celular exibindo aplicativo casas bahia

As Casas Bahia, uma das principais varejistas do Brasil, encerraram o segundo trimestre de 2025 com um prejuízo líquido de R$ 555 milhões, revertendo o lucro de R$ 37 milhões obtido no mesmo período de 2024. O resultado negativo, divulgado na noite desta quarta-feira (13), superou amplamente as projeções mais pessimistas dos analistas, que estimavam perdas em torno de R$ 285 milhões.

O número causou impacto no mercado financeiro e expôs os desafios enfrentados pelas empresas do setor em um cenário de juros elevados, desaceleração do consumo e pressão sobre o crédito ao consumidor.

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Imagem: rafastockbr/Shutterstock.com

Análise do prejuízo trimestral

Ajuste da dívida atenua perdas, mas resultado segue negativo

Mesmo com ajustes referentes à atualização monetária e à estrutura da dívida, o prejuízo ajustado das Casas Bahia no segundo trimestre foi de R$ 423 milhões, representando uma queda de 10,1% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Isso significa que, embora a empresa tenha conseguido conter parte das perdas com medidas financeiras, a operação ainda enfrenta dificuldades relevantes.

Contexto macroeconômico desfavorável

A varejista atribuiu o resultado principalmente ao elevado custo do capital no país, consequência da taxa básica de juros (Selic) ainda em níveis altos. O cenário restringe o consumo de bens duráveis — foco principal da operação das Casas Bahia — e encarece o crédito, prejudicando o financiamento de compras.

Além disso, o aumento da inadimplência entre os consumidores também tem pressionado os resultados, levando a empresa a reforçar provisões para perdas com crédito.

Receita em alta, apesar das dificuldades

Crescimento de 6% na receita bruta e líquida

Mesmo diante do prejuízo, as Casas Bahia apresentaram crescimento em indicadores operacionais. A receita bruta no segundo trimestre de 2025 foi de R$ 8,1 bilhões, com aumento anual de 6%. A receita líquida também avançou 6%, totalizando R$ 6,8 bilhões no período.

Esse desempenho é atribuído a uma combinação de maior volume de vendas em lojas físicas e estratégias de precificação e promoção que impulsionaram o faturamento, mesmo em um ambiente adverso.

Ebitda ajustado apresenta avanço expressivo

Outro destaque positivo do balanço foi o Ebitda ajustado, que atingiu R$ 572 milhões entre abril e junho — alta de 26,5% em comparação ao segundo trimestre de 2024. O indicador mostra que, operacionalmente, a empresa conseguiu aumentar sua eficiência, mesmo com o cenário macro desfavorável.

Esse aumento no Ebitda foi impulsionado, segundo a empresa, por ações de gestão de despesas, renegociação de contratos e maior produtividade nas lojas.

Desempenho das lojas físicas

Logo Casas Bahia
Imagem: Reprodução/ Casas Bahia

Same Store Sales cresce 6,7%

O indicador Same Store Sales (SSS), que mede o desempenho de vendas nas lojas que já operavam há pelo menos 12 meses, apresentou crescimento de 6,7% no segundo trimestre. Trata-se de um sinal positivo para o varejo físico, que enfrentou forte pressão nos últimos anos devido à digitalização do consumo e à concorrência com plataformas online.

Esse resultado reflete, segundo a companhia, a efetividade de ações comerciais e promocionais, além da retomada gradual da circulação de consumidores nas lojas, em especial nos centros urbanos.

Volume bruto de mercadorias avança 5,8%

O volume bruto de mercadorias (GMV) comercializadas nas unidades físicas teve aumento de 5,8%, confirmando o bom desempenho das lojas no período. A empresa tem apostado em reestruturação do layout, treinamentos para vendedores e ações regionais para aumentar a conversão de vendas.

Estratégias para conter prejuízos

Foco na reestruturação da dívida

Para enfrentar o cenário desafiador, as Casas Bahia intensificaram esforços de reestruturação financeira. Parte do plano inclui alongamento de prazos da dívida, corte de despesas administrativas e busca por maior eficiência na cadeia de suprimentos.

A empresa também tem priorizado o controle de estoques, para evitar perdas com obsolescência ou desvalorização de produtos.

Digitalização e integração de canais

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Outra frente importante é a digitalização das operações. A varejista tem investido em tecnologia para integrar o ambiente físico ao digital, fortalecendo o modelo omnichannel. O objetivo é melhorar a experiência do consumidor, ampliar o alcance de vendas e reduzir custos com logística.

As entregas em domicílio a partir de lojas, por exemplo, foram ampliadas e agora representam parcela relevante das vendas online.

Reforço no controle de crédito

Diante do aumento da inadimplência, a companhia também anunciou medidas para aprimorar a concessão de crédito e evitar riscos excessivos. As ações incluem uso de ferramentas analíticas para análise de perfil de consumidores e segmentação de ofertas com base em comportamento de pagamento.

Visão do mercado

Resultado abaixo do esperado

A surpresa negativa no resultado trimestral das Casas Bahia foi mal recebida por parte dos investidores. Ainda que o crescimento de receita e do Ebitda tenham demonstrado resiliência operacional, o prejuízo líquido bem acima do projetado gerou preocupação com a capacidade da empresa de retomar lucros no curto prazo.

Analistas apontam que o impacto dos juros ainda deve perdurar nos próximos trimestres, o que exigirá uma gestão ainda mais agressiva por parte da companhia.

Perspectivas para o segundo semestre

Para o segundo semestre de 2025, a expectativa é de que o ciclo de cortes na taxa Selic pelo Banco Central possa aliviar o custo do crédito e melhorar o ambiente de consumo. No entanto, especialistas alertam que a recuperação do setor será gradual e depende também de melhora na renda da população e queda da inadimplência.

O que dizem os executivos da empresa

Imagem: Reprodução

Em comunicado ao mercado, a diretoria das Casas Bahia reforçou seu compromisso com a sustentabilidade financeira da operação e destacou que o momento exige equilíbrio entre crescimento, rentabilidade e solidez do caixa.

“Estamos implementando uma série de medidas estruturais para garantir um modelo de negócio mais resiliente, com foco no consumidor e na eficiência operacional”, afirmou a companhia.

Imagem: rafapress / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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