O Nubank, um dos maiores bancos digitais do mundo, enfrentou um golpe significativo em sua avaliação de mercado. O Citi, em seu relatório mais recente, rebaixou a recomendação das ações ROXO34 de “neutra” para “venda”. Entre os principais motivos estão a desaceleração no crescimento no Brasil, seu principal mercado, e desafios financeiros que refletem a complexidade do cenário econômico. Este artigo analisa os fatores que contribuíram para essa decisão e suas implicações para o futuro da fintech.
Leia mais: Nubank (ROXO34) cada vez mais forte: fatia no mercado de cartões chega a 14%!
Nubank enfrenta queda de desempenho no Brasil
O Brasil, responsável por cerca de 72% da receita operacional do Nubank, tem sido o principal motor de crescimento da empresa.
Contudo, o terceiro trimestre de 2024 (3T24) marcou uma desaceleração considerável no desempenho do banco digital no país. Essa perda de força motivou a revisão do Citi, que agora vê o mercado brasileiro como um obstáculo à expansão da fintech.
Receita por cliente em queda

Um dos indicadores que mais preocupou os analistas foi a redução na receita média mensal por cliente ativo (ARPAC). O valor caiu de US$ 11,20 no segundo trimestre para US$ 11,00 no terceiro trimestre, evidenciando uma tendência de retração.
Embora a desvalorização do real tenha influenciado essa queda, o desempenho reflete desafios mais amplos enfrentados pelo Nubank em maximizar a lucratividade de sua base de clientes.
Taxas de juros elevadas pressionam custos
As altas taxas de juros no Brasil, mantidas em dois dígitos durante 2024, representaram um desafio significativo para o Nubank. Esse cenário encareceu o custo dos financiamentos e impactou negativamente o lucro líquido da instituição.
Em particular, o segmento de cartões de crédito sofreu com a diminuição da receita de juros (NII), uma área crítica para o modelo de negócios da fintech.
Expansão internacional ainda em estágio inicial
Enquanto o Nubank busca diversificar suas operações fora do Brasil, os resultados ainda demoram a aparecer. Na Colômbia, por exemplo, o banco recebeu recentemente aprovação regulatória para consolidar contas e operações de crédito.
No entanto, o portfólio de produtos no país ainda está em desenvolvimento, indicando que a estratégia internacional levará tempo para trazer retorno significativo.
Valuation elevado e desafios no horizonte

Outro ponto destacado pelo Citi foi o valuation elevado do Nubank, que inclui métricas como o P/E (preço sobre lucro) de 24,2 vezes e o P/BV (preço sobre valor patrimonial) de 6,2 vezes.
Segundo os analistas, esses múltiplos só seriam justificáveis em um cenário de forte aceleração no Brasil, algo que parece distante no momento.
