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Banco Master chama atenção com CDBs a 190% do CDI; entenda os perigos

O Banco Master oferece CDBs com taxas de até 190% do CDI, mas especialistas alertam sobre os riscos envolvidos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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Na última semana, os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do Banco Master chegaram a oferecer taxas altíssimas, chegando a 190% do CDI ao ano, no mercado secundário, por meio da XP Investimentos. O título, com vencimento em janeiro de 2026, foi classificado como de “alto risco”, refletindo a volatilidade e a indefinição sobre o futuro da instituição financeira.

Embora as taxas altas possam atrair investidores em busca de retorno, especialistas alertam sobre os riscos envolvidos nesse tipo de investimento, que são especialmente elevados em momentos de incerteza no mercado financeiro. Neste artigo, vamos explorar os principais pontos que um investidor deve considerar ao avaliar a compra de CDBs do Banco Master e o contexto econômico que envolve esse tipo de título.

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Imagem: Canva / Edição: Seu Crédito Digital

O que são os CDBs e por que as taxas do Banco Master são tão altas?

Os CDBs são instrumentos de renda fixa oferecidos por bancos para captar recursos, com a promessa de devolver o valor investido acrescido de juros no final do prazo. No caso dos CDBs do Banco Master, as taxas estão muito acima da média de mercado, especialmente no mercado secundário, onde investidores compram e vendem os papéis entre si com a intermediação de corretoras.

As taxas de 190% do CDI oferecidas no CDB do Banco Master representam uma oportunidade de retorno atrativo para investidores que buscam rentabilidade, mas elas também indicam um risco elevado. Para entender o motivo desse alto retorno, é necessário analisar o contexto econômico da instituição e do setor bancário no Brasil.

A disparada das taxas e os riscos envolvidos

Nos últimos dias, os CDBs do Banco Master sofreram uma disparada nas taxas, passando de uma média de 120% a 130% para 177% do CDI, e, mais recentemente, chegando a 190% do CDI. Essa variação pode ser explicada pela dificuldade de venda desses papéis no mercado secundário, uma situação que gerou instabilidade para a corretora responsável pelas negociações, a XP Investimentos, que chegou a suspender a liquidez dos títulos.

Essas oscilações nas taxas não são comuns para títulos de renda fixa, que geralmente têm uma correlação entre o prazo do investimento e o retorno oferecido: quanto maior o prazo de vencimento, maior tende a ser a taxa de juros. O fato de os CDBs de curto prazo do Banco Master estarem oferecendo taxas superiores às de títulos de longo prazo levanta um sinal de alerta para os investidores, indicando que algo está acontecendo com a saúde financeira do banco.

O risco de investir no CDB do Banco Master

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Imagem: Canva – Edição: Seu Crédito Digital

O Banco Master tem enfrentado dificuldades financeiras nos últimos meses, especialmente após a recusa do Banco Central (BC) em autorizar a venda da instituição para o banco estatal BRB. Essa situação criou um ambiente de incerteza sobre o futuro do banco e afetou diretamente a confiança dos investidores. Com o Banco Central sem uma solução clara para o banco, o risco de intervenção ou liquidação da instituição aumenta consideravelmente.

O CDB do Banco Master oferece uma taxa alta como atrativo, mas o risco é igualmente elevado. A probabilidade de a instituição ter que passar por uma intervenção do BC, como ocorreu com outras instituições financeiras no passado, coloca em xeque o pagamento das taxas prometidas para os investidores.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o risco de liquidação

Uma das alternativas para proteger os investidores em caso de falência ou liquidação de um banco é o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC oferece uma garantia de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em caso de liquidação do banco emissor. No entanto, a garantia do FGC não cobre investimentos superiores a esse limite.

Portanto, para investidores que compraram CDBs do Banco Master com valores superiores a R$ 250 mil, o risco de perda parcial do investimento é significativo. Isso se torna um fator crítico a ser considerado ao decidir investir nesses papéis, especialmente dado o alto risco associado à instituição.

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Análise de especialistas: vale a pena investir no CDB do Banco Master?

Especialistas recomendam cautela ao avaliar a compra de CDBs do Banco Master neste momento. Rafael Schiozer, professor de finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV-EAESP), explica que as taxas tão altas podem ser um reflexo da incerteza em torno da saúde financeira do banco. Schiozer alerta que, em caso de intervenção do Banco Central, as taxas prometidas pelos CDBs de longo prazo podem ser desconsideradas, pois a rentabilidade contratada deixa de valer após a intervenção.

Além disso, Alex Nery, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), reforça que o risco associado a esses títulos é elevado. Nery aponta que a melhor alternativa para os investidores seria limitar o valor investido no CDB do Banco Master a R$ 250 mil, já que esse é o valor garantido pelo FGC. Ele também alerta para o fato de que investir a reserva de emergência nesse tipo de ativo pode ser arriscado, mesmo com a garantia do FGC.

O que considerar ao investir em CDBs de alto risco

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Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Embora as taxas elevadas dos CDBs do Banco Master sejam atraentes, investidores devem estar cientes dos riscos envolvidos. O mercado de renda fixa oferece outras opções mais seguras para quem não deseja se expor a altos riscos. O investidor conservador, que busca proteção do seu patrimônio, deve considerar alternativas de investimento em renda fixa com menor risco, como:

  • CDBs de bancos maiores e mais estáveis, que oferecem rentabilidade mais baixa, mas maior segurança.
  • Tesouro Direto, que oferece títulos do governo com baixo risco.
  • Fundos de renda fixa, que diversificam o risco e são mais adequados para o investidor que busca segurança.

Imagem: Freepik e Canva

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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