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IA agêntica entra no radar da cibersegurança em 2026

Relatório aponta que IA, fraudes no Pix e ataques a infraestruturas críticas devem marcar o cenário de cibersegurança em 2026.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa9 min de leitura
Cibersegurança

O cenário global de cibersegurança entra em 2026 sob forte transformação tecnológica e crescente pressão sobre governos, empresas e usuários comuns. A evolução da inteligência artificial, a digitalização acelerada da economia e o avanço das fraudes financeiras criaram um ambiente em que ataques cibernéticos se tornam mais frequentes, sofisticados e difíceis de detectar.

Um dos principais diagnósticos sobre esse novo cenário foi apresentado no Relatório Anual 2025 da Apura Cyber Intelligence, que analisou tendências de segurança digital e projetou os riscos mais relevantes para o próximo ciclo. O documento aponta que 2026 será marcado pela consolidação da IA agêntica, pela evolução das fraudes no Pix, pelo debate crescente sobre criptografia pós-quântica e pela intensificação dos ataques a infraestruturas críticas, como telecomunicações e energia.

Essas mudanças ocorrem após um ano de forte pressão sobre o ambiente digital global. Em 2025, bilhões de eventos de segurança foram registrados, revelando um cenário de ameaças em escala inédita. Para o Brasil, que possui um dos sistemas financeiros digitais mais avançados do mundo, entender essas tendências tornou-se fundamental para empresas, autoridades e usuários.

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O retrato da cibersegurança global após 2025

Os números observados ao longo de 2025 ajudam a dimensionar o tamanho do desafio que governos e empresas enfrentarão em 2026.

Segundo dados consolidados pela plataforma BTTng, utilizada em monitoramento de eventos de segurança, foram registrados:

  • 5,96 bilhões de eventos de segurança cibernética
  • 2,86 bilhões de credenciais únicas vazadas ou expostas
  • 24.821 vítimas de ransomware no mundo
  • 244 vulnerabilidades exploradas ativamente por criminosos

Esses dados refletem uma tendência clara: o aumento do volume e da complexidade dos ataques digitais.

Entre os principais vetores de risco identificados estão:

  • ataques à cadeia de suprimentos digital
  • crescimento do Malware-as-a-Service
  • exploração automatizada de vulnerabilidades
  • recordes sucessivos de ataques DDoS

A digitalização de serviços públicos, bancos, telecomunicações e comércio eletrônico ampliou significativamente a superfície de ataque.

IA agêntica transforma o campo de batalha digital

Uma das mudanças mais profundas previstas para 2026 é a consolidação da chamada IA agêntica nas operações de segurança cibernética.

Diferente de sistemas tradicionais de inteligência artificial, que apenas analisam dados ou auxiliam usuários humanos, a IA agêntica atua como agente autônomo, capaz de executar tarefas complexas com mínima supervisão.

Aplicações na defesa digital

No campo da segurança defensiva, a IA agêntica deve transformar o funcionamento dos Security Operations Centers (SOCs).

Esses centros de monitoramento de segurança passam a utilizar agentes de IA capazes de:

  • analisar grandes volumes de logs
  • detectar padrões anômalos
  • investigar incidentes automaticamente
  • executar respostas iniciais a ataques

Na prática, isso significa que parte das tarefas repetitivas hoje realizadas por analistas humanos será automatizada.

Essa automação permite respostas mais rápidas a incidentes e maior capacidade de monitoramento contínuo.

Uso da IA por criminosos

O mesmo avanço tecnológico também beneficia criminosos digitais.

A IA permite que ataques sejam:

  • automatizados
  • personalizados
  • escaláveis

Entre os exemplos mais preocupantes estão:

Deepfakes em tempo real
Fraudadores podem simular voz ou vídeo de executivos, gestores ou familiares para enganar vítimas.

Phishing hiperpersonalizado
Com acesso a dados públicos e vazados, criminosos conseguem criar mensagens altamente convincentes.

Automação de ataques
Ferramentas baseadas em IA reduzem a necessidade de conhecimento técnico avançado.

Esse fenômeno reduz a barreira de entrada para novos grupos criminosos.

O crescimento do prompt injection

Outro risco crescente envolve o chamado prompt injection, um tipo de ataque direcionado a sistemas baseados em modelos de linguagem.

