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Chineses lançam novos satélites e miram território brasileiro

Brasil se torna o centro da disputa global pela internet via satélite. Starlink, Amazon, China e outras empresas querem dominar o mercado. Veja quem lidera!

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
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O Brasil tornou-se, em 2025, um dos principais alvos da corrida global pela oferta de internet via satélite, atraindo investimentos bilionários e disputas entre empresas de tecnologia espacial de diferentes países.

A Starlink, do bilionário Elon Musk, lidera essa corrida, mas enfrenta crescente concorrência de outras potências, como a Amazon (por meio do Projeto Kuiper), a chinesa SpaceSail, além de empresas da França, Canadá e dos Estados Unidos.

A disputa tem se intensificado com o avanço das tecnologias de constelações de satélites de órbita baixa, que prometem conectar até as regiões mais remotas do Brasil com alta velocidade e baixa latência.

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Starlink amplia presença com autorização para 7.500 novos satélites

starlink
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Em abril de 2025, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) autorizou a Starlink a operar mais 7.500 satélites em território brasileiro. Com isso, a empresa passa a contar com quase 12 mil satélites autorizados, somando-se aos 4.408 já em operação.

A autorização representa um marco para a Starlink, que já atua com forte presença em regiões rurais, indígenas e amazônicas, onde a infraestrutura tradicional de fibra óptica não alcança.

Apesar da ampliação, a empresa terá que passar por uma nova avaliação da Anatel em 2027, quando a autorização será revisada.

Amazon também quer o seu espaço com o Projeto Kuiper

A Amazon, do também bilionário Jeff Bezos, aposta pesado no Projeto Kuiper, sua própria iniciativa de internet via satélite. A empresa já tem permissão para lançar 3.236 satélites, e os primeiros já foram colocados em órbita.

Pelas regras da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos, pelo menos metade da frota precisa estar em operação até 2026, o que acelera a pressão para a expansão global — incluindo o Brasil como mercado-chave.

A ofensiva chinesa: SpaceSail quer 15 mil satélites até 2030

A SpaceSail, empresa chinesa ainda em fase inicial no Brasil, opera com 54 satélites em órbita baixa, mas já projeta uma expansão para 15 mil unidades até 2030.

A entrada da SpaceSail é estratégica: além de competir com Musk e Bezos, também reforça os interesses geopolíticos da China em setores de conectividade, inteligência artificial e presença orbital.

Como funciona a internet via constelações de satélites?

As principais empresas concorrentes utilizam a tecnologia chamada de constelação de satélites em órbita baixa (LEO, na sigla em inglês). Esses satélites operam entre 500 e 1.500 km de altitude, em contraste com os satélites geoestacionários, que ficam a cerca de 35 mil km da Terra.

Vantagens dos satélites de órbita baixa:

  • Menor latência (tempo de resposta de dados)
  • Maior velocidade de conexão
  • Cobertura em áreas remotas e de difícil acesso
  • Redução de custos operacionais a longo prazo

Limitações:

  • Exige maior número de satélites para manter cobertura constante
  • Ciclos mais curtos de manutenção e reposição
  • Preocupações com lixo espacial e interferência em observações astronômicas

A crítica dos astrônomos: céu congestionado

Embora a tecnologia seja celebrada por democratizar o acesso à internet, há um efeito colateral preocupante: o congestionamento do céu noturno. Com a projeção de que mais de 60 mil satélites estarão em órbita nos próximos anos, astrônomos alertam para:

  • Poluição visual que compromete observações do espaço profundo
  • Interferências em telescópios e detectores de radiação cósmica
  • Aumento do risco de colisões entre satélites
  • Acúmulo de lixo espacial em zonas sensíveis da órbita terrestre

A preocupação é compartilhada por instituições como a NASA, ESA (Agência Espacial Europeia) e diversos centros de pesquisa astronômica internacionais.

Outras empresas no mercado brasileiro de satélites

satélite
Imagem: stockgiu – freepik

Além das gigantes mencionadas, outras empresas já atuam ou tentam entrar no mercado brasileiro de conectividade espacial:

Viasat

A Viasat, dos Estados Unidos, já atua no Brasil com satélites geoestacionários. Embora com maior latência, esses satélites têm maior alcance territorial por unidade, sendo usados em programas como o Wi-Fi Brasil, do governo federal.

Telesat (Canadá)

A Telesat planeja lançar sua constelação Lightspeed, voltada à conexão de empresas, serviços públicos e operadores logísticos em locais remotos, como mineração, agronegócio e transporte de cargas.

OneWeb (Reino Unido)

Após superar desafios financeiros, a OneWeb busca consolidar sua atuação em países da América Latina, inclusive o Brasil, com foco em parcerias com governos e operadoras locais.

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Oportunidades e desafios no Brasil

Conectividade para milhões de brasileiros

O Brasil ainda enfrenta graves desigualdades de acesso à internet, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, além de áreas indígenas e ribeirinhas. A internet via satélite surge como alternativa viável e de rápida implementação para:

  • Escolas públicas rurais
  • Unidades de saúde remotas
  • Comunidades tradicionais isoladas
  • Bases militares e centros de pesquisa ambiental

Regulação e soberania digital

A Anatel e o Ministério das Comunicações vêm atuando para equilibrar a entrada de capital estrangeiro com a garantia da soberania digital brasileira. Entre os pontos críticos estão:

  • Armazenamento e uso de dados sensíveis
  • Interferência em comunicações estratégicas
  • Responsabilidade sobre lixo espacial

E o consumidor final? Como contratar internet via satélite?

Starlink no Brasil

A Starlink já oferece planos residenciais e empresariais com preços entre R$ 184 e R$ 530 por mês, dependendo da localização e pacote de velocidade. O equipamento custa cerca de R$ 2.000 na versão residencial.

Outras opções

Empresas como Viasat e HughesNet oferecem pacotes com foco rural e empresarial. O Projeto Kuiper e SpaceSail ainda não têm planos comerciais ativos no país, mas devem anunciar novidades até o final de 2025.

Considerações finais

O Brasil está no centro de uma corrida espacial digital que envolve os nomes mais poderosos da tecnologia global, como Elon Musk e Jeff Bezos, além de projetos estratégicos chineses e de outros países.

Com o avanço das constelações de satélites de órbita baixa, milhões de brasileiros poderão ser incluídos no ambiente digital — algo crucial para educação, saúde, agricultura e segurança nacional.

Ao mesmo tempo, a sociedade e os órgãos reguladores precisam equilibrar inovação com preservação do espaço, transparência de dados e defesa da soberania.

A disputa está apenas começando, e o céu — literalmente — é o limite.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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