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Anatel coloca satélites tipo Starlink como prioridade para o futuro das comunicações

Anatel vai priorizar estudos sobre satélites não geoestacionários, como os da Starlink,. Entenda os desafios regulatórios e tecnológicos.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Anatel

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou que, em 2025, dará prioridade aos estudos sobre satélites não geoestacionários, com foco em serviços como os prestados pela Starlink, empresa do bilionário Elon Musk. A medida foi definida pelo Comitê de Infraestrutura de Telecomunicações (C-INT), diante da rápida expansão dessas constelações em órbita terrestre baixa.

Constelações de baixa órbita e seus impactos

starlink
Imagem: Freepik

O avanço acelerado dos satélites de baixa órbita, que operam a altitudes entre 300 e 1.200 km, está remodelando o mercado de telecomunicações. Esse tipo de satélite oferece vantagens como menor latência e maior capacidade de cobertura em áreas remotas.

Leia mais: Anatel posiciona Starlink em último lugar em disputa por frequências no Brasil

Expansão da Starlink no Brasil

A SpaceX, por meio da Starlink, recebeu autorização da Anatel para operar até 7.500 satélites em território nacional. Isso coloca o Brasil entre os países com maior adesão ao serviço, especialmente em regiões onde a infraestrutura de internet tradicional é limitada ou inexistente.

Riscos de concentração e exclusão de operadores locais

O conselheiro Alexandre Freire, presidente do C-INT, manifestou preocupação com a concentração do mercado em torno de grandes corporações globais. Segundo ele, a ocupação acelerada das órbitas por conglomerados como a SpaceX pode limitar o acesso de operadores de menor porte e dificultar a entrada de novos concorrentes.

Desafios à concorrência no espaço

Freire ressaltou que a dinâmica concorrencial pode ser comprometida caso não haja uma regulação equilibrada e transparente. A crescente privatização do espaço exige atenção não apenas para aspectos técnicos, mas também para os impactos geopolíticos e econômicos do domínio orbital.

A regulação de um bem comum: o espaço exterior

Um dos principais desafios destacados pela Anatel é justamente a natureza transnacional das operações espaciais. O espaço, considerado patrimônio comum da humanidade pelo Tratado do Espaço Exterior de 1967, exige uma governança internacional robusta e colaborativa.

Necessidade de coordenação multilateral

A atuação de organismos como a União Internacional de Telecomunicações (UIT) é vista como essencial para garantir o uso justo das posições orbitais e frequências de rádio. A ausência de uma coordenação efetiva pode gerar assimetrias regulatórias e conflitos entre países e empresas.

Segurança, soberania e sustentabilidade em pauta

Três eixos centrais guiarão os estudos do C-INT e do Comitê de Espectro e Órbita (CEO), presidido por Carlos Baigorri:

  1. Soberania digital brasileira
  2. Proteção de informações sensíveis
  3. Preservação da sustentabilidade orbital

Tensões geopolíticas e riscos militares

O uso militar de satélites civis é outro ponto de alerta. A Starlink foi alvo de críticas e ameaças de países como Rússia e China após seu uso estratégico na guerra da Ucrânia. Esse cenário levanta preocupações quanto ao uso dual das tecnologias espaciais.

Monitoramento e espionagem

A possibilidade de monitoramento transfronteiriço por constelações privadas gera temor entre governos, especialmente em tempos de instabilidade geopolítica. A regulação internacional precisa levar em conta essas implicações para evitar crises diplomáticas.

Participação de diferentes setores no debate

Além das áreas técnicas da Anatel, outras entidades serão envolvidas na construção de um modelo regulatório mais eficiente e seguro para o Brasil. Entre elas estão:

  • Gabinete de Segurança Institucional (GSI)
  • Ministério das Relações Exteriores (MRE)
  • Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)
  • Empresas de telecomunicações
  • Representantes da sociedade civil

Três frentes de atuação

As discussões terão foco em três grandes frentes:

  • Defesa da soberania digital
  • Garantia da segurança das informações nacionais
  • Formulação de normas para a sustentabilidade espacial

O que são satélites não geoestacionários?

Imagem: Freepik

Diferença entre satélites geoestacionários e não geoestacionários

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Satélites geoestacionários orbitam a Terra a aproximadamente 36 mil quilômetros de altitude, com um movimento sincronizado com a rotação terrestre. Isso faz com que pareçam fixos no céu para quem os observa do solo, sendo ideais para transmissões estáveis, como TV e telefonia.

Já os não geoestacionários, como os da Starlink, ficam muito mais próximos da Terra, o que permite menor latência e maior cobertura dinâmica. Eles não permanecem fixos no céu, exigindo constelações inteiras de satélites interconectados para manter um serviço contínuo.

Benefícios dos satélites de órbita baixa

  • Latência reduzida, ideal para chamadas e jogos online
  • Maior flexibilidade na cobertura de áreas remotas
  • Capacidade de criar redes globais de internet de alta velocidade

Desvantagens e desafios

  • Necessidade de maior número de satélites para garantir cobertura
  • Maior complexidade de gestão de tráfego orbital
  • Risco de colisões e poluição espacial

Perguntas frequentes

O que são satélites não geoestacionários?
São satélites que não permanecem fixos em relação à Terra, operando em órbitas baixas. Eles oferecem menor latência e são ideais para serviços como internet de alta velocidade.

Por que a Anatel está priorizando esses satélites?
Devido à rápida expansão dessas constelações e à necessidade de atualizar a regulação para manter a concorrência, a segurança e a sustentabilidade orbital.

A Starlink já opera no Brasil?
Sim. A Anatel autorizou a operação de até 7.500 satélites da empresa no país, ampliando o acesso à internet via satélite.

Quais os riscos do aumento de satélites em órbita?
Entre os principais estão a poluição espacial, colisões entre satélites e o uso militar dessas tecnologias.

Como o Brasil está se preparando para essa nova realidade?
Por meio de comitês técnicos da Anatel e com participação de ministérios, empresas e sociedade civil para discutir regulação, segurança e soberania digital.

Considerações finais

A decisão da Anatel de colocar os satélites não geoestacionários como prioridade em 2025 mostra o quanto o Brasil está atento à transformação digital impulsionada pelas tecnologias espaciais. Ao mesmo tempo, revela a complexidade dos desafios que envolvem inovação, segurança e cooperação internacional.

O espaço, cada vez mais disputado, precisa ser tratado com responsabilidade. A construção de uma governança sólida e multilateral é o único caminho para garantir que esse bem comum continue sendo utilizado de forma pacífica e produtiva para toda a humanidade.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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