Nesse tipo de exploração, o invasor manipula instruções enviadas ao modelo para:

  • contornar regras de segurança
  • extrair dados sensíveis
  • alterar respostas ou comportamentos

Empresas que integram IA generativa em seus processos passam a enfrentar novos desafios de proteção.

A nova fronteira da identidade digital: máquinas

A expansão da IA agêntica cria um problema inédito de segurança: a identidade de máquina.

Tradicionalmente, sistemas de segurança focavam em proteger usuários humanos.

Agora, organizações passam a operar com:

  • bots
  • APIs
  • agentes autônomos
  • sistemas automatizados

Esses elementos também precisam de identidade digital segura.

O desafio das identidades não humanas

Agentes de software passam a exigir:

  • credenciais próprias
  • permissões específicas
  • monitoramento comportamental

Sem esse controle, um agente comprometido pode se tornar porta de entrada para ataques internos.

A tendência é que empresas adotem modelos de Identity and Access Management (IAM) voltados também para máquinas.

Cadeia de suprimentos se torna alvo prioritário

Outro ponto crítico identificado nos relatórios de segurança é o aumento dos ataques à cadeia de suprimentos.

Nesse modelo, criminosos não atacam diretamente a vítima principal, mas exploram fornecedores ou parceiros tecnológicos.

O Data Breach Investigations Report 2025, da Verizon, revelou que:

  • 30% das violações de dados envolveram terceiros
  • no ano anterior, esse índice era de cerca de 15%

Isso mostra que os criminosos estão explorando cada vez mais o elo mais fraco da cadeia.

Empresas brasileiras que utilizam serviços de:

  • cloud
  • software corporativo
  • plataformas financeiras
  • prestadores de TI

precisam ampliar o monitoramento de riscos de terceiros.

Fraudes no Pix entram em nova fase em 2026

O sistema Pix, criado pelo Banco Central, revolucionou os pagamentos no Brasil e tornou o país referência global em transferências instantâneas.

Mas o sucesso da tecnologia também atraiu criminosos.

Em 2026, a expectativa é de evolução das fraudes digitais relacionadas ao Pix.

Ampliação das funcionalidades aumenta riscos

Novos recursos ampliam as possibilidades de uso do sistema, mas também aumentam a superfície de ataque.

Entre eles estão:

  • Pix Automático
  • Pix Parcelado

Essas modalidades exigem autorizações recorrentes ou parcelamentos, o que abre espaço para fraudes baseadas em engenharia social.

O caso do ataque à C&M Software

Um dos episódios que chamou atenção no setor financeiro ocorreu com o comprometimento da C&M Software, empresa que presta serviços tecnológicos para instituições financeiras.

O ataque permitiu o desvio de aproximadamente R$ 1 bilhão em poucas horas por meio de transações fraudulentas.

O caso reforçou a importância de:

  • monitoramento de transações
  • controle de fornecedores
  • sistemas de detecção comportamental

Mudança na lógica de detecção de fraudes

Os sistemas antifraude devem migrar de modelos baseados apenas na transação para análises de contexto comportamental.

Isso inclui fatores como:

  • padrão de uso do cliente
  • geolocalização
  • histórico de transações
  • comportamento do dispositivo

Esse tipo de análise aumenta a capacidade de identificar fraudes antes da conclusão da transferência.

Malware bancário brasileiro se torna mais sofisticado

O Brasil já é considerado um dos principais polos de desenvolvimento de malware bancário no mundo.

Em 2026, especialistas projetam que esses softwares maliciosos se tornem:

  • mais modulares
  • mais adaptáveis
  • integrados a plataformas criminosas

Um dos modelos que ganha força é o Malware-as-a-Service, em que grupos criminosos alugam ferramentas de ataque para outros hackers.

Isso permite que criminosos com pouco conhecimento técnico executem golpes sofisticados.

Infraestruturas críticas entram no radar dos ataques

Outro ponto central do relatório é a crescente pressão sobre infraestruturas críticas.

Entre os setores mais expostos estão:

  • telecomunicações
  • energia
  • saúde
  • agronegócio

Essas áreas são consideradas estratégicas para o funcionamento da economia.

Recorde de ataques DDoS

Em 2025, a empresa Cloudflare registrou números históricos.

