Nesta semana, a rede de cinemas Cinemark recebeu uma notificação do Procon-SP. O motivo era um combo do filme Star Wars, no valor de R$ 471. Isso mesmo: o combo, chamado de Cinemark Stars Wars R2-D2, estava sendo vendido por um valor bem mais alto que o convencional para o combo, por isso ocorreu a notificação.

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No combo, o Cinemark oferece pipoca, dois copos de refrigerante e uma réplica do robô R2-D2. Ele é um dos personagens mais famosos da saga, presente desde os primeiros filmes de Star Wars.

O Procon decidiu notificar a rede depois receber diversos relatos de consumidores criticando o alto valor do combo. Eles exigiram esclarecimentos sobre os critérios usados para estabelecer o preço e quais informações estavam sendo passadas ao público.

Um dos argumentos usados pelo Cinemark é de que o robô é um item de colecionador. O órgão solicitou, então, a informação de como é fornecida a certificação de item de colecionador e como ela pode elevar o preço ao produto. A rede de cinemas também se defendeu dizendo que foram confeccionadas apenas 2 mil unidades, o que justificaria o valor, além de ter um “alto padrão de acabamento”.

Para quem não quer investir tanto mas gosta dos personagens de Star Wars, existem outros combos mais simples, com balde decorativo e um copo em forma dos sabres de luz. Os valores desses combos menores estão entre R$ 61 e R$ 63. Já quem é colecionador mesmo e quer um R2-D2 para levar para casa, só o robô (sem pipoca e refrigerante) fica por R$ 451.

O mercado de produtos sobre filmes

Voltado para quem é fã de filmes, séries e jogos, o mercado geek oferece roupas, acessórios, bonecos, decorações, entre diversos artigos com personagens famosos.

“Se você analisar alguns nichos, como o cinema, dos dez filmes mais vistos em 2017, oito eram ligados a algo da cultura pop, super-heróis ou outra temática relacionada ao mundo geek. Podemos avaliar que a cultura pop ainda está em alta e nem alcançou um nível de estabilização. Há muito a ser explorado”, diz Kellen Silverio, diretora de marketing da Hasbro, em entrevista ao Meio e Mensagem.

Segundo uma pesquisa da plataforma Rakuten Digital Commerce, que estudou os hábitos de consumo dos consumidores, o público geek costuma gastar 40% a mais que a média nacional. O valor médio das compras online desse público é de R$ 548, enquanto a média nacional chega a R$ 329.

Esse nicho é composto principalmente por homens na faixa dos 20 a 30 anos, que preferem fazer compras pelo computador e utilizam o cartão de crédito como forma de pagamento.

Direitos dos consumidores no cinema

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, é “vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva; elevar sem justa causa o preço de produtos e serviços”. Portanto, foram esses motivos que levaram o Cinemark a receber essa notificação.

Muitas pessoas ainda desconhecem os direitos dos consumidores ao frequentar os cinemas. A compra dos lanches na bombonière não é obrigatória, ou seja, é possível entrar na sala de cinema com lanches comprados em outro lugar sem problemas. O que o cinema pode proibir é o consumo de bebidas alcoólicas dentro das salas, além de latas e garrafas.

Já a meia-entrada deve ser concedida a estudantes de escola pública ou privada, de nível fundamental, médio ou superior. Também vale para jovens com idade entre 15 e 29 anos que pertençam a famílias com renda mensal de até dois salários mínimos. Ademais, também pagam meia-entrada pessoas com deficiência e um acompanhante, além de idosos (pessoas com 60 anos de idade ou mais).

A comunicação do cinema também deve ser clara. Informações sobre os horários de exibição do filme, faixa etária, preço do ingresso e a lotação da sala, por exemplo, são obrigatórias. Além disso, qualquer alteração na programação deve ser informada com antecedência pela empresa.

Qual é o trabalho do Procon?

A Agência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) é o órgão responsável por fiscalizar as relações de consumo de serviços e produtos no país. Antes de uma compra de um produto ou serviço, o consumidor ou consumidora pode procurar o Procon para saber, por exemplo, se uma loja online é confiável. No caso do Cinemark, as pessoas procuraram o órgão para pedir esclarecimentos sobre o preço de um produto, o que foi cobrado da rede pelo Procon da forma correta.

Nos casos em que for necessário, o órgão pode aplicar multas ou até mesmo interditar uma empresa, por isso é importante notificar o Procon em caso de irregularidades. Por sua vez, as empresas devem atender ao órgão quando solicitadas.

E você, sabia que pode recorrer ao Procon ao se deparar com mudanças de preço abusivas?

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