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Cesta básica registra queda de preço em 25 cidades; veja onde ficou mais barata

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 10 min de leitura
cesta basica

O preço da cesta básica caiu em 25 das 27 capitais brasileiras em agosto de 2026, trazendo algum alívio para o orçamento das famílias depois de meses de pressão sobre os alimentos.

A redução, porém, não significa que a alimentação esteja barata.

Em São Paulo, onde foi registrada a cesta mais cara do país, os alimentos básicos custaram R$ 900,59 no mês. No outro extremo ficou Aracaju, com R$ 570,98.

Além disso, quando a comparação é feita com agosto de 2025, o cenário muda: a cesta está mais cara em 25 capitais.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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Cesta básica
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O valor varia significativamente conforme a capital.

São Paulo manteve a liderança entre as cidades com maior custo, mesmo após registrar redução de 1,58% em relação a julho.

A cesta paulistana ficou em R$ 900,59.

Em seguida aparecem Cuiabá, com R$ 851,57, Rio de Janeiro, com R$ 851,19, e Florianópolis, onde o conjunto de produtos custou R$ 850,90.

Entre os menores valores estão Aracaju, Natal, Maceió e Salvador.

Confira os dados de agosto:

CapitalValor da cestaVariação em agosto
Rio BrancoR$ 659,66-4,68%
ManausR$ 666,02-4,55%
Boa VistaR$ 698,04-4,47%
AracajuR$ 570,98-3,89%
CuiabáR$ 851,57-3,37%
SalvadorR$ 628,89-3,30%
Porto VelhoR$ 664,79-2,93%
RecifeR$ 643,02-2,62%
GoiâniaR$ 772,90-2,51%
BelémR$ 709,12-2,07%
FortalezaR$ 755,56-1,86%
PalmasR$ 718,54-1,82%
TeresinaR$ 689,81-1,77%
BrasíliaR$ 734,35-1,71%
São PauloR$ 900,59-1,58%
MacapáR$ 702,68-1,49%
FlorianópolisR$ 850,90-1,14%
CuritibaR$ 798,87-1,12%
Belo HorizonteR$ 759,55-0,74%
VitóriaR$ 790,00-0,67%
NatalR$ 627,42-0,65%
Rio de JaneiroR$ 851,19-0,49%
Campo GrandeR$ 805,13-0,49%
João PessoaR$ 641,13-0,45%
Porto AlegreR$ 839,34-0,31%
São LuísR$ 661,79+0,78%
MaceióR$ 627,45+1,43%

A diferença entre a cesta mais cara, em São Paulo, e a mais barata, em Aracaju, foi de R$ 329,61.

Essa comparação precisa considerar que a composição e as quantidades da cesta podem variar conforme a região pesquisada.

Rio Branco teve a maior queda do país

A maior redução mensal ocorreu em Rio Branco.

Na capital acreana, o custo caiu 4,68% entre julho e agosto.

Manaus veio logo depois, com retração de 4,55%, seguida por Boa Vista, com 4,47%.

Aracaju também apresentou queda significativa, de 3,89%.

Na sequência aparecem Cuiabá, com -3,37%, Salvador, com -3,30%, e Porto Velho, com -2,93%.

A redução ocorreu de maneira bastante espalhada pelo país.

Das 27 capitais pesquisadas, somente duas ficaram na direção contrária.

Cesta ficou mais cara apenas em Maceió e São Luís

Maceió registrou o maior aumento mensal, de 1,43%.

O conjunto de alimentos passou a custar R$ 627,45.

São Luís foi a outra capital em que houve alta, com avanço de 0,78% e cesta calculada em R$ 661,79.

Nas outras 25 cidades houve redução, ainda que em alguns casos pequena.

Em Porto Alegre, por exemplo, o recuo foi de apenas 0,31%. Em João Pessoa, de 0,45%, e no Rio de Janeiro, de 0,49%.

Por que a cesta básica ficou mais barata?

O comportamento de alguns alimentos ajudou a puxar a média para baixo.

Batata, café em pó, tomate e feijão tiveram redução em grande parte das cidades.

O café em pó ficou mais barato em 23 das 27 capitais, segundo Conab e Dieese.

Já o tomate apresentou redução em mais de 80% das cidades pesquisadas.

