Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Censo fará 12,6% das cidades brasileiras perderem recursos

Decisão de usar informações prévias do Censo 2022 como critério para distribuição de verba entre municípios causa polêmica. Entenda!

Marcos CostaPor Marcos Costa3 min de leitura
Recenseador com colete do IBGE segurando dispositivo de coleta de informações do Censo

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) estima que 702 cidades brasileiras podem perder recursos, pois dados parciais do Censo 2022 indicam redução de suas populações. A entidade, que luta pela autonomia dos municípios, estima uma perda próxima a R$ 3 bilhões.

A CNM explica que os municípios — 12,6% do total — podem ser afetados pela perda de coeficiente no Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A chance existe, pois, para 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) considerará a prévia do Censo 2022 para calcular a distribuição das cotas do fundo.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo levantamento nos domicílios brasileiros, diz que a prévia reúne dados coletados até 25 de dezembro. Na última sexta (30), a CNM pediu ao TCU que revise os critérios, definidos pela Decisão Normativa 201/2022.

A cidade que mais perdeu graças ao Censo 2022

Segundo o portal UOL, R$ 188 bilhões do FPM serão repartidos pelo TCU entre os municípios do país. A liberação da primeira parcela deve acontecer no próximo dia 10. Ao portal, o tribunal disse que não pretende avaliar questionamentos em relação aos dados do IBGE.

Na avaliação da publicação, a resposta não esclarece se há possibilidade ou não de o uso da prévia do Censo 2022 ser reavaliado. De acordo com levantamento feito pelo site, entre os 12,6% de cidades negativamente atingidas, Ipixuna do Pará, no Norte do país, será a mais impactada.

A prévia do Censo aponta que a população estimada minguou de 62 mil habitantes para 29.116. Com isso, o valor do FPM será 70% inferior.

Isaac Farias, procurador-geral da cidade, conta que a verba do fundo é a segunda principal fonte de receita do município. “O corte vai impactar o pagamento de funcionários e fornecedores”, prevê.

CNM não quer que dados parciais do Censo sejam considerados

Em nota divulgada na última segunda-feira (2), a confederação lamenta a decisão e também instrui municípios a protocolarem ofícios junto ao TCU. O documento deve reforçar, segundo a entidade, que a Lei Complementar 165/2019 garante a manutenção dos coeficientes até o fim do Censo.

“[…] O Censo ainda não foi concluído e a Nota Metodológica do próprio IBGE reforça essa compreensão”, salienta o comunicado.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

De fato, o documento sobre a prévia cita, na introdução, que o retardo na finalização da pesquisa tem relação com atrasos. “[…] Não foi possível finalizar a coleta em todos os Municípios do país a tempo de se fazer essa divulgação prévia dos resultados”, explica o órgão.

Especialista acredita que buscar Justiça não adiantará

O professor de demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Ricardo Ojima avalia que entrar na Justiça para questionar os dados do IBGE não vai ajudar a aumentar o valor que será recebido do fundo.

“Os dados mostram a mudança estrutural pela qual o Brasil vem passando e isso é irreversível. Gestores públicos têm que colocar na cabeça que a população não vai crescer infinitamente”, opinou ao UOL.

Imagem: rafapress/shutterstock.com

Marcos Costa

Autor

Marcos Costa

Formado em Comunicação - Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2018. Acumula experiências como repórter, redator web e copywriter. Já trabalhou nos portais "Bahia Notícias" e "Bnews", além da assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Topicos relacionados