Somente no primeiro trimestre foram bloqueados:

  • 20,5 milhões de ataques DDoS

Isso representa crescimento de 358% em relação a 2024.

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Em setembro do mesmo ano, foram registrados ataques com:

  • 22,2 Tbps de tráfego
  • 10,6 bilhões de pacotes por segundo

Esses números mostram a capacidade crescente dos criminosos em derrubar serviços essenciais.

O alerta sobre telecomunicações

Autoridades internacionais emitiram alertas sobre campanhas direcionadas a provedores de telecomunicações.

Um dos exemplos foi a campanha atribuída ao grupo Salt Typhoon, investigada por órgãos de segurança como o FBI e o Centro Canadense de Cibersegurança.

O objetivo seria acessar sistemas estratégicos de comunicação.

Criptografia pós-quântica entra no debate global

Outro tema que ganha relevância em 2026 é a chamada criptografia pós-quântica.

A preocupação surge com a evolução dos computadores quânticos, que no futuro podem quebrar os algoritmos criptográficos atuais.

Estratégia “harvest now, decrypt later”

Especialistas alertam para a estratégia conhecida como:

harvest now, decrypt later

Nesse modelo, criminosos coletam dados criptografados hoje para decifrá-los quando a tecnologia quântica permitir.

Isso significa que informações sensíveis armazenadas atualmente podem ser comprometidas no futuro.

Iniciativas no Brasil

O relatório indica que o governo brasileiro iniciou estudos para adoção de algoritmos pós-quânticos em plataformas estratégicas.

Para o setor privado, o principal desafio será desenvolver agilidade criptográfica, ou seja, a capacidade de migrar rapidamente entre diferentes algoritmos de segurança.

ANPD deve ampliar fiscalização sobre dados e IA

A governança de dados também deve ganhar mais rigor.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) tende a ampliar sua capacidade fiscalizatória nos próximos anos.

Entre os focos prioritários estão:

  • dados sensíveis
  • biometria
  • uso de inteligência artificial
  • incidentes de segurança

Isso significa que ataques cibernéticos deixam de ser apenas problemas técnicos e passam a ter impactos regulatórios e legais.

Empresas podem enfrentar:

  • multas
  • sanções administrativas
  • danos reputacionais

Deepfakes e desinformação no ambiente eleitoral

Outro risco identificado para 2026 envolve a integridade democrática.

Tecnologias de inteligência artificial permitem criar deepfakes altamente realistas, capazes de manipular vídeos e áudios de figuras públicas.

Esses conteúdos podem ser usados para:

  • campanhas de desinformação
  • manipulação eleitoral
  • ataques à reputação de candidatos

Além disso, redes de bots automatizados continuam sendo usadas para amplificar narrativas falsas em larga escala.

A proteção de sistemas eleitorais, portais de divulgação e infraestrutura digital se torna prioridade para autoridades.

Como empresas e usuários podem se proteger

Diante desse cenário, especialistas apontam algumas práticas fundamentais para reduzir riscos.

Para empresas

Organizações devem investir em:

  • arquitetura zero trust
  • monitoramento contínuo
  • gestão de risco de terceiros
  • treinamento contra engenharia social
  • segurança em sistemas de IA

Também é essencial fortalecer políticas de resposta a incidentes.

Para usuários

Usuários comuns também precisam adotar cuidados básicos:

  • ativar autenticação em dois fatores
  • desconfiar de pedidos urgentes de transferência
  • evitar clicar em links suspeitos
  • manter aplicativos atualizados

No caso do Pix, recomenda-se verificar cuidadosamente qualquer solicitação de pagamento.

Conclusão

O cenário de cibersegurança em 2026 deve ser marcado por uma combinação de avanços tecnológicos e riscos inéditos. A entrada da IA agêntica nas operações digitais, a evolução das fraudes no Pix, o crescimento de ataques a infraestruturas críticas e o debate sobre criptografia pós-quântica mostram que o ambiente digital se torna cada vez mais complexo.

Para o Brasil, que possui um dos sistemas financeiros mais digitalizados do mundo, a segurança cibernética passa a ser uma questão estratégica para governos, empresas e cidadãos. Investir em tecnologia, governança e conscientização será essencial para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais conectado.

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Melissa Barbosa

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Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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