Batata caiu em todas as capitais onde é pesquisada

A batata apresentou uma das reduções mais consistentes.

O alimento faz parte da cesta pesquisada nas capitais do Centro-Sul e ficou mais barato em todas elas.

As quedas variaram de 14,65% em São Paulo a 34,18% em Brasília.

O aumento da oferta durante a safra de inverno ajudou a pressionar os preços para baixo.

Para o consumidor, esse tipo de movimento costuma aparecer rapidamente nos supermercados e feiras porque produtos hortifrutigranjeiros apresentam maior oscilação de preços conforme oferta, clima e período de colheita.

Café também deu uma trégua no orçamento

Depois de períodos de forte pressão sobre os preços, o café apresentou redução disseminada em agosto.

Foram 23 capitais com queda.

A variação foi desde recuo de 5,98% no Rio de Janeiro até alta de 1,55% em João Pessoa.

Segundo a análise divulgada pela Conab, mesmo com fatores que restringiam a oferta, a menor demanda no varejo contribuiu para a redução das cotações em diversas cidades.

Ainda assim, o comportamento do produto varia bastante de acordo com a capital e com o período usado na comparação.

Tomate ficou mais barato em grande parte do país

O tomate também colaborou para a redução do valor da cesta.

Entre as quedas mais expressivas apareceram Campo Grande, Manaus, Rio Branco, Salvador e Aracaju.

Produtos como tomate e batata costumam provocar oscilações importantes no custo mensal porque os preços respondem rapidamente à oferta disponível.

Isso ajuda a explicar por que a cesta pode cair de um mês para outro mesmo quando outros produtos continuam subindo.

Feijão caiu em boa parte das capitais

O feijão-carioca também apresentou redução relevante.

A Conab registrou queda em 19 das 22 capitais nas quais essa variedade faz parte da cesta considerada.

Em Goiânia, por exemplo, o feijão-carioca caiu 15,47% no mês.

Na mesma cidade, a batata recuou 24,90%, ajudando a explicar a queda de 2,51% da cesta local.

Nem todos os alimentos ficaram mais baratos

Apesar da redução geral da cesta, diversos itens seguiram pressionando o consumidor.

Arroz, leite integral, pão francês e óleo de soja registraram aumento em grande parte das capitais pesquisadas.

O arroz ficou mais caro em 23 cidades, assim como o leite.

Pão francês e óleo de soja tiveram alta em 18 capitais.

Isso mostra por que a queda da cesta não deve ser interpretada como uma redução generalizada dos preços dos alimentos.

O resultado final é a soma de movimentos diferentes entre os produtos.

Preços ainda estão maiores que há um ano

A comparação com julho mostra alívio, mas a análise de 12 meses apresenta uma realidade diferente.

Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, a cesta básica ficou mais cara em 25 das 27 capitais.

As maiores altas foram registradas em Goiânia, Cuiabá e Vitória.

Em Goiânia, o avanço chegou a 7,51%.

Cuiabá acumulou aumento de 6,42% e Vitória, de 6,26%.

Somente duas capitais apresentaram redução nessa comparação.

Brasília registrou queda de 0,64%, enquanto Palmas teve retração de 0,27%.

Portanto, apesar da melhora observada em agosto, a maior parte dos consumidores ainda paga mais pelos produtos básicos do que pagava um ano antes.

Cesta ficou mais cara nas 27 capitais desde dezembro

Outra comparação ajuda a entender a pressão sobre o orçamento.

No acumulado de 2026, entre dezembro de 2025 e agosto deste ano, todas as 27 capitais apresentaram aumento do custo da cesta.

As taxas variaram de 2,82% em Brasília a 12,29% em Porto Velho.

Ou seja, dois meses consecutivos de queda em muitas cidades ainda não foram suficientes para eliminar todo o aumento acumulado anteriormente.

Esse é um dos motivos pelos quais o consumidor pode perceber algum alívio no supermercado sem sentir que os alimentos voltaram aos preços do início do ano.

Quase metade do salário mínimo líquido vai para a cesta

O levantamento também mede quanto esforço financeiro é necessário para comprar os alimentos básicos.

Em agosto, considerando a média das capitais, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisou comprometer 48,46% do salário líquido para adquirir a cesta.

O cálculo considera o salário depois do desconto previdenciário de 7,5%.

Em agosto de 2025, esse comprometimento médio era de 49,89%.

A melhora está relacionada tanto à redução dos preços em agosto quanto ao reajuste do salário mínimo.

Em 2026, o piso nacional é de R$ 1.621.

Trabalhador precisa trabalhar quase 99 horas para comprar os alimentos

Outra maneira usada pelo Dieese para mostrar o peso da alimentação é transformar o preço da cesta em horas de trabalho.

Em agosto, foram necessárias, em média, 98 horas e 37 minutos de trabalho para comprar os produtos básicos.

Em julho, eram 100 horas e 24 minutos.

A queda representa uma pequena melhora no poder de compra mensal.

Mesmo assim, quase metade da remuneração líquida continua sendo consumida por um conjunto relativamente restrito de alimentos.

Esse valor não inclui despesas como aluguel, energia elétrica, água, transporte, medicamentos, roupas ou higiene.

Quanto deveria ser o salário mínimo segundo o Dieese?

Com base no custo da cesta mais cara e nas despesas previstas constitucionalmente para uma família, o Dieese calcula todos os meses o chamado salário mínimo necessário.

Em agosto de 2026, a estimativa ficou em R$ 7.565,86.

O valor corresponde a aproximadamente 4,67 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621.

Esse número não representa uma proposta automática de novo salário mínimo nem o valor legal que o empregador deveria pagar.

Trata-se de um indicador elaborado pelo Dieese.

O cálculo parte do princípio constitucional de que o salário mínimo deveria conseguir atender necessidades como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência de uma família.

O que entra na cesta básica pesquisada?

Cesta básica
Imagem: Canva

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica utiliza como referência os alimentos estabelecidos a partir do Decreto-Lei nº 399, de 1938.

O levantamento considera produtos essenciais consumidos por um trabalhador adulto.

Entre eles aparecem carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata ou outros itens definidos segundo a região, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga.

As quantidades e a própria composição podem variar de acordo com os hábitos alimentares regionais.

Por isso, comparar apenas o preço absoluto entre cidades de diferentes regiões deve ser feito com algum cuidado.

O objetivo da pesquisa é acompanhar a evolução do custo dos alimentos básicos e medir quanto do salário do trabalhador é necessário para adquiri-los.

Por que a cesta de São Paulo passa de R$ 900?

São Paulo continua apresentando o maior custo entre as capitais.

Em agosto, o valor chegou a R$ 900,59 mesmo depois da queda mensal de 1,58%.

Isso significa que um conjunto de alimentos básicos para um trabalhador já se aproxima de R$ 1 mil.

Cuiabá, Rio de Janeiro e Florianópolis também ficaram acima de R$ 850.

As diferenças refletem preços locais, custos de comercialização, comportamento da oferta, características regionais e a própria metodologia da cesta.

Queda de agosto significa que os alimentos continuarão baixando?

Não necessariamente.

A pesquisa mostra o que aconteceu com os preços entre julho e agosto, mas não garante que o movimento continuará nos meses seguintes.

Alimentos agrícolas podem sofrer alterações rápidas por causa de clima, safras, oferta, demanda, transporte e custos de produção.

Produtos industrializados também respondem a fatores como matéria-prima, energia, câmbio e logística.

Por isso, uma queda mensal deve ser interpretada como uma fotografia daquele período.

Será necessário acompanhar os levantamentos seguintes para verificar se a redução se transforma em tendência mais duradoura.

Cesta mais barata traz alívio, mas orçamento continua pressionado

A redução registrada em 25 capitais representa uma notícia positiva para quem precisa reorganizar as despesas com alimentação.

Batata, café, tomate e feijão ajudaram a reduzir o valor pago pelos consumidores em agosto.

O alívio, entretanto, precisa ser colocado em perspectiva.

A cesta ainda está mais cara do que há um ano em 25 capitais e acumula aumento em todas as cidades pesquisadas na comparação com dezembro de 2025.

Além disso, o gasto médio continua consumindo quase metade do salário mínimo líquido.

Assim, agosto trouxe uma melhora pontual importante, mas os números mostram que o custo da alimentação segue como uma das maiores pressões sobre o orçamento das famílias brasileiras